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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Endless Fear - Discografia

O dicionário Michaelis define "banda" como uma palavra coletiva sinônima de "grupo" ou "facção", entre vários outros significados diversos. Em um contexto popular, a ideia que a palavra passa não fica diferente disso. Imaginamos sempre que por detrás de uma banda estejam pelo menos três músicos - ou, com menos frequência, dois -, cada qual com seu instrumento.
No entanto, o sentido da palavra vem sofrendo alterações nos últimos tempos, graças ao avanço tecnológico. Com a facilitação de gravações e produções caseiras de qualidade aliada a softwares de programação, multi-instrumentistas têm cada vez mais optado por se aventurar no modelo one-man-band, ou banda-de-um-homem-só. Agora, a palavra "banda" não mais está associada apenas à ideia de um conjunto de indivíduos tocando instrumentos harmonicamente, mas também puramente à soma harmônica dos sons de diferentes instrumentos, podendo ser reproduzida por somente um homem.
Percebendo-se capaz de dar cabo a esse tipo de proposta, o gaúcho João Roberto Cavanus acabou se tornando mais um expoente desse solitário modelo musical. Nascido no dia 27 de agosto de 1987, o multi-instrumentista natural de Guaporé (Rio Grande do Sul) assume por conta própria todas as tarefas relacionadas ao Endless Fear, projeto que fundou em 2013. E o que ele faz não é coisa simples, não: é um muito bem feito Progressive Death Metal adornado por traços de Thrash Metal.
No princípio, a intenção não era ser uma banda solo; João Roberto tocava em uma banda cover chamada Stormrider, que reproduzia clássicos de conjuntos como Iron Maiden, Helloween, Metallica, entre vários outros. Ao perceber que alguns amigos fora da cena headbanger estavam ingressando em projetos de músicas autorais, passou a também se interessar em exercer a criatividade e perpetuar aquilo que criasse. Os demais companheiros do Stormrider não se interessaram tanto em criar músicas próprias quanto João Roberto, por isso ele se viu na necessidade de deixar a banda e focar integralmente em suas novas ambições.
Foi então que ele começou a dar vida a riffs e composições que já vinham aos poucos sendo criadas e, por consequência, dar vida ao Endless Fear. Contudo, o músico encarava muitos empecilhos para concretizar o projeto, principalmente relacionados a finanças e estrutura. Sem condições momentâneas para pagar por um estúdio profissional, começou a juntar dinheiro para comprar equipamentos e montar seu homestudio com um mínimo de qualidade e economia. Enquanto isso, continuava os processos de composições e recorria bastante à internet para estudar sobre mixagem e masterização, algo que pretendia também fazer por conta própria.
À altura do início de 2015, seu pequeno mas próprio homestudio estava pronto para receber suas ideias. João Roberto passou então a se dedicar com ainda mais intensidade na conclusão das canções, finalizando-as ainda a tempo de lançar digitalmente o excelente álbum de estreia "The Curse Inside Me" em setembro do mesmo ano.
Diante da simplicidade e até aparente falta de segurança com a qual o músico se refere ao seu próprio trabalho, você acaba se contagiando um pouco e esperando algo menos do que realmente é. Contudo, a palavra aqui é "imprevisibilidade", sem dúvidas! Com capa editada por seu amigo Lucas Ruggini, trata-se de um álbum que infla, que cresce e conquista à medida que o set passa. Não bastando a melhora e envolvência significativas no transcorrer do tempo, as canções se tornam cada vez mais imprevisíveis, lançando mão de detalhes e ritmos inesperados que acabam por agregar positivamente à musicalidade.
Sim, o disco começa mais tímido, apesar de uma introdução que alimenta expectativas com sons ambiente de chuva, aplicação de violão dedilhado e lindos efeitos de teclado, que logo se convertem no peso de um potente Progressive Death Metal na segunda faixa, que dá nome ao disco. É ela mesmo que apresenta de cara boa parte do que será experimentado no álbum: peso, exploração de teclados solo, criativos e técnicos solos de guitarra, além de vocais guturais fechados e também vocais limpos. O segundo tipo não caiu tão legal nessa faixa, mas se fazem essenciais na emocional "Banned From Paradise", que é linda.
Os traços de Thrash Metal brotam mais claramente na pesada "My Inner Nature" e nos primeiros minutos de "The Face of Fear", que sucede a primeira e é inesperadamente instrumental, adornada com momentos marcantes e muito distintos entre si: começa elétrica, passa por uma quebra de ritmo ambiental e à base de violão no meio, até que se converte novamente em peso acompanhado por belos solos de guitarra.
Um breve minuto de refúgio jaz em "A Glimpse of Hope", calmo e atmosférico interlúdio que prepara terreno para a volta definitiva do esmagamento progressivo em "Abomination of Insanity". A propósito, essa faixa impressiona por sua qualidade e pega de surpresa na quebra de ritmo localizada por volta da metade, pois criativamente se transforma em um ar calmo e entorpecente de Rock Progressivo misturado com uma veia oriental, sustentados por teclado atmosférico e interessantes jogadas percussivas enquanto uma camada de teclado solo completa tudo isso. É brilhante! "Riding To Death" é mais uma faixa instrumental presente no trabalho, e com ela está a responsabilidade de fechar esse excelente disco com chave de ouro.
A variedade de momentos e ritmos que o disco contém é explorada com muita astúcia, não sendo, portanto, estranha, mas sim positivamente surpreendente e contextual. Toda essa beleza impressionantemente saiu da mente de apenas um jovem rapaz, que com criatividade e dedicação conseguiu entregar um trabalho conciso e coerentemente heterogêneo. João Roberto tratou de caprichar até mesmo na produção, que é acima da média para trabalhos independentes de bandas iniciantes, e ainda mais louvável levando em conta que o rapaz não tinha nenhuma experiência com produção musical na bagagem. Tudo o que aprendeu foi com o auxílio da internet. Realmente é um ótimo trabalho!
Um novo álbum está sendo planejado e a previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2016. Ele conservará todas as características musicais e estruturais apresentadas em "The Curse Inside Me", principalmente no que diz respeito a ser uma one-man-band com produção própria.
O Endless Fear conserva claríssimas referências ao Opeth destiladas em meio à influências de bandas como Pain of Salvation, Symphony X e Testament. Tenha certeza que o trabalho é muito bem feito e se você for fã de Opeth, fã de Progressive Death Metal, sentir-se-á em casa.

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CONTATO & IMPRENSA:
E-mail: joaocavanus@gmail.com


 The Curse Inside Me (2015)

01 - Reflections
02 - The Curse Inside Me
03 - My Inner Nature
04 - The Face of Fear
05 - Banned From Paradise
06 - A Glimpse of Hope
07 - Abomination of Insanity
08 - Nuclear Catastrophy
09 - Riding To Death


Um comentário:

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