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domingo, 30 de outubro de 2016

Deadpan - Discografia Comentada

Costumo ser facilmente atraído por tudo que, de alguma forma, tenha a ver com alienígenas. Fico sempre curioso sobre o que um filme, livro ou música tem a falar sobre eles, como eles e os humanos são representados, que tipo de problemas (ou prováveis problemas) perpassam a inspiração para que ela recorra a seres de outras galáxias... a temática sempre transmite algum tipo de reflexão e expectativas de nossa sociedade. Exatamente por isso não foi difícil o power-trio catarinense do Deadpan capturar minha atenção, fazer-me travar os olhos na arte gráfica, folhear o encarte, ouvir e ler as músicas repetidas vezes.

Oriunda de Florianópolis, capital de Santa Catarina, a banda foi fundada em 2011, mas seu início efetivo pode ser considerado como tendo ocorrido apenas em 2014, já que questões de ordem pessoal levaram o conjunto a paralisar suas atividades por três anos. Renascendo com Gustavo Novloski no vocal e guitarra, André Barreto no contrabaixo e Igor Thiesen na bateria, com inspiração, criatividade e competência técnica, o power-trio trabalhou duro em seu primeiro álbum e o lançou já em 2015, sob o título "In Aliens We Trust".

Trata-se de um trabalho de estreia com qualidade como dificilmente se vê por aí em um primeiro momento, ainda mais em se tratando de um lançamento independente: a produção de Júlio Miotto é excelente e limpa, o encarte é bonito e detalhado nas informações, as letras realmente querem transmitir algo direcionado e aproveitável - ou seja, distante de temas aleatórios - e o afinamento técnico dos músicos é chamativo em seu muito bem trabalhado Progressive Thrash Metal. Tais atributos positivos e profissionais em uma banda que até então tem pouquíssimo tempo de estrada e ainda está em seu primeiro disco delineiam mentes ambiciosas e mãos experientes e talentosas.

Sabe aquela piada que dizemos quando alguém faz algo estúpido e falamos "é por isso que os aliens não visitam a gente"? É em torno dessa ideia de falha humana que a temática do disco está assentada. Ele conta a primeira parte da história de uma entidade alienígena chamada EoN, representante de uma raça de grande poder e sabedoria responsável pela manutenção do equilíbrio - aparentemente moral; o encarte não especifica - do universo. Uma vez que a humanidade, com sua ganância e a crescente impessoalidade, dirige-se gradativamente para o caminho do desespero e sua própria destruição, EoN viaja à Terra para estudar os costumes e ideias da raça humana e, com esse conhecimento, restaurar o equilíbrio com intervenções indiretas, tal como já havia feito em outros planetas. Para concretizar o objetivo, escolhe o menino Adam como experimento de contato indireto, e assim inicia seus estudos e planeja estratégias. A história, portanto, acompanha EoN e Adam.

Apesar do envolvimento alienígena na história trazer pré-concebidamente a ideia de que as letras serão futuristas e bastante alienígenas (meio que "distantes da realidade", digamos assim), as seis faixas do trabalho provam o contrário. O ano é 2015 e, na realidade, uma vez que se tratam de análises de EoN em sua tentativa de nos compreender, as músicas acabam por ser, na verdade, reflexões críticas de nossa própria sociedade atual, analisando a maneira como agimos em diferentes contextos sociais, o que pensamos, o que consideramos uma vida bem-sucedida (dinheiro realmente é tudo?), as doutrinações, entre outras coisas, sempre evidenciando as contradições e desumanizações emanadas de determinados pensamentos e atos modernos. Claramente, em apenas 24 minutos, temos uma enxurrada de críticas ao sistema capitalista, ao sistema educacional, às religiões, ao suposto esvaziamento da moralidade, à "mecanização" do pensamento - ou seja, ausência de filtro crítico ou a falta de preocupação em desenvolvê-lo -, aos vários padrões contextuais da cultura ocidental, etc.. Tal proposta define uma banda que inteligentemente cruza temática ficcional com críticas de embasamento empírico, tornando tudo bastante interessante. Os rapazes realmente querem passar algo com as letras e a inspiração, a vontade de se expressar, pode ser sentida em seus conteúdos. Okay - a composição e a inspiração lírica não são (ainda) apresentadas de forma a serem definidas como a oitava maravilha do mundo; há injustas generalizações, informações faltando que deixam o contexto aberto e demonstram maturidade ainda incompleta na elaboração de uma trama (é meio clichê, até), determinadas críticas, como a sobre a competitividade, não chegam a superar o senso comum e a própria crítica acaba até por desumanizar aquilo que eles criticam por estar se desumanizando... Enfim, algumas reflexões podem ser melhor refinadas e ampliadas. Mesmo assim, dificilmente uma banda se dispõe a colocar esses debates na mesa de forma tão atraente e eficaz. Não é à toa que a parte lírica por si só está recebendo grande e positiva atenção nesse texto.

