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domingo, 17 de julho de 2016

Primator - Discografia Comentada

Hoje o Metal é um estilo musical inquestionavelmente diversificado, mas nem sempre foi assim. No princípio, lá por volta dos anos 70 e início dos 80, não haviam tantos subgêneros quanto há hoje, o que é normal para algo ainda em seus primeiros anos de desenvolvimento. O Metal ainda estava se desgarrando do Rock, principalmente por meio de bandas como Black Sabbath e Judas Priest. Ao longo das décadas posteriores, diversos subgêneros surgiram a partir de determinadas características de bandas que vieram antes, resultando em uma quantidade invejável de rótulos, sendo Thrash Metal, Power Metal, Death Metal e Black Metal alguns dos mais apreciados. A variedade é, sem sombras de dúvidas, incrível e positiva, mas já reparou que, de certa forma, é difícil encontrarmos bandas atuais fazendo som tradicional, som de raiz? Digo, não que não existam, mas é muito mais fácil encontrar bandas de Thrash e Death Metal do que de Heavy Metal tradicional. Em São Paulo capital existe uma ótima banda que não se esqueceu do legado deixado pelos "pais fundadores" e procura tocar Heavy Metal com pureza e qualidade, resguardando o que o estilo ancião tem de melhor.
Formado em 2009, o Primator entrega tradicionalidade em tempos de modernidade e complexidade. Seus feitos já eram conhecidos na cidade mesmo antes do álbum de estreia ser lançado, já que tocavam nos principais bares de Rock da cidade. Atualmente composta por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria), a banda levou um tempo para lançar o primeiro disco principalmente porque as canções passaram por repetidas sessões de refinamento até atingirem um estágio em que o quinteto as considerasse satisfatórias para serem imortalizadas em um registro.
Por isso foi somente em 2015 que o debut "Involution" saiu, lançado de forma independente e distribuído pela Som do Darma. Gravado no Estúdio GR, em São Paulo, e produzido por Daniel de Sá, esse é um trabalho que o tempo inteiro, ao longo de seus 48 minutos, soa familiar. Também não é pra menos: ele poderia ser facilmente inserido no contexto da antiga Nova Onda do Heavy Metal Britânico, já que tem musicalidade a caráter. As influências não deixam mentir, são cristalinas: uma verdadeira jorrada de Iron Maiden com muita manifestação de Judas Priest, especialmente nos vocais.
São os vocais mesmo que chamam bastante atenção, pra mais e pra menos. É claríssima a influência de Bruce Dickinson (Iron Maiden) sobre a voz de Rodrigo Sinopoli, que oscila bastante a tonalidade. Quando em tons médios, aplica agressivos drives num estilo bem Dickinson, principalmente nos vibratos e nos prolongamentos de vogais; e quando eleva a tonalidade, insere agudos realmente agudos, remetendo a Rob Halford (Judas Priest) e algumas vezes até mesmo Andre Matos (ex-Angra e Shaman). São influências de respeito que agregam muito, mas poderiam ser melhor aproveitadas. A capacidade de Sinopoli de executar sem grandes esforços tais técnicas é louvável, mas ao longo do trabalho transmite a sensação de certo exibicionismo, por vezes atrapalhando as canções por elevadas de tom e agudos que entram fora de contexto, parecendo deslocados. Da forma como as linhas vocais foram compostas (com maior incidência de tons médios "driveados"), os agudos deveriam ficar naturalmente como a "cereja do bolo", precisando aparecer em momentos pontuais, de clímax, como ponto máximo da performance vocal de uma canção. Porém, eles aparecem com frequência, estragando a surpresa. Apesar do incômodo, não se trata de algo catastrófico - a audição continua sendo uma experiência positiva.
Instrumentalmente, a banda é também muito bem trabalhada. As fortes influências de Maiden e Priest se equilibram uma na outra, gerando uma oscilação de arranjos de base por vezes pesados e bangeadores como os do Priest, e por vezes melódicos e harmônicos como os do Maiden. É tudo bem arquitetado, deixando clara a preocupação dos músicos com o afastamento da linearidade.
A musicalidade seca remete o tempo todo a suas influências, menos nos momentos de solo de guitarra, que são absolutamente fantásticos. Impecáveis, são executados com técnica, habilidade e, muitas vezes, velocidade. Os reverbs da produção o afasta da secura da timbragem da base e lhe confere uma profundidade quase sentimental, dando ainda mais beleza às notas, tão bem executadas. Nesses momentos é que vemos um Primator mais Primator.
"Involution" não é um disco ambicioso, mas é ótimo. Personalidade também não é um dos quesitos mais fortes, mas há sinceridade e coerência com a proposta de não inovar, mas soar como uma volta no tempo, porém, com a excelência de uma produção moderna de qualidade - detalhe que Daniel de Sá conseguiu entregar. Como os próprios paulistanos desejaram, não é um registro para ficar à frente ou atrás dos ídolos, e sim lado a lado.
O Primator tem potencial. Ainda precisa esmerilhar detalhes, podar exageros, deixar a musicalidade ainda mais coerente sem perder a essência da proposta... mas se em discos futuros o quinteto gerenciar bem a maturidade, podem, quem sabe?, lançar um grande disco de Heavy Metal tradicional que dê a nós, que escrevemos, a chance de defini-lo como um grande álbum lançado na época errada.

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E-mail: contato@somdodarma.com.br


 Involution (2015)

01 - Primator
02 - Dead Land
03 - Flames of Hades
04 - Caroline
05 - Black Tormentor
06 - Let Me Live Again
07 - Face The Death
08 - Erase The Rainbow
09 - Praying For Nothing
10 - Involution

Ouvir (Spotify)

2 comentários:

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