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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Rusty Pacemaker - Discografia Comentada

A velha máxima do "menos é mais" está se tornando cada vez mais intrínseca na música pesada. Certamente, muitos já ocasionalmente se depararam com alguma one-man-band em algum momento, ou mesmo bandas de sonoridade completa, mas que, quando vai ver, apenas dois membros as integram.
Dependendo do caso, menos é mais. Mais qualidade. Mais objetividade. Mais coesão... No caso do austríaco Rusty Pacemaker, menos é mais melancolia - o que é totalmente compatível com nossos momentos de tristeza: sempre solitários.
É na desolação de um trabalho solitário e persistente que esse multi-instrumentista trabalha, não apenas dando vida à sua própria one-man-band, nomeada com seu pseudônimo e genericamente calcada no Doom e no Progressive, mas também carregando nas costas seu próprio selo, chamado Solanum Records, por meio do qual ele faz o corre de divulgação de seus trabalhos.
Nascido em Lanzenkirchen no ano de 1974, Rusty Pacemaker é íntimo da música pesada desde a infância, e sua paixão por bandas como Black Sabbath e principalmente Bathory (em especial a figura de Quorthon) alimentou fortemente seu interesse em compôr canções e apresentá-las ao mundo. Autodidata, o austríaco começou a criar riffs tão logo dominou o violão e a guitarra. Seu aprendizado no contrabaixo e no vocal veio da consequente necessidade de dar encorpamento completo às canções que criou - eram os primeiros passos do que viria a se consolidar como seu próprio projeto musical.
As composições para a banda começaram oficialmente em 2003, um tempo muito cedo quando se leva em conta que o álbum de estreia seria lançado apenas sete anos mais tarde. Contudo, são justos os motivos de tanta demora: Rusty não tinha equipamentos de qualidade suficientes para registrar gravações decentes. A princípio, compôs cinco músicas em rústicas versões demo. Mesmo com a pouca qualidade, gostou do resultado, e o destino o presenteou com o novo amigo Franz Löchinger, cujas habilidades profissionais na bateria viriam a ser de muita utilidade ao compositor, já que Franz se pôs à disposição para gravar as linhas de bateria do futuro disco.
O fato da banda tomar contornos mais definidos incentivou Rusty a compôr mais cinco músicas para completar um álbum e a lentamente investir na montagem de seu próprio estúdio - daí a demora para finalmente lançar as 10 faixas. Eventualmente o White Studio (como foi batizado) ficou pronto e as gravações começaram em 2009. Todo o processo produtivo, incluindo mixagem e masterização, aconteceu ali mesmo, de forma independente, e foi finalizado em 2010. Dali era só um pulo até o dia 20 de outubro chegar, trazendo consigo o debut "Blackness and White Light", lançado através do recém-fundado selo Solanum Records!
Se observar bem, a primeira coisa que chama a atenção é a capa. Familiar, não é? Não é pra menos! Ela retrata Rusty em frente à mesma casa imortalizada na capa do primeiro álbum do Black Sabbath, lá em 1970. Ela é situada em Oxfordshire, na Inglaterra, à beira do rio Tâmisa. Tal referência já provoca uma positiva reação para ouvir o trabalho.
Certamente, trata-se de um álbum homogêneo, constante e sentimental. Ele reflete com facilidade as influências mais básicas em Rusty Pacemaker como músico, mas também exibe um forte toque de autenticidade. É possível sentir como cada música é pessoal, o que faz o ouvinte se sentir presente dentro de seu melancólico universo.
A produção é muito boa, embora os conhecidos toques de uma gravação independente se façam tangíveis, principalmente no que diz respeito à captação dos crespos riffs de guitarra, que inclusive parecem um pouquinho deslocados na mixagem em relação aos demais instrumentos - sem causar desconforto, ainda assim.
Após a imersão na atmosfera do álbum, tão logo a sintonia mental com a musicalidade é estabelecida, nota-se a suave competência do austríaco nas composições. Com extrema naturalidade, a musicalidade passeia por estilos como Doom Rock/Metal, Folk Rock e Progressive Rock, sempre sustentados pela soturna aura de um triste Atmospheric Rock, acrescentando ainda rapidamente em alguns trechos elementos de Black Metal nos riffs de guitarra. Toda essa combinação é graciosamente suave, soando como uma coisa só, o que confere a mencionada homogeneidade.
Aliás, suave também são as músicas em si. O trabalho é bastante calmo, sem momentos de clímax. Você chega a pensar que as músicas ascenderão para trechos de maior porrada, mas elas se mantém como foram feitas para ser: deprimidas. Os riffs de guitarra são lentos, a bonita e bem encaixada exploração de violão deixa tudo ainda mais fúnebre... os solos de guitarra são longe de ser exibicionistas ou mirabolantes, mas cumprem impressionantemente bem o papel de preservar a ambientação das canções, já que não converte o andamento em algo mais melódico e deslocado. O limpo e suave vocal de Rusty completa toda essa melancolia apostando em linhas lentas, cantadas com notável pesar, tristeza, sentimentalismo. Ele não se mostra um grande vocalista, mas soube explorar sua própria voz e frequentemente a duplica digitalmente, encorpando a cantoria, até porque suas cordas vocais não produzem uma voz volumosa.
Sem dúvidas, num contexto geral, o trabalho é excelente à sua soturna e simples, porém efetiva maneira, e ainda, de brinde, traz a bela voz de Lady K nas faixas "Amok" e "Mother", cantando da mesma lúgubre forma que Rusty. Inclusive, ela também é a fotógrafa da capa.
A qualidade da produção de "Blackness and White Light", embora seja boa mesmo com as limitações, não agradou completamente ao músico. Por isso, após o lançamento, ele aplicou mais investimentos para tornar o estúdio ainda melhor, ocasionando sua completa reconstrução.
Em 2011, ainda em meio à divulgação do debut, Rusty Pacemaker já começou as composições para o segundo álbum, que seria intitulado "Ruins". A pré-produção foi concluída em 2012, porém, as canções não apresentavam solos de guitarra, uma vez que o músico visava criá-las apenas durante as gravações para que conferissem um ar de espontaneidade a elas.
O processo de gravação foi feito em partes, devagar, exceto pela bateria. Todos os instrumentos e vocais foram gravados entre 2012 e 2014 no White Studio, enquanto a captação das linhas de bateria foram concluídas em apenas um dia no Udio Media Studio, em Viena, capital austríaca. Novamente, Franz Löchinger ficou responsável pela gravação do instrumento, contando agora com o apoio do engenheiro de som Norbert Leitner. A mixagem e masterização, por sua vez, ficaram a cargo de Markus Stock em seu recinto, o Klangschmiede Studio E.
Ao fim de todo o processo, só faltava mesmo o lançamento de "Ruins", que aconteceu assim que o dia 22 de maio de 2015 chegou.
É muito interessante como percebe-se amadurecimento desde os primeiros acordes, bem como o avanço no quesito "produção". As reformas no White Studio trouxeram enorme vivacidade e limpidez à sonoridade, que agora sim soa plenamente profissional. "Ruins" mantém em grande parte aquilo que foi iniciado em "Blackness and White Light", porém, com mais desenvoltura e menos transitoriedade entre gêneros similares.
Digo, se o debut soava algo mais puxado para a linha do Rock, o segundo registro é mais voltado para o Metal - e essa não é uma impressão subjetiva devido à elevação de qualidade produtiva. É que, de fato, a musicalidade está mais pesada, calcada num Doom Metal banhado a Depressive Metal que chega lembrar aos primeiros discos do Katatonia com Jonas Renkse cantando limpo. Abandonou-se a levada atmosférica, mas houve ganho de energia nas músicas, sem que isso signifique necessariamente deixarem de ser melancólicas. Elas chegam a ter ápices, momentos de maior intensidade, onde o peso acompanha a maior entrega vocal. E por falar em vocal, Rusty segue cantando de forma arrastada, invariavelmente apostando em pesarosos tons médios, com raras elevações ou declives. Embora a escassa variação de notas vocais do músico não seja exatamente algo negativo (já que combina com a energia negativa exalada pelos instrumentos), a nova participação de Lady K nas faixas "Night Angel" e "Ocean of Life" traz novamente um compatível e bem-vindo escape aos ouvidos por se tratar de uma belíssima voz com grande capacidade de aguçar a aura imersiva. É prazeroso ouvi-la cantar.
O trabalho instrumental ganhou encorpamento e parece menos simples do que no primeiro disco. Interessantes arranjos foram produzidos e os solos de guitarra continuam bastante explorados, sempre mantendo a proposta de soarem tão lúgubres quanto o estilo exige. As linhas de bateria, inclusive, estão bem melhores, e passagens de violão complementam com sagacidade o clima triste e invernal. Todo o conjunto de fatores gerou, novamente, um disco de qualidade e imersivo. Poderia ser mais atmosférico só pra sugar ainda mais o ouvinte, mas a postura um pouco mais seca não prejudicou os evidentes avanços obtidos por Rusty Pacemaker em todos os aspectos. A sensação final é de um trabalho superior ao primeiro.
Os discos do austríaco são muito recomendados para quem gosta de fazer uma viagem consternada pra dentro de si mesmo enquanto ouve. Claramente, a banda ainda não madurou completamente, não está no auge. Tem mais a oferecer no futuro, precisando caminhar ainda mais para receber o merecido destaque nesse pouco explorado ramo, mas isso não tira o brilho positivamente opaco da entorpecente musicalidade construída, nem seu potencial de agradar a fãs de Bathory, Novembers Doom, Katatonia e outras bandas que transitam mais ou menos nessa linha.