Musicalmente, o Deadpan se diz influenciado pelo Death Metal e é divulgado como Progressive Death Metal. Porém, honestamente, dou-me a liberdade de discordar e defini-los como Progressive Thrash Metal. Aos meus ouvidos, se a complexidade da estrutura composicional e a rapidez diferentes notas fossem retirados, mantendo certa retilinearidade, velocidade de batida e a timbragem dos instrumentos, teríamos um exímio Thrash Metal puro e tradicional, de muita qualidade. A afinação não é tão grave, a produção não é tão densa, muito embora os vocais de Gustavo de fato estejam centrados nos guturais típicos do Death Metal. Acima dessa base, o Progressive Metal vem para complexificar, somar e dar ainda mais lucidez e personalidade para essa brilhante sonoridade.

Aquelas notas apelativas e velozes que são esperadas de uma banda de Prog Metal são encontrados no Deadpan, e o peso, rapidez e violência das músicas transformam o disco numa experiência bastante convincente e sugadora. A bateria de Igor, em ótima performance e timbragem, só vem a ditar com muito calor o ritmo das canções, levando à bateção de cabeça. Infelizmente, não há solos de guitarra e, apesar do Progressive Metal acoplado na arquitetura dos riffs, tal influência não se estende à duração das faixas, que têm, em média, 4 minutos de duração.

Em vista da quantidade de faixas (apenas 6) e da duração total delas (24 minutos), considero "In Aliens We Trust" um EP, muito embora seja divulgado como um full-length. Entretanto, rótulos são rótulos, e no caso do Deadpan, isso não importa. Uma grande banda sulista está em atividade no cenário nacional e ela deve ser ouvida. Não haverá arrependimentos, com certeza. Olho nesses caras, que ainda trarão mais lançamentos interessantes e ainda mais maduros no futuro!

A arte gráfica do registro tem o próprio vocalista/guitarrista Gustavo Novloski como responsável. Todas as letras foram compostas pela banda. O encarte traz breves notas antes de cada música, sempre escritas em português mesmo, de forma a situar o leitor/ouvinte sobre as inspirações e que o que está acontecendo naquele momento da história. As linhas de bateria foram gravadas no The Magic Place Studio e os demais instrumentos e vozes, no Calamar Studio, ambos em Florianópolis mesmo. A distribuição de "In Aliens We Trust" (título que brinca com o 'slogan' "in God we trust", presente nas cédulas estadunidenses) é reforçada pela assessoria de imprensa Sangue Frio Produções.

Após o lançamento, André Barreto deixa a banda e sua vaga no contrabaixo é ocupada por Anderson Biko.

Se você costuma ser desacreditado quanto à cena nacional e subestima o potencial das bandas de nosso país, o Deadpan pode lhe render uma experiência de amargura pela expectativa contrariada e de doçura pela qualidade desse power-trio catarinense.

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 In Aliens We Trust (2015)

02 - Unmasked Living
05 - Standard
06 - Two Faces

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sábado, 29 de outubro de 2016

Burnkill - Discografia Comentada

Quem anda antenado no que a cena brasileira tem oferecido nos últimos anos, certamente percebeu que, além do aumento do número de bandas se lançando no mercado, também cresceu a quantidade daquelas que se propõem a cantar no idioma materno. Cada vez mais vem caindo por terra o argumento de que português não combina com o peso do Metal, já que é tudo uma questão de estética composicional. Não existe uma regra sobre como compôr. Cada compositor faz à sua maneira, variando entre primeiro letra e depois instrumental, ou o inverso, ou ambos ao mesmo tempo. No entanto, de fato, a arquitetura musical não deve levar em conta apenas a estética instrumental, mas também a linguística - daí o cuidado que se deve ter com os idiomas.

Nascida em Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais, a banda Burnkill é mais uma do rol das que escrever músicas em português. Em atividade desde meados de 2014, o conjunto tem a ambição não apenas de ser mais um no cenário, mas de realmente ter algo a transmitir com suas mensagens musicais. Por isso, garante, através das letras em português, que o público "local" imediato - refiro-me a nível nacional, claro -, entenda suas letras, que versam criticamente sobre problemas sociais, atitudes humanas, incoerências, hipocrisias, e a fatalidade de determinadas escolhas - tudo ao mesmo tempo em que busca fazer um Thrash Metal enraizado, sem, apesar disso, soar genérico. Seu nome provém da inspiração na mistura entre o trecho "first you got to burn, burn, burn in fire" da faixa "Heaven and Hell", do Black Sabbath, e o nome da canção "Overkill", do agora extinto Motörhead.
Assaborando sua musicalidade, que ainda está nos primeiros anos de estrada, as influências de bandas como Claustrofobia, Sepultura, Dorsal Atlântica, Sarcófago, Sodom, entre outras podem ser de alguma forma sentidas. São referências pontuais dos mineiros, que procuram executar uma sonoridade que estabeleça maior coerência com sua própria personalidade.

Atualmente configurado como um quinteto composto por Antony Damien no vocal, Lucas Maia e Pablo Henrique nas guitarras, Jorge Luiz no baixo e Anderson de Lima nas baquetas, o Burnkill lançou em 2016 seu primeiro trabalho: o álbum "Guerra e Destruição". O trabalho foi produzido no Rota 976 Studio e vem sendo distribuído pela assessoria de imprensa Roadie Metal.

Desde o primeiro momento, o que já imediatamente chama a atenção na obra é a questão da produção, que esbarra em claras limitações técnicas. Ela é suja e fraca, provocando aquela sensação incômoda de abafamento e embaralhamento das linhas instrumentais. É evidente que uma produção de ponta tem altos custos, o que acaba não se tornando alcançável para toda e qualquer banda. Ainda assim, uma de qualidade mais fraca não deixa de ser um ponto negativo, pois atrapalha a degustação. No entanto - como já deve ter acontecido com muitos -, no decorrer do trabalho, é possível se acostumar com o que a banda tema a oferecer nesses quesitos técnicos, e a atenção se finca melhor no que está sendo feito.

Apesar do criticável cartão de visitas da produção, o que os mineiros fazem ao longo de meia-hora de música é interessante e até promissor. Eles apresentam uma sonoridade calcada no Thrash Metal ao estilo Sepultura e Claustrofobia - coerente com suas influências -, com riffs muito bem arquitetados desde os efeitos sentimentais que as notas provocam até o ritmo em que são tocados. Uma das mais notáveis é a própria faixa-título, que tem alavancadas na base que aludem ao apocalipse que é a guerra e a destruição, como sugere o nome.

Embora apresente predominância do bem tocado Thrash Metal, a banda também não deixa de demonstrar, com bastante naturalidade, enviesamentos para outros estilos compatíveis, como o Heavy Metal tradicional e o Death Metal. Esse último pode ser melhor percebido já na primeira faixa, "Corredor da Morte", que é mais pesada e o vocal de Antony Damien é mais puxado para o gutural fechado do que para o vocal raivoso e driveado, a caráter de Max Cavalera. Quanto ao Heavy Metal, ele não aparece como predominante, mas como anexo, deixando que suas nuances sejam percebidas ali e acolá ao longo do disco.

