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sexta-feira, 21 de março de 2014

30 Seconds To Mars - Discografia Comentada

Enquanto a aparência dos músicos for mais importante do que a habilidade e destreza vindas de seus dedos e mentes para fazer boa música, nossa capacidade de degustar grandes bandas permanecerá sufocada. Eu era assim, quando moleque, em relação a essa que é uma das maiores bandas de Alternative Rock da atualidade. Se tinha "cabelinho" ou fosse "comercial", não era digno de minha atenção... mas isso vale a pena? Certamente que não.
Não demorou muito pra eu me abrir a outros estilos e até mesmo a começar a ouvir bandas que antes criticava ilogicamente, por preconceito, mas o 30 Seconds To Mars acabou ficando esquecido pra mim. Confesso que só fui prestar atenção neles, sem querer, enquanto meu irmão assistia na TV o show deles no Rock In Rio de 2013. Me peguei gostando do que ouvia e reparei uma evidente influência de U2, banda que cultivo admiração. A partir daí, foi questão de sentar, ouvir direito, e perceber que estava ignorando uma estupenda banda por simples antiga molecagem.
Os caras são demais; seus álbuns geralmente são conceituais, com profundas e complexas letras espaciais, filosóficas e/ou espirituais, e uma sonoridade que, apesar de experimental, é de alto nível e dá certo, não apenas para a crítica especializada, mas também para o comércio, e, não menos importante, para os fãs. Cada álbum revela uma cartada diferente na manga, um novo experimento, demonstrando versatilidade e antenação na atualidade. Não tem como deixar de mencionar os videoclipes, que não se limitam a apenas apresentar as canções, mas também são rápidos seriados, com trama deslocada e diálogos. Isso revela que os músicos são atores, em especial o vocalista fora de série Jared Leto, que já atuou em seriados e filmes. Vide um dos vídeos que mais gosto, o do sucesso "From Yesterday", que foi inteiramente gravado na China. Vídeo de alta produção, com roteiro elaborado e até show pirotécnico.
A banda nasceu no ano de 1998, em Los AngelesCalifórniaEstados Unidos, fruto da união de forças entre os irmãos Jared e Shannon Leto (bateria), que já faziam um som desde pequenos. Pouco depois, convocaram o guitarrista Solon Bixler e o baixista Matt Wachter, completando a formação. A princípio, não tinham um nome fixo. Logo cedo, já estavam se apresentando nos palcos cá e acolá na região, provavelmente tocando covers, mas ainda levou um tempo até que se depararam com um raro manuscrito chamado Argus Apocraphex, onde viram a expressão "Thirty Seconds To Mars" em tradução rústica, e julgaram ser perfeita para a definir a proposta musical, que soa futurista, espacial e subjetiva, principalmente pelo ar misterioso dos efeitos de sintetizadores introduzidos. No decorrer desse ano de estreia, o quarteto se ocupou compondo canções e gravando demos, buscando gravadoras. Sim, apesar de ator de Hollywood, a banda começou por baixo, pois Jared não quis se valer de sua condição. Ao assinar contrato com a Immortal Records e a Virgin Records em 1999, os preparativos para a gravação do debut começaram.
Gravado no bucólico interior de Wyoming em 2001 e lançado em agosto de 2002, o primeiro álbum, homônimo, não chega a impressionar. Liricamente, o conceito é muito bom: Jared descreve como sendo "um álbum conceitual que foca na luta e auto-determinação humanas, em que elementos de outro mundo e ideias conceituais são usadas para ilustrar verdadeiras situações pessoais." Mas musicalmente, é apenas um disco de Alternative Rock que é muito bom, e não põe a banda em ênfase entre tantas outras. Os vocais de Jared são comportados, a guitarra é pesada, e as canções um tanto parecidas entre si, sem muito atrativo ou "aquele refrão", tornando difícil o destaque de uma canção ou outra, a não ser que a pessoa realmente goste do gênero. Enfim, a primeira tentativa, que não foi experimental, não mostrava com exatidão o que a banda é, ou viria a ser. O disco vendeu bem (mais de 100 mil cópias só nos Estados Unidos), porém não foi explosivo.
Subsequentemente, a banda passou a aparecer na TV, e a se apresentar em clubes e festivais. Em 2003, por problemas para viajar em turnê, o guitarrista Solon Bixler deixou sua posição. Ela logo foi preenchida por Tomo Miličević, a princípio com a ideia de que fosse guitarrista de turnê (assim como Kevin Drake desde o início da banda), mas acabou que se tornou integrante oficial. Ainda em 2003, os "astronautas" rumaram em turnê ao lado de ChevelleTrust Company e Pacifier, além de terem conquistado um espaço no Lollapalooza.