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IMPRENSA & MERCHANDISING:
E-mail: rustypacemaker@aon.at

Assessoria de Imprensa: Solanum Records
E-mail: rustypacemaker@aon.at


 Blackness and White Light (2010)

01 - Cell
02 - You Never Had
03 - My Way
04 - Amok
06 - The Human Race
07 - My Last Goodbye
08 - Blackness and White Light
09 - Revolution
10 - Mother

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 Ruins (2015)

01 - Ruins
02 - Made of Lies
03 - Ocean of Life
04 - The Game
05 - Night Angel
06 - Candlemess
07 - Forever
08 - Matter Over Mind
09 - Knowing
10 - Pillow of Silence

Ouvir (Bandcamp)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Lançamentos janeiro 2016

Os últimos anos têm sido especialmente marcantes no que diz respeito a lançamentos no mundo do Rock e Metal, com grandes bandas lançando grandes discos que recheiam listas de "melhores do ano" e colocam em pauta boas discussões sobre quais deveriam ou não entrar nelas. Mal 2016 chegou e já está prometendo que será um novo ano de excelentes discos. Só o mês de janeiro já trouxe álbuns que com certeza se farão presentes nas listas de dezembro e renderiam quase meio ano em épocas "menos movimentadas", digamos assim.
Por isso, visando informar ao leitor sobre o que andou saindo ultimamente, trazemos essa lista com alguns lançamentos relevantes e/ou que chegaram ao nosso conhecimento no mês de janeiro. Listas assim serão mensalmente apresentadas aqui no Warriors Of The Metal!

A ordem de exibição é por data de lançamento, não de relevância ou preferência pessoal. Além disso, esses são os discos e suas datas oficiais de lançamento, ou seja, desprezamos as datas de vazamento. Alguns de lançamento oficial marcado para fevereiro mas que vazaram em janeiro foram ignorados, tais como Anthrax, Lost Society, Fleshgod Apocalypse, Rotting Christ, entre outros. Contudo, eles certamente estarão na lista de fevereiro, que sairá no início de março.  Sintam-se à vontade para informar sobre lançamentos que possivelmente foram esquecidos!

04/01 - Therion - Les Épaves (EP)


Um dos primeiros lançamentos do ano pertence ao famoso grupo sueco Therion. "Les Épaves" é apenas um EP de cinco músicas composto por somente covers e rápidos 15 minutos de duração.

06/01 - Moda de Rock - Moda de Rock II


Provavelmente, o Moda de Rock é um dos projetos mais inusitados dos últimos anos no Brasil. A dupla, que concentra seus esforços em repaginar clássicos do Rock e Metal para versões caipira com violas, chega agora ao seu segundo álbum de estúdio da ainda breve carreira. Naturalmente, por se situarem no limiar entre o Rock e o caipira, tomam porradas dos dois lados, mas o trabalho é sempre  diferenciado, interessante e criativo... no mínimo, curioso.

08/01 - Aborted - Termination Redux (EP)


Logo no amanhecer do ano, os belgas do Aborted trouxeram mais uma obra de seu cativante Death Metal/Grindcore: o EP "Termination Redux"! Lançado apenas em vinil e digitalmente pelo iTunes, o trabalho compreende cinco faixas que rendem 15 minutos de uma sonoridade que não perde o fôlego nunca.

08/01 - David Bowie - Blackstar


Esse novo ano que está diante de nós está se mostrando um verdadeiro rolo compressor, levando as almas de muitos queridos do Rock e Metal. Logo após a notícia do falecimento de Lemmy Kilmister (Motörhead), foi a vez de David Bowie, dando apenas tempo de lançar, dois dias antes, seu novo e vigésimo quinto álbum de estúdio: "Blackstar". Maneira trágica de entregar mais uma ótima obra de Art Rock...

13/01 - Arch Enemy - War Eternal Tour: Tokyo Sacrifice


Mais uma vez, os suecos do Arch Enemy trouxeram um lançamento. Agora, trata-se de um DVD intitulado "War Eternal Tour: Tokyo Sacrifice", gravado no dia 3 de março de 2015 no Shibuya O-EAST, na capital japonesa. É o primeiro DVD com a nova vocalista Alissa White-Gluz (ex-The Agonist) e conta com 21 faixas no repertório.

13/01 - Dragon Guardian - Ragnarok ~神々の黄昏~ (EP)


Os japoneses do Dragon Guardian são mais uma banda a trazer lançamentos anuais. No dia 13 de janeiro foi a vez do EP "Ragnarok" ser lançado de forma independente. O disco contém seis faixas, totalizando 28 minutos de duração.

15/01 - Axel Rudi Pell - Game of Sins


O talentoso guitarrista alemão Axel Rudi Pell também trouxe novidade: lançou o álbum "Game of Sins", o décimo sétimo da carreira solo. Como é de se esperar, o resultado não decepciona.

15/01 - Rhapsody of Fire - Into The Legend


A saída do guitarrista e fundador Luca Turilli em 2011 não parou mesmo o Rhapsody of Fire. Prova disso é lançamento o álbum "Into The Legend", o segundo sem ele. Toda a conhecida proposta musical se mantém ativa, mas a atual abordagem densa, mais seca, pesada e que aos ouvidos de muitos carece de carisma gera discussões sobre se a banda ainda é forte ou respira por aparelhos. Particularmente, essa nova fase não me agrada como deveria.

20/01 - Black Sabbath - The End (EP)


Verdadeiras lendas e pioneiros do Heavy e do Doom Metal, o Black Sabbath realmente está em vias de encerrar suas atividades. Atualmente, inclusive, encontra-se em sua última turnê, chamada "The End". Não é por acaso que o novo EP foi batizado com esse mesmo nome - afinal, ele está sendo comercializado exclusivamente durante a turnê e está em edição limitada. Musicalmente, não impressiona; são apenas sobras do "13" e registros ao vivo da turnê do mesmo álbum. Contudo, serve como recordação de despedida de um dos maiores pilares do Metal.

22/01 - Abbath - Abbath


Abbath é, sem dúvidas, uma figura bastante conhecida, mesmo entre os que não gostam do Immortal ou Black Metal em geral. Curiosamente, o frontman deixou a banda em 2015, após 24 anos de estrada. Mas isso não provocou seu desaparecimento no cenário, não; ele tratou de fundar uma banda solo e no dia 22 lançou o debut homônimo, mantendo a famosa proposta do Immortal com muita qualidade.

22/01 - Megadeth - Dystopia


Provavelmente, "Dystopia", do Megadeth, era o álbum mais esperado de 2016, especialmente para os brasileiros, que estavam ansiosos para testemunhar o resultado da adição do guitarrista compatriota Kiko Loureiro (Angra) ao conjunto. O décimo quinto álbum da banda estadunidense mostrou que Dave Mustaine e companhia ainda têm muita lenha pra queimar, servindo como redenção aos fãs que se decepcionaram com "Super Collider". Convence, é vigoroso e empolgante, mesmo para os que esperavam uma abordagem musicalmente mais clássica, à época de "Rust In Peace".

22/01 - Rage - My Way (EP)


Os alemães do Rage também não passaram o mês em branco. Trataram de lançar o curto EP "My Way", de 17 minutos e quatro faixas. É um sopro de esperança para quem esperava ouvir um trabalho inédito da banda, que não lança álbum desde 2012, quando "21" saiu.

22/01 - Borknagar - Winter Thrice


O Borknagar sempre faz jus à qualidade que se espera de uma banda norueguesa. Com "Winter Thrice", lançado no dia 22, a banda mostrou que seu nome e músicas boas e intensas estão correlacionados, sempre com muita progressividade. E por falar nisso, ainda há quem, por força do hábito, defina-os como Black Metal. Essa época passou faz tempo. Independente do rótulo, o sexteto atualmente capitaneado pelos vocalistas ICS Vortex e Vintersorg sempre trabalhou em alto nível.

22/01 - Steven Wilson - 4½ (EP)


Geralmente associado à sua banda principal, o fantástico Porcupine Tree, o multi-instrumentista Steven Wilson também faz desgraça em sua carreira solo. Sempre com um fantástico Progressive Rock, o inglês dá prosseguimento aos lançamentos, agora com o EP "4½", que se não fosse Prog, poderiam até chamar de álbum, já que tem 37 minutos de duração, distribuídos ao longo de seis faixas.

23/01 - Antti Martikainen - Set Sail For The Golden Age


O compositor finlandês independente Antti Martikainen é mais um daqueles prodígios que por si só lançam álbuns e músicas em velocidade rápida e quantidade abusiva. Por isso, dois mil de dezesseis já trouxe o novo álbum "Set Sail For The Golden Age", cheio da classe que somente esse tipo de proposta épica pode fornecer.

29/01 - Amoral - In Sequence


O Amoral nem sempre é lembrado pelos brasileiros, mas geralmente ganha empatia quando informa-se que o vocalista é Ari Koivunen, vencedor do programa Ídolos da Finlândia em 2007 cantando Heavy Metal. Pois é! A banda acabou de lançar "In Sequence", o sétimo álbum da carreira e quarto com o talentoso vocalista. O híbrido de Progressive Metal e Power Metal se mantém, tornando ainda mais o Melodic Death Metal inicial um passado muito, muito distante.

29/01 - Dream Theater - The Astonishing


Os anos 2000 do Dream Theater foram marcados por álbuns pesadíssimos e exibicionistas, até cansativo para muitos ouvidos (ainda bem que o meu não!). Contudo, finalmente o soberano quinteto estadunidense trouxe um álbum nos moldes que eu, pessoalmente, esperava muitos anos para ouvir! "The Astonishing" impressiona pela sua leveza e fluidez de audição, remetendo principalmente a álbuns como "Scenes From A Memory". O trabalho é duplo e conceitual, apresentando 34 faixas e duas horas e dez minutos de duração. Fica a indagação de "como eles conseguem fazer isso?" e a certeza de que será considerado por muitos um dos melhores álbuns de 2016.

29/01 - Exumer - The Raging Tides


"The Raging Tides" é de fato uma excelente obra de Thrash Metal dos alemães do Exumer. O quinteto não é sempre lembrado pela massa headbanger, mas merece os ouvidos de quem gosta da vertente. Esse é o primeiro trabalho com o baterista Marc Bräutigam, e é bastante rápido: somente 35 minutos. Seis minutos bônus são adicionados se decidir executar também as faixas "Forever My Queen" e "Hostage To Heaven", covers de Pentagram e Grip Inc., respectivamente.

29/01 - The Gathering - TG25: Live At Doornroosje (Live)


Conhecido por ter contado com a vocalista Anneke van Giersbergen até 2007, o The Gathering não mais conseguiu reter a simpatia dos fãs mais tradicionais. Contudo, talvez o novo ao vivo "TG25: Live At Doornsroosje" traga algum conforto, já que a vocalista é uma das convidadas da apresentação. São 18 faixas e duas horas de show, gravado em novembro de 2014 em Nijmegen, Holanda, comemorando os 25 anos de banda.

29/01 - Master - An Epiphany of Hate


Um verdadeiro clássico do Death/Thrash Metal, o power-trio do Master lançou sua mais nova relíquia, intitulada "An Epiphany of Hate", que vem sendo muito bem criticada pela internet.

29/01 - Avantasia - Ghostlights


Foi dito que o Avantasia encerraria suas atividades, mas o líder Tobias Sammet (Edguy) mudou de ideia e lançou o novo álbum "Ghostlights" no fim do mês. O Metal Opera vinha sendo alvo de críticas após o álbum anterior "The Mystery of Time" não corresponder exatamente às expectativas, por isso, esperava-se uma elevada de nível. Porém, não é exatamente o que "Ghostlights" entrega. Embora muito bom, não ficou tão superior assim ao antecessor, o que põe em pauta mais discussões sobre a criatividade de Tobias atualmente. Há de ser comentado que um novo "The Metal Opera Pt. I" é praticamente inviável nos dias de hoje, mas muitos não esperam exatamente um flashback do Avantasia; esperam simplesmente um grande álbum, que tire o fôlego, assim como fez "The Wicked Symphony" em 2010. Ficou devendo.

29/01 - Primal Fear - Rulebreaker


A passagem do baterista brasileiro Aquiles Priester (Noturnall, ex-Angra) pelo Primal Fear foi relâmpago e infelizmente não culminou na gravação de um álbum. Com Francesco Jovino nas baquetas ao invés, a banda alemã de Ralf Scheepers e Matt Sinner deu prosseguimento aos trabalhos e lançou o bem criticado "Rulebreaker", o décimo primeiro álbum de estúdio.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Walker Marques - Entrevista ao programa Samhain

O Warriors Of The Metal é um hobby, mas ao mesmo tempo tem sua dose de seriedade. Seriedade pela paixão pela escrita, pelo Metal, e pelo compromisso com bandas e veículos que confiam em nosso trabalho. Por isso e muitos outros motivos, é sempre um enorme prazer ter a oportunidade de conversar, seja com quem for, sobre o trabalho realizado aqui nesse humilde, mas dedicado recinto.

Na terça-feira passada (26), tive a feliz oportunidade de ser entrevistado pelo apresentador Nei Batera no programa de webradio Samhain, transmitido através do www.darkradio.com.br. Nessa entrevista que chegou até a ficar divertida, pude falar um pouco sobre nosso trabalho no Warriors Of The Metal, e principalmente sobre toda essa situação que forçou mudanças na nossa forma de trabalhar, tudo com abertura, clareza, descontração e franqueza.

Por isso, todos estão convocados a ouvir a entrevista durante a transmissão! Ela irá ao ar no dia 12 de fevereiro, a partir das 20 hrs, horário de Brasília. A transmissão acontece através do www.darkradio.com.br, com reprise na segunda-feira, dia 15 de fevereiro, às 15 hrs.

Em setembro de 2015, fui entrevistado também pelo apresentador Gleison Junior no programa de webradio Roadie Metal, A Voz do Rock, ocasião em que tive o enorme prazer de conceder mais de duas horas de entrevista. Você pode ouvir a transmissão através do Soundcloud. Basta clicar aqui.

Contamos com sua audiência!
Valerá a pena!
Walker Marques.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dune Hill - Discografia Comentada

A cidade de Recife, em Pernambuco, vem nos últimos anos contribuindo com ótimas bandas para a esfera underground, principalmente no que diz respeito ao Metal. Mas essa ramificação mais pesada não é a única contemplada com novos representantes colhendo boas críticas mídia especializada afora - o Rock em geral também está abocanhando sua fatia.
Os recifenses da vez que atestam essa ideia são os que dão vida à banda Dune Hill e ao seu bom Hard Rock. Com seriedade e bom trabalho, o quinteto já inclusive despertou as atenções de revistas como Roadie Crew, Diário de Pernambuco e até mesmo a Folha de São Paulo, sempre com positivas menções.
Porém, para caminhar adiante, o primeiro passo se faz necessário, e ele foi o da formação da equipe lá em 2009, quando Leonardo Trevas (vocal), Felipe Calado (guitarra), André Pontes (guitarra), Pedro Maia (baixo) e Otto Notaro (bateria) se juntaram e solidificaram o line-up.
Três anos mais tarde, o bem recebido EP "Big Bang Revolution" veio a ser lançado de forma tão independente quanto a sua gravação. Com cinco músicas no repertório e produção satisfatória, o trabalho se mostra bom, mas um tanto inseguro, sem muito carisma. Talvez a questão produtiva influencie nessa concepção. Ainda assim, músicas de potencial como "Heroes" e a faixa-título podem ser destacadas pela ótima construção, solos e refrões fáceis de decorar. Mas tudo isso ainda melhoraria bastante mais tarde, principalmente porque público e mídia receberam positivamente o material e a banda conseguiu visibilidade suficiente para tocar no Festival de Inverno de Garanhuns (um importante evento de Pernambuco), dividir os palcos com bandas como Terra Prima, Enforcer, Dr. Sin e Cangaço e até mesmo apresentar-se no Abril Pro Rock, famoso festival recifense, em 2014.
E por falar no ano, dois mil e catorze foi exatamente mais uma época em que atividades relevantes aconteceram para o Dune Hill; tratam-se do lançamento do álbum de estreia "White Sand", bem como também do primeiro videoclipe, ilustrando a faixa inédita "Miracles".
"White Sand" foi gravado, mixado e masterizado no Mr. Mouse Studio, em Olinda (PE), sob supervisão de Leonardo Domingues, que inclusive empresta suas habilidades nos teclados nas faixas "White Sand Part I", "Miracles", "Revolution 2" e "Soul Love". Já a produção ficou a cargo da própria banda, em parceria com Daniel Pinho. O resultado? Cinquenta e dois minutos de músicas mais vívidas e uma banda mais promissora, madura e convincente.
Realmente a produção redesenhou bem os contornos e texturas das canções, inclusive daquelas que fizeram parte do primeiro EP, que foram todas reaproveitadas e regravadas, ganhando nova cara e energia. O trabalho não é explosivo - pelo contrário, soa até um tanto contido em vários momentos. Mesmo assim, os caras acertaram em cheio em aspectos concernentes a composições vocais, riffs e principalmente nos abundantes solos de guitarra, que são criativos e viçosos, muitas vezes velozes e loucos para tomarem a dianteira.
Apesar do ótimo trabalho, fica-se um tanto desnorteado quanto ao estilo executado. Digo, evidentemente a banda faz Hard Rock, mas é difícil estabelecer uma referência para exatificar com o que eles se parecem - o que implica em autenticidade, porém, que necessita ainda de uma boa esmerilhada. Ali, junto de um Hard Rock de bases frequentemente homogêneas (o dever de casa, em suma), também notam-se elementos de Alternative Rock e Heavy Metal muito bem destilados. Mais interessante ainda é o vocal de Leonardo Trevas, que sobrepõe o instrumental com uma postura incomum para o gênero, já que seu timbre é mais grave e as linhas vocais são muitas vezes compostas de forma semelhante ao Blues, só que de forma bastante natural. Apesar da gravidade, o vocalista frequentemente eleva o tom aplicando drives, demonstrando uma postura um pouco mais agressiva do que aquela do EP, além de melhor trabalhada.
A natural propensão ao Blues de sua voz faz com que as canções transmitam uma sensação de tradicionalidade. Enquanto a maioria das bandas estabelecem sua sonoridade olhando "para frente" em relação aos anos 80, o Dune Hill faz parecer que busca influências dos anos 80 para trás.
"White Sand" realmente ficou ótimo, mas ainda deixa uma sensação de que a banda está à procura de uma sonoridade própria e confortável ao mesmo tempo, cujas composições fluam com mais naturalidade. Não convence 100%: poderia ser mais pesado, mais energético e ter mais atratividade nas camadas mais básicas das canções. Contudo, a audição vale a pena e a banda é merecedora da boa repercussão do trabalho.
Atualmente estão trabalhando no segundo álbum de estúdio, que ainda não tem maiores informações divulgadas. A produção ficará a cargo de Antônio Araújo (Korzus, One Arm Away), que já está acostumado a trabalhar com bandas nordestinas, e a expectativa é de um Dune Hill mais consistente. Recife, novamente, injeta uma boa banda no cenário.

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SHOWS, IMPRENSA & MERCHANDISING:
E-mail: dunehill@gmail.com

TELEFONES:
(81) 99133-5188 (Pedro Maia)
(81) 99191-6510 (Leonardo Trevas)


 Big Bang Revolution (EP) (2012)

01 - Big Bang Revolution
02 - Seize The Day
03 - Seasons
04 - Soul Love
05 - Heroes

Ouvir (Soundcloud)

 White Sand (2014)

01 - White Sand (Part I)
02 - Big Bang
03 - Seize The Day
04 - Miracles
05 - Perfect Fire
06 - Seasons
07 - Revolution 2
08 - Soul Love (feat. Daniel Pinho)
09 - Heroes
10 - Lamb of Gold (feat. Nando Gomes)
11 - White Sand (Part II)

Ouvir (Soundcloud)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Metalizer - Discografia Comentada

Muito reclama-se atualmente da saturação de determinados gêneros metálicos. Da aparente falta de inovação das novas bandas, levando-as a se parecerem demasiadamente com suas influências. As críticas são bastante verdadeiras, porém, muitas vezes superficiais, inobservando alguns fatos como o que a música pesada é uma metamorfose e sempre existe aquela parcela que de fato inova (embora os mais tradicionalistas torçam o nariz), e, mais importante ainda, o fato que a maioria das bandas não tem pretensão alguma de reinventar a roda; querem fazer o som que as agrada da melhor forma possível e transmitir a mesma paixão para quem igualmente se identifica.
Quem se importa se o Thrash Metal está saturado? Os paulistas do Metalizer, pelo menos, não. Por isso se dispõem a executar o estilo de forma veloz, resgatando a essência Old School de marcos como Slayer e Destruction, suas mais claras influências. A ascensão do conjunto vem acontecendo lentamente e, embora não sejam o ápice da excelência musical, são extremamente sinceros em seu som e têm vontade de sobra de manter o legado vivo, mesmo diante das desanimadoras adversidade como as frequentes inconstâncias na formação que marcaram os primeiros 10 anos da banda.
Apesar de ser considerado um novo nome no cenário, a existência do Metalizer remonta até muito tempo atrás, desde 2004, ano de sua fundação na cidade de Nova Odessa. As alternâncias no line-up já eram frequentes desde o início, mas a estabilidade foi alcançada brevemente em 2005 com o trio Thiago Agressor (vocal e baixo), Leandro Psicopata (guitarra) e Luciano Lars (bateria), que gravou a modestamente produzida demo "Electric Homicide" no mesmo ano. Mesmo que a qualidade de produção não seja tão boa (guitarras fracas, baixo socado, bumbos da bateria abafados...), as três faixas contidas aqui convencem da qualidade do conjunto. Um Thrash Metal empolgante é executado, recheado de passagens retratando a furiosa velocidade do Speed Metal que, no momento seguinte, convertem-se em um andamento mais cadenciado e batedor de cabeça. Os loops são frequentes e os solos de guitarra se espelham nos momentos de arrancada instrumental, alucinando-se em velocidade e técnica. Enquanto isso, os vocais guturais de Thiago Agressor - dignos de Death Metal - engrossam o peso da musicalidade. Sua postura é um meio-termo entre o gutural fechado e o rasgado, com ocasionais puxadas mais gritadas. Excelente ponta-pé inicial.
Após o lançamento, mais mudanças acontecem com a chegada de Douglas Lima, que substitui o guitarrista Leandro Psicopata. Com isso, o conjunto passa o restante do ano e o seguinte inteiros realizando shows enquanto escreve novos materiais. Essas novas canções entrariam em uma segunda demo, lançada em 2007, intitulada "Weapons of Metalization".
Em quesitos de produção, a nova demonstração pouco avança em relação à primeira, com o acréscimo de que o china da bateria está ainda mais estridente. Só que não incomoda, até porque novamente o Metalizer apresenta excelentes músicas que atestam amadurecimento, embora o vocal já não agrade tanto mais. Instrumentalmente, a banda deu alguns passos adiante. Mostra-se mais madura, compositora de músicas consistentes, pesadas. Desenvolveram muito bem as técnicas de velocidade, gerando músicas ainda mais furiosas. É possível sentir facilmente desde a excelente introdução instrumental. Contudo, Thiago Agressor passa a usar uma voz rasgada mais voltada ao Thrash, que se distancia do gutural anteriormente executado e se fixa no gritado. Evidentemente, tal abordagem não seria um problema se a aplicação não fosse tão alucinada e não conferisse um ar desconexo à maturidade do instrumental. Não caiu legal. Ainda assim, o resultado geral compensa e evidencia a capacidade da banda de aprimorar seus direcionamentos vocais e instrumentais.
Os tempos que se sucederam foram marcados por novas e intensas inconstâncias no line-up, em especial na bateria. Luciano Lars deixou seu posto ao final de 2007, fazendo com que a banda sofresse ao longo dos anos seguintes para fixar alguém na função. O baixista Nilão Bonebreaker chegou no início de 2008, desafogando Thiago Agressor da função e levando-o a se concentrar apenas nos vocais. Mas na bateria as coisas continuavam complicadas. Muitos músicos iam e vinham sem que nenhum realmente se adaptasse. Foi então que, inusitadamente, diante das adversidades, Thiago decidiu assumir a responsabilidade pelo instrumento em 2010, acumulando, portanto, as funções de vocalista e baterista.
O agora quarteto passou então um longo período sem realizar shows, a fim de intensificaro foco em trabalhar na concretização do objetivo de lançar o primeiro álbum completo. Assim que tudo ficou pronto em 2012, entraram no estúdio Radioativo em Sumaré (SP) e iniciaram as gravações. Durante o processo, o experiente vocalista Sandro Maués (baterista do Zênite e Mitra) foi convocado, ainda a tempo de gravar as linhas vocais do vindouro trabalho. Logo, Thiago Agressor passou a se preocupar unicamente com as baquetas. As coisas começavam a funcionar.
Toda a luta para fazer a banda rolar mesmo com os desanimadores desafios foi recompensada com a chegada do excelente debut "The Thrashing Force" em agosto de 2013, quase 10 anos após o nascimento da banda. De lançamento independente e artes gráficas assinadas por Fernando Lima (Drowned), o álbum é sobretudo um compilado de canções antigas e novas, passando a limpo toda a história do suado grupo, porém, regravado com a formação daquele momento.
São apenas 31 minutos totais de duração, mas suficientes para energizar o pescoço com um exímio Speed Thrash Metal. Veloz, acelerado, pesado. "Thrasheira" mesmo. A banda estava em excelente forma e repaginou com sucesso gravações mais antigas, da época das demos. Sandro, com seu agressivo vocal gritado carregado de drives, mostrou-se um positivo sopro da tradicionalidade na banda, tornando intuitiva a lembrança do Slayer. Há espaço até para aplicar vibratos à técnica como na excelente e nervosa "Metalizer (The Thrashing Force)", além de plenos vocais limpos em "Silent Desperation", faixa que fecha o disco e pega de surpresa pelo ritmo inicial mais lento e atmosférico após um álbum inteiro de porrada e energéticos, técnicos e bem encaixados solos de guitarra. Backing vocals são ocasionalmente acionados, mas infelizmente, apesar de explorados pontualmente, seus coros não ficaram tão fortes e chamativos.
O instrumental acelerado dispensa comentários. Tradicionalidade corrida para agradar a qualquer thrasher, com ênfase na vivacidade da bateria, que abusa de viradas e alternâncias. Além disso, os adornos de sons ambiente estreitam a relação do ouvinte com as músicas, já que a introdução instrumental "Trails of A Blood Storm" os explora chamando a atenção para as trovoadas no início. Tiros em "Peace In Pieces", latas se abrindo e arrotos em "Alcoholic Madness", além dos ventos soprando e narração sussurrante em "Silent Desperation" são outras interessantes adições extra-musicais.
É uma pena que a produção continue fraca. Com gravação meio socada, o álbum ficou devendo qualidade, prejudicando a experiência de canções tão intensas e batedoras de cabeça. Seu lançamento é um grande troféu de uma banda que não desistiu, ainda assim.
Diversos shows de divulgação aconteceram na sequência em diversos municípios do Estado de São Paulo e, com eles, a banda colhia boa aceitação do público. Sempre vendendo discos e apresentando excelentes performances, a empolgação para prosseguir com o trabalho se traduzia na composição de novas músicas.
Agora contando com uma formação estável, shows sendo realizados, composições fluindo, álbum lançado, aceitação do público e de contrato com a Black Legion Productions em mãos, tudo começou a acontecer num ritmo mais natural nos bastidores do Metalizer. Prova disso é a rapidez com a qual o segundo álbum de estúdio, "Your Nightmare", foi lançado: já dois anos mais tarde, em 2015. Para a maioria das bandas, um espaço de dois anos entre lançamentos é normal, mas para o Metalizer em especial, é um grande avanço e sintoma positivo.
Gravado no estúdio Mix Music em Amparo (SP) e produzido por Fábio Pereira (Sangrena), esse disco novamente tem produção fraca, ofuscando a percepção da diferente abordagem musical do conjunto. No entanto, a sinceridade sonora permanece intacta. Ao contrário do Thrash soberanamente Speed retratado nos lançamentos anteriores, agora os paulistas possuem momentos mais contidos e rítmicos revelando fortes flertes com o Heavy Metal, reduzindo (mas não extinguindo) as passagens velozes que marcam o estilo da banda. Com isso, a sonoridade passou a lembrar bandas como Metal Church. A construção e o passo das músicas está muito e desenvolvido como a banda já vinha sendo, mas reflete mais uma mudança de postura do que amadurecimento, apesar de que esse último lampeja em diversos trechos.
Amadurecimento mesmo é notado no vocal de Sandro Maués, que está mais apelativo, até teatral. Em alguns momentos sai do canto e vira grito, o que desagrada. Um pouco de direcionamento ajudaria. Porém, não desmerece a frequência com que sua técnica voz agrega positivamente à sonoridade. Variando de tons médios a puxadas mais elevadas - sempre com ariscos drives -, sua abordagem teatral concede interessantes interpretações às canções, principalmente quando canta de uma forma mais falada e inconformada - momento em que seu vocal se assemelha muito ao de Schmier, do Destruction, em épocas antigas.
A bateria de Thiago também apresenta avanços na percepção de momento e exploração de recursos, mostrando-se tão importante quanto o vocal no ritmo.
Embora esse trabalho seja um pouco diferente em relação ao "The Thrashing Force", a banda não permite que certas características escapulam, tais como a essência Old School, sons ambiente (cachorros latem em "Street Dog") e até faixas instrumentais, como "Cause and Effect" - ela que é uma oscilante e madura faixa nessa configuração, inconstante em seu ritmo mas não em sua qualidade. Passeia pela velocidade do Speed Thrash, balanço do Heavy Metal e encerra com violão.
Solos de guitarra são menos abundantes, mas experimentam novas formas de serem executados e convencem.
Mais longo e menos direto, "Your Nightmare" totaliza 41 minutos de duração nos quais foram objeto de muitos elogios. Não estou de acordo com todos, já que, em um contexto geral, prefiro o debut e "Your Nightmare" tem mais aspectos que me desagradam. Mas todos merecidos. Ah, e não feche o seu player ao fim de "Life Is Your Nightmare"; passado pouco mais de um minuto de silêncio, uma hidden track se revela: a regravação de "Thrash General", originalmente lançada na demo "Weapons of Metalization"!
Assim que o álbum foi lançado, um segundo guitarrista chamado Edson Ruy (Rethurno) foi adicionado à formação, convertendo a banda num quinteto.
O Metalizer pode fazer com que várias bandas venham à sua cabeça. Pode não ter uma essência exatamente própria, mas procura fazer com que o ouvinte tenha acesso a músicas de qualidade e se sinta tentado a bangear. Isso basta. Os caras vêm em justo crescimento tendo em vista que sempre lutaram para que a banda acontecessem. Porém, podem e precisam amadurecer ainda mais, principalmente no que diz respeito a produção. Quem sabe no futuro os álbuns não sejam regravados e que os vindouros tenham uma produção mais atrativa? Mesmo assim, a musicalidade tem potencial pra enlouquecer os thrashers que sempre buscam uma pegada tradicional.

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: metalizer_thrash@hotmail.com


 Electric Homicide (Demo) (2005)

01 - Electric Homicide
02 - Rejection
03 - Until The Last Strike

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 Weapons of Metalization (Demo) (2007)

01 - Mortal Revelation (Intro)
02 - The Coming of The Storm
03 - Thrash General
04 - Alcoholic Madness
05 - Bleed By My Fist

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 The Thrashing Force (2013)

01 - Trails of A Blood Storm (Intro)
02 - Peace In Pieces
03 - Thrashing The Betrayers
04 - Alcoholic Madness
05 - Electric Homicide
06 - Metalizer (The Thrashing Force)
07 - Emptiness
08 - Bleed By My Fist
09 - Silent Desperation

Ouvir (YouTube)

 Your Nightmare (2015)

01 - Weapons of Metalization
02 - My Cage
03 - Street Dog
04 - A Bridge Across Time and Space
05 - Still Alive
06 - Cause and Effect (Instrumental)
07 - Zombified Generation
08 - Wake Up
09 - Preacher of Hate
10 - Life Is Your Nightmare

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