Se letras em português geralmente são um problema para alguns ouvintes, no caso do Burnkill, não há por que pegar no pé em relação a isso. Tal fato se deve por questões que se misturam entre o positivo e o negativo: no positivo, porque a maioria das músicas parecem ter sido compostas em torno da fonética do português, auxiliando na naturalidade delas; no negativo, porque, em outras, a produção e a própria pronúncia, combinados, não são tão compreensíveis, afastando o ouvinte, quando distraído, da percepção de que são de fato letras em português.

"Guerra e Destruição" é composto por oito faixas, mas a última, "Sinfonia da Guerra", foi gravada ao vivo e incluída mesmo assim.

Ainda assim, em um olhar geral, "Guerra e Destruição" é um ótimo pontapé inicial para a banda, que provavelmente trará algo ainda mais maduro e desenvolvido no próximo trabalho. Enquanto esse debut não receber uma remasterização (se receber um dia), seu potencial continuará eclipsado para o público mais exigente com esse tipo de coisa.

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 Guerra e Destruição (2016)

01 - Corredor da Morte
02 - Vivendo Uma Ilusão
04 - Repressão
05 - Cadáver do Brasil
06 - Tempestade de Horror
07 - Chega de Mentiras
08 - Sinfonia da Guerra (Ao Vivo)

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dying Suffocation - Discografia Comentada

A cidade é Pato Branco, no interior do Paraná, mas lá existe uma banda que pinta o nome do município em cores mais sombrias, contrariando a ideia radiante de paz e tranquilidade que o nome transmite. Essa banda é o Dying Suffocation, cuja sonoridade tem como proposta exatamente a asfixia da luz para dentro da escuridão, levando-a para uma dimensão densa, ofegante e obscura.

Fundada em novembro de 2014, a banda procura concretizar a negra proposta através da execução de um pesado e cadenciado Doom/Death Metal, como pouco se vê em solo brasileiro. O trio fundador era composto por Alex Habigzang na guitarra, André Kichel no baixo e Jorge Kichel na bateria. Em pouco tempo, a formação engordou com as chegadas do vocalista Cláudio Daniel e do guitarrista Fábio Conterno já no início de 2015, fechando a formação que lançaria, já em agosto daquele mesmo ano, o primeiro trabalho do conjunto: a demo "Dying Suffocation", de duas músicas.
Um dos frutos dessa demo foi o lançamento do videoclipe 'homemade' da faixa "The Angels", que obteve boa repercussão no exterior e culminou em sua inclusão na coletânea "Son of Carnival of Carnage", lançada pela Terrorizer, revista britânica de Rock/Metal.

Alguns meses mais tarde, em dezembro de 2015, mais um pequeno disco independente é lançado pelos brasileiros: agora é a vez de "When I Die", o primeiro EP da discografia. Gravado no Studio Musical Box, localizado em Pato Branco mesmo, e produzido pela própria banda em parceria com Júlio César, "When I Die" é uma obra de quatro faixas que totalizam 32 minutos de duração. Entre as faixas presentes, duas já faziam parte da demo anterior ("The Angels" e a faixa-título), mas foram regravadas, e outras duas ("In Search of Salvation" e "Rivers of Blood") são totalmente inéditas.

Instrumentalmente, os paranaenses fazem aquilo que o Doom Metal se propõe a fazer: entregar riffs bem distorcidos, cadenciados e sujos, remetendo claramente à forte influência tradicional que o Black Sabbath de seus primeiros tempos exerce sobre eles. Embora apresente também "Death" no rótulo, este não aparece com grande ênfase na sonoridade, tornando-a mais Doom mesmo. A pegada obscura e bastante cadenciada torna as músicas algo para se ouvir como plano de fundo, já que facilmente envolve o ouvinte em uma aura turva e cavernosa. Por vezes, a a musicalidade lembra a bandas de Funeral Doom Metal, como o Ahab. Um metrônomo um pouco mais lento tornaria possível alterar o rótulo.

Se a imersão provocada é um ponto positivo, outro nem tanto é a duração das faixas, que geralmente chegam a quase 10 minutos de duração. Quer dizer, não haveria problema algum na duração delas se os riffs variassem de andamento e composição no decorrer desse tempo. Certamente, eles são marcantes, memorizáveis - o que auxilia a gostar da banda -, mas o prolongamento da postura torna a experiência um tanto cansativa, por vezes monótona - ao menos pra mim, que tenho preferência por algo mais pegado, sem que isso signifique não gostar de cadência de vez em quando. Um pouco mais de inserção de Death Metal e a sonoridade ganharia mais vigor, e as passagens variariam, de maneira mais ou menos similar ao que faz o Swallow The Sun (apesar do lado Death dos finlandeses ser mais puxado pro melódico).

Sobrepondo a postura "sabática" do instrumental, vem o excelente e cavernoso gutural de Cláudio Daniel, que sutilmente varia entre imprimir guturais fechados e guturais rasgados e abertos. É nas vozes que a veia Death Metal definitivamente se manifesta, porém, em coerência com a proposta, também de maneira cadenciada. Sua técnica a grande responsável por coroar e mortificar a densidade instrumental, conferindo a ela uma aura demoníaca. Em perfeita sincronia com o instrumental, suas linhas também não variam muito o andamento - afinal, trata-se de um imersivo Doom Metal.

O trabalho foi bem aclamado pela crítica brasileira e internacional, rendendo inclusive a participação em mais coletâneas, como a Extreme Hell Vol. 2 e a Roadie Metal Vol. 8.

Dentro do que o Dying Suffocation se propõe a fazer, é certo que o faz bem, e o público-alvo há de concordar sem receios. Está no caminho certo, e se a banda seguir ativa, boas obras de Doom Metal eventualmente serão lançadas, tendo como aliada a natural maturidade que os anos de união e refinamento do projeto concedem. No entanto, ainda está relativamente crua - mesmo dentro da crueza óbvia do esquema - e música longa com quase o mesmo andamento o tempo todo não é característica que me prenda, mas por uma questão pessoal. Os adeptos do estilo discordarão prontamente.

Atualmente, a banda vem reestruturando seu line-up, que sofreu baixas em 2016 com as saídas do vocalista Cláudio Daniel e do guitarrista Fábio Conterno. Para as seis cordas, Dianriel Duarte foi recrutado, mas o posto de vocalista segue, por enquanto, vago. O Dying Suffocation promete novidades em breve. Uma delas provavelmente diz respeito ao novo vocalista, e outras serão referentes ao álbum de estreia, que já está tomando forma. Ele se chamará "In The Darkness of Lost Forest" e talvez saia ainda em 2016.

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 Dying Suffocation (Demo) (2015)

01 - The Angels
02 - When I Die

Ouvir (Site oficial)

 When I Die (EP) (2015)


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domingo, 23 de outubro de 2016

Vulcano - Wholly Wicked (2014)

Banda: Vulcano
Álbum: Wholly Wicked
Ano: 2014
Gênero: Death/Thrash Metal
Origem: Santos, São Paulo - Brasil
Membros na gravação: Luiz Carlos Louzada (vocal), Zhema Rodero (guitarra), Ivan Pellicciotti (baixo) e Arthur Von Barbarian (bateria).

Bandas, independente de quais sejam, geram expectativas - algumas boas, outras ruins. Porém, determinadas bandas vão além dessa natural e previsível dicotomia, fazendo com que esperemos algo a mais, especialmente se essa expectativa for positiva. O quanto se espera de um conjunto conhecido como um dos pioneiros do Metal extremo no país? Qual a responsabilidade de um grupo que, desde o início dos anos 80, mesmo com as limitações e dificuldades impostas tanto pela situação tecnológica quanto por um governo ditador, segue acreditando em sua música, realizando shows e lançando discos? Certamente, enorme.

Veteranos como os santistas do Vulcano são, espera-se lucidez à altura dos mais de 30 anos de estrada. Logo, cada novo álbum traz a expectativa de um trabalho bem feito em seus mínimos detalhes. Felizmente, é isso que o quarteto entrega em "Wholly Wicked", o nono e mais recente álbum da discografia, lançado em 2014 pela Renegados Records, distribuído pela Mutilation Productions e com divulgação reforçada pela assessoria Sangue Frio Produções.

Gravado e produzido no Beco Studio, em Santos (SP), "Wholly Wicked" traz toda a violência de uma fusão sucinta entre Death e Thrash Metal, concebida por mãos e mentes experientes. São apenas 10 faixas de curta duração (totalizando somente 32 minutos), mas cuja sonoridade é tão rápida quanto. Não se trata de uma Death/Thrash Metal cadenciado, preocupado com a desenvoltura e complexidade composicionais, mas sim de uma musicalidade objetiva, onde o foco é fazê-lo se sentir contagiado pela fúria e velocidade, levando-o a bater cabeça - mas, claro, tudo feito com extrema competência, longe de qualquer molecagem.

A produção claríssima só faz acrescentar ao produto final, conferindo um ar moderno aos pesados e energéticos riffs, ao mesmo tempo em que não se deixa esvair a clara influência que os gigantes do Slayer exercem sobre os brasileiros. Palhetadas empolgadas na guitarra, dedos apressados no pulsante contrabaixo e um excelente e caótico trabalho com as baquetas, aplicando bastante blast beats, configuram a personalidade do marcante instrumental desenvolvido pela banda. Esse instrumental, embora deixe clara a sensível fusão entre Death e Thrash, pende com bem mais força para o Thrash Metal, envolto ainda numa natural pendência à característica da vertente Speed do estilo. O resultado é fantástico e cheio de adrenalina.

A contribuição do Death Metal fica mais evidente mesmo no vocal de Luiz Carlos Louzada, que é assentado no gutural rasgado clássico do estilo. No entanto, a performance recebe doses do lado thrasher da proposta, podendo ser notadas principalmente na maneira como as linhas vocais são compostas: uma perfeita mistura entre a técnica do Death e a atitude Thrash.

Como resultado, temos um álbum prazeroso e bem feito pra caralho, à altura de uma banda madura e reconhecida pelo seu tempo de estrada. Pra quê complexidade quando a objetividade e homogeneidade impressionam e satisfazem por si só?

Quem até hoje ainda não deu uma chance a esses dinossauros, poderia mudar de ideia o quanto antes.

01 - The Tenth Writing
02 - Pentagram
03 - Daughters of Pagan Rituals
04 - Infusion of Hatred
05 - The Return of A Long Night
06 - Thirst For Vengeance
07 - Wholly Wicked
08 - Tormented
09 - Malevolent Mind
10 - Blowing Death

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Konad - Discografia Comentada

Creio estarmos acostumados a uma realidade onde muito se precisa batalhar para ter seu trabalho reconhecido, e recorrer à parcerias com sites e blogs tem se mostrado uma ferramenta comumente utilizada e também efetiva. Em um mundo com maior circulação de informações graças ao advento da internet, cresce também o número de bandas querendo provar seu melhor e, consequentemente, a concorrência. Sabemos: aqui no Brasil, além de muita concorrência, há também dificuldade de apoio, e as bandas se lançam em batalhas diárias para se reafirmar. Algo similar acontece em Portugal, onde boas bandas têm dificuldade de chegar ao conhecimento de mais pessoas, mas procuram, dia após dia, firmar-se no circuito local, para então conseguir brecha no âmbito nacional e, por que não?, no mundial.

Uma dessas boas bandas lusitanas que provam ter valor mas infelizmente não chegam a nós é o Konad. Formado em Vila Franca de Xira, em Lisboa, no ano de 1996, inicialmente sob o título Konad Moska, o conjunto aposta, ao longo de sua discografia, em diferentes maneiras de manifestar o Punk Rock, sempre com algo a mais para acoplar positivamente à musicalidade, até que, certamente, chega à sua melhor fase até o momento com o álbum "Irae Dei", de 2015.

O início o grupo não foi dos mais agitados. Apesar de ter começado tudo em 1996, somente em 1997 aconteceu a primeira apresentação ao vivo, realizada no Lusideia Bar, em Samora Correia, mas pouco depois as atividades cessaram definitivamente e a banda se extinguiu.