Três anos mais tarde, em 2005, "A Beautiful Lie" foi lançado, o álbum responsável pelo deslanchamento definitivo dos estadunidenses no cenário musical mundial. Um trabalho fantástico que representa um salto em criatividade e maturidade. A sonoridade deixa de ser seca e comum, passando a assumir uma postura mais diversificada, e é experimental "a conta-gota", principalmente devido à introdução da jogada eletrônica dos sintetizadores, que contribui com o aspecto estelar. Os refrões passam a ter um aspecto mais comercial, resultando na facilidade de serem lembrados, pois são grudentos. Tudo isso deixa a sonoridade viajante, com certa profundeza. Em meio a tanto avanço, fica difícil não notar também o quanto Jared Leto incrementou suas técnicas vocais com eficiente personalidade; sua performance é exemplar, teatral. Transmite sentimento, entrega, atua, faz você ser capaz de sentir o drama. Tanta abundância em ondas sonoras é passada adiante por meio de um vocal que varia entre o "levemente sussurrado", o alto tom, e um ríspido screaming, esta última não sendo utilizada no primeiro disco. Sim, a banda passou a ser mais comercial (iniciativa que se expandiu até o visual. Passaram a usar cabelos emo, lápis de olho e tudo que defina um emo, mas a sonoridade não é essa, e o visual não importa), e colheu os frutos disso, mas isso não significa, como é possível notar se o seu gosto for como o meu, que a banda tenha dado passos para trás. Além do Alternativo, é possível notar pitadas psicodélicas, Hard Rock, e o "ar U2" que a banda carrega geneticamente consigo.
Liricamente, o disco é novamente conceitual, mas aborda temas mais relacionados ao coração, aos sentimentos, ao invés do cérebro e das ideias. Quando agimos por impulso, não agimos racionalmente, e talvez daí venha um álbum tão explosivo e cheio de loops sentimentais.
Sucesso comercial absoluto, "A Beautiful Lie" foi certificado platina nos Estados Unidos, e alcançou platina e ouro em diversos outros países. As vendas superaram a marca de 4 milhões de cópias, uma verdadeira surra no debut. A "Welcome To The Universe Tour" começou apenas em 2006, colecionando bandas de abertura como Head AutomaticaStreet Drum CorpsCobra Starship, entre várias outras. A perna europeia começou em 2007, passeando por vários festivais do continente, incluindo o Download Festival, da Suécia.
Pouco depois, o baixista Matt Wachter se desligou da banda, expressando desejo de passar mais tempo com a família. O quarteto passou a ser um trio desde então. A posição foi ocupada por Tim Kelleher, apenas para apresentações ao vivo. Prêmios e mais prêmios em revistas e Awards resumem o restante do ano dos californianos.
Em 2008 começaram as gravações para o próximo álbum. Entretanto, a banda estava procurando outro selo, pois estavam em litígio com a EMI ("parente" da Virgin Records), que acusava o grupo de não ter cumprido sua parte do contrato que os obrigava a entregar três dos cinco álbuns do contrato assinado em 1999. Jared alegou que o contrato foi assinado na Califórnia, onde moram, portanto, as leis de lá é que se aplicavam, e tais leis dizem que uma pessoa física ou jurídica não pode estar presa a um contrato por mais de sete anos, e o 30 Seconds To Mars estava havia nove. Portanto, a petição da EMI seria nula.
Um ano durou o litígio, com a banda saindo na melhor, usando como evidência o caso da atriz Olivia de Havilland, que venceu um processo do mesmo tipo contra a Warner Bros., caso que tornou essa lei famosa. O engraçado é que a EMI assinou novamente com o trio, pois a equipe do selo era realmente fã da banda.
Após o solucionamento dos problemas legais, o caminho estava livre para prosseguir com a preparação do terceiro álbum de estúdio sem dores de cabeça. Em dezembro de 2009, "This Is War" veio à tona com todos os holofotes fixados sobre si. Esse é mais um álbum simplesmente fenomenal! É demasiadamente experimental, mas, novamente, deu certo. Não é tão pesado quanto os dois anteriores, os vocais screaming não são mais utilizados (Jared canta apenas limpo e alto, praticamente), e a sonoridade está ainda mais fiel a algo que lembre ao U2 (sim, é difícil não relacionar aos irlandeses, ou até mesmo ao Angels & Airwaves), pela 'reverbação', pela profundeza do som, pelo efeito dopante. Apesar disso, a identidade própria da banda está ali, viva. Isso, com o adicional de que o lado eletrônico é mais saltitante, flertando com o Dance. Mas o que deixa esse registro verdadeiramente lindo não é apenas a beleza do efeito "submersivo" das canções, mas também a extensa utilização de corais em backing vocal, obtