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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Broken Jazz Society - Discografia Comentada

Em uma época atida a nomenclaturas, onde se lê a manchete e não a matéria, títulos e rótulos podem dizer pouco ou nada sobre algo. É claro - tudo nos causa uma expectativa inicial. É involuntário. Então o que se espera de uma banda chamada Broken Jazz Society? Jazz, correto? Se pensou que sim, eis o primeiro equívoco.

Fundado em 2013 em Uberada, no Triângulo Mineiro, o trio Mateus Graffunder (vocal e guitarra), João Fernandes (baixo) e Felipe Araújo (bateria) se dedica a um estilo ainda bastante incomum em terras brasileiras, estando mais relacionado às marcantes regiões desérticas dos Estados Unidos, como Califórnia, Nevada, Texas: o Stoner Rock. Se você já formou uma consolidada expectativa do som dos caras, como se ele fosse puramente Stoner, aí está o segundo equívoco.

É daí que vem o título da banda - quebra de rígidos padrões sociais e profissionais, evitando pré-delinear seu caminho musical com balizas rotulares, correções digitais e quaisquer medidas que tornem a obra superficializada, uma mentira.

Mais saudosistas nos métodos de composição, gravação e planejamento gestual, os mineiros já trataram de gravar, à sua maneira, o primeiro álbum de estúdio, com apenas um ano de união. Dessa forma, surge em 2014, de forma independente e lo-fi, o disco de estreia "Tales From Purple Land".

Embora seja lo-fi, gravado com os poucos recursos que tinham à disposição (iPad com apogee jam e três microfones), o resultado ficou melhor, em termos de produção, do que o baixo financiamento leva a acreditar. A obra conta com oito faixas que totalizam rapidíssimos 23 minutos de duração que até estranham de primeira, por alguns fatores. Primeiro: o vocal de Mateus Graffunder é ligeiramente nasalado, e mais alto e agudo do que comumente se encontra no Stoner. Honestamente, não parece compatível num primeiro momento; mas a má impressão logo passa quando se acostuma ou compreende a proposta. Segundo: é Stoner? Certamente. Mas é mais alto astral do que a intuição diz.

Essa pegada mais animada do trio se dá necessariamente pela quebra de normas. "Tales From Purple Land" tem um 'quê' sessentista que dá um aspecto nostálgico à atmosfera, transportando o ouvinte a outro tempo e lugar. O Stoner Rock, além de determinados riffs sabáticos, recebe roupagens clássicas de Blues, Rock Psicodélico e as formas mais rudimentares de Hard Rock, o que torna o Broken Jazz Society uma banda ainda mais excêntrica tendo em vista sua origem.

Claro, a musicalidade tem distorções um tanto saturadas demais, baixo estrondoso e uma bateria correta - porém reta -, mas é engraçado como tudo isso, quando somado, deu certo. O disco é bom (melhora bastante se ouvido repetidamente) e os solos com distorção soam absolutamente clássicos e prazerosos.

Fechando o ciclo, vem dois anos mais tarde o segundo trabalho dos caras - mas não um álbum -: o EP de três faixas "Gas Station". De melhor produção, o disco tem canais mais dinâmicos, balanceados, e uma sonoridade mais encorpada, deixando essa história de lo-fi no passado. Das três canções, duas são inéditas e outra é regravação de "Riot Spring", que inclusive foi escolhida como single e recebeu um videoclipe muito bem produzido.

Em "Gas Station", o conjunto apresenta uma sonoridade mais pesada e segura, com esmagadores riffs sabáticos que são até dançantes, de certa forma. Recebendo influências de Grunge e Alternative Rock, a musicalidade se mantém, em certos momentos, em tempo mais rápido que o comum para o Stoner, mas sem desvirtuações drásticas. O equilíbrio entre base e estilos satélites é muito bom. Frequentemente, cadência e pegada têm suas alternâncias e desembocam em refrões intensos e até sentimentais.

Embora tenha coerência com o estilo dos caras, de um ponto de vista micro, "Gas Station" tem diferenças em relação a "Tales From Purple Land", e a combinação de fatores deu certo e tornou o segundo trabalho melhor do que o primeiro.

"Gas Station" foi gravado no 106Studio, em Uberaba mesmo, e a mixagem/masterização foram realizados por Gustavo Vazquez (Black Drawing Chalks, Uganga) no Estúdio RockLab, em Pirinópolis (GO).

O Broken Jazz Society ainda não está em sua melhor forma, mas com o mais recente EP, ganhou contornos realmente mais promissores. Infelizmente, não é - ainda - daquelas bandas que cativam de primeira, mas repetidas ouvidas atentas dão brilho a uma proposta pensada e bem executada. Portanto, para quem gosta de Stoner e gostaria de ver algo brasileiro no estilo, vale a dedicação aqui.

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CONTATO, SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: brokenjazzsociety@gmail.com
eliton@somdodarma.com.br

Assessoria de Imprensa: Som do Darma
E-mail: contato@somdodarma.com.br


 Tales From Purple Land (2014)

01 - Addicted
02 - Ivansible
03 - Riot Spring
04 - Devil's Shoulder
05 - Swim In The Deep
06 - La Venganza
07 - Summer Superstition
08 - Don't Care At All

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 Gas Station (EP) (2016)

01 - Gas Station
03 - Mean Machine

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