Três anos mais tarde, em 2000, após trocar alguns parafusos na formação, seus amplificadores voltaram a funcionar em consonância, devido à reativação dos trabalhos. A formação esteve fixa ainda até 2006, embora as atividades musicais oscilassem por motivos diversos. De qualquer forma, essa fase marcou o início das composições dos dois primeiros trabalhos dos portugueses: as demos "Mundo de Merda", lançada em setembro de 2007, e "Demo 2007", lançada no mês seguinte, já com a banda nomeada simplesmente como Konad.

Ambas as demos têm como similaridade a execução da forma tradicional e pegada do Punk Rock, aliada a letras que em parte são críticas sociais e econômicas, e em parte têm cunho humorístico, seja em revolta focalizada em algum assunto pertinente, ou mesmo a cólera pela graça de arrancar risadas. Vide a canção "O Kão do Anão", penúltima da segunda demo; muito bem humorada, faz uso até de efeitos de acordeão para dar ainda mais o ar da graça! Apesar de alguns detalhes interessantes de solos, ou da escolha excêntrica de recursos externos pro estilo (como na cômica faixa já citada), as construções composicionais são como se espera do estilo: simples e rápidas. A abordagem vocal é majoritariamente 'driveada', mas vozes limpas também são utilizadas em algumas faixas.

O fato de se tratarem de demos de quase 10 anos atrás acaba demonstrando também as limitações de equipamento, por isso a sonoridade é um tanto abafada, de gravação amadora. No entanto, rústico como o Punk tradicional se propõe a ser, isso acaba por não ser exatamente um problema, muito embora, se a gravação fosse limpa, a coisa seria boa também. A primeira demo traz em torno de 16 minutos de música, enquanto a segunda, um pouco menos: 13 minutos totais.

Mais um longo tempo de quatro anos se estendeu até que o próximo lançamento tomasse forma - o EP "Terror TV" só foi concebido em 2011. O tempo fez bem à banda. Com cinco faixas e 15 minutos de duração, este EP se mostra mais bruto. De produção um pouco melhorada, é aqui que os portugueses começam a inserir elementos de Thrash Metal na sonoridade, o que agregou peso à proposta. A postura está mais séria e a sonoridade está mais pesada. O Punk continua sendo o elemento central, mas o Thrash Metal presente em especial nas três primeiras faixas torna as composições mais firmes e dinâmicas. A postura vocal está ainda mais agressiva, mas mantém as características de ritmo e pronúncia do Punk. Um detalhe que retrocedeu concerne à ausência de solos, que são algo que sempre sinto falta, pois os encaro como clímax das músicas. Eles estão presentes apenas em "Ké Keu Faço", e a postura é excelente, remetendo ao Thrash.

"Terror TV" foi um aquecimento para o tardio lançamento do primeiro álbum de estúdio completo da banda, intitulado "Café Beirute" e lançado em 2012. Esse registro de estreia consolida a musicalidade da banda como uma coerente fusão entre Punk Rock, Hardcore, Thrash Metal e Crust. Os estilos se encontram em invejável harmonia, gerando canções que, embora rápidas, são um verdadeiro ataque de peso e velocidade aos ouvidos. A postura é realmente frenética, levada à base de riffs pesados, pegados e caóticos, bateria insana, baixo pulsante e uma abordagem vocal mais rasgada, aproximando-se daquela executada no Black Metal. Talvez uma das bandas que mais se assemelhem ao que é feito aqui pelos portugueses seja o Toxic Holocaust.

Certamente a fusão é inteligente e madura no álbum, mas a heterogeneidade foi meio que posta de lado. As 16 faixas que compreendem os 34 minutos totais do trabalho são demasiadamente similares entre si, tornando o trabalho denso, embora bom e de produção excelente. Não há muita variação na base rítmica, as bases são frequentemente similares e os solos de guitarra foram praticamente extintos, bem como aquela antiga faceta humorística. Solos de guitarra só podem ser ouvidos em "Não Submisso" e "Burako Negro", enquanto o humor só está presente, com toda sua irreverência lusitana, na última faixa, "Vaka Cinzenta" - o próprio nome já alude a isso.

Trata-se de um ótimo álbum, mas retilíneo demais, com homogeneidade em excesso. A única exceção é a própria faixa-título, que é muito bem trabalhada, com uma introdução limpa e misteriosa e andamento cadenciado quando o peso das distorções enfim entra. Seu clima misterioso e obscuro é fantástico, como se algo de ruim estivesse prestes a acontecer!

A avaliação geral é positiva, sem dúvidas, apesar de alguns detalhes. "Café Beirute" é um ponto de paradigma, já que lança as bases definitivas da musicalidade do Konad, que está mais à vontade, tendo encontrado seu perfil. O desenvolvimento da proposta veio em 2015, com o lançamento do excelente "Irae Dei" e a consolidação da formação atual, contando com Kampino no vocal, Frazão na guitarra, Márcio no baixo e André na bateria.

Gravado no Rec In Red Studios, em Vila Franca de Xira, e masterizado na Suécia por Magnus Andersson em seu Endarker Studio, "Irae Dei" é um pouco mais enxuto (28 minutos de duração), ainda mais homogêneo, e especialmente mais agressivo e próximo do Toxic Holocaust. O vocal de Kampino se apresenta em guturais rasgados plenos, cantados com feracidade de modo que as palavras se tornam difíceis de compreender. O Crust atrelado ao Punk/Hardcore/Thrash Metal está mais evidente, tornando essa avassaladora sonoridade mais crespa e crua. Com distorções menos claras, o álbum perdeu peso em relação a "Café Beirute", mas ganhou velocidade e uma sonoridade apocalíptica, que entrega ainda mais ira ao ouvinte - algo sugerido pelo próprio título, latim para "Ira de Deus"; logo, uma sonoridade apocalíptica, repleta de ferocidade, como uma ira divina.

Foram pelo menos 16 anos até que finalmente os portugueses lançassem o primeiro álbum de estúdio. Apesar da demora, ocasionada por inúmeros imprevistos, a banda acumulou experiência e esse tempo de estrada e a determinação em não desistir de fazer música são fatores que contam a favor dos caras. A sonoridade se consolidou, uma personalidade foi alcançada - e continuará sendo refinada - e os discos começaram a fluir em seus lançamentos. A linearidade composicional é marca de parte dos estilos executados por eles e, apesar de, para ouvintes mais adeptos de outros estilos (como eu) isso ser um ponto contra, a sonoridade é muito boa e a agressividade é matadora. Se procura bandas na linha do Hardcore/Punk/Thrash, é certo que o Konad satisfará suas necessidades.

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 Mundo de Merda (Demo) (2007)

01 - Eu Sou Vesgo!
02 - Mundo de Merda
03 - Kem Paga A Cirrose?
04 - O Kão do Anão
05 - Filho da Puta
06 - Vaka Louka
07 - Konad Moska Kom Kapa (Demo)
08 - Kasal Ventoso

Ouvir (Bandcamp)

 Demo 2007 (Demo) (2007)

01 - Vendedor de Almas
02 - KGB
03 - Putiklube
04 - O Kão do Anão
05 - Filho da Puta

Ouvir (Bandcamp)

 Terror TV (EP) (2011)

01 - Mundo Incerto
02 - Ser Livre
03 - Ké Keu Faço
04 - Detalhes
05 - Kaos Total (Versão Kaos09)

Ouvir (Bandcamp)

 Café Beirute (2012)

02 - Komboio Fantasma
03 - Porcos Malabaristas
04 - Luta ou Morre
05 - Devotos
06 - Filhos do Ódio
07 - Mentekabra
08 - Soldado do Inferno
09 - Café Beirute
10 - Alienação
11 - Choque Global
12 - Não Submisso
13 - Assim É Ke Estou Bem
14 - Burako Negro
15 - Manifesto
16 - Vaka Cinzenta

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 Irae Dei (2015)

01 - Revelação
02 - Predestinação
03 - Irae Dei
04 - Enclaustro Mental
05 - Necroritual
06 - Um Veneno
07 - Retratos de Uma Vida Banal
08 - Crimes de Guerra
09 - Irmãos de Sangue
10 - Apocalipse
11 - Direito À Raiva
12 - Arde No Inferno
13 - Vlad
14 - Inverno Nuclear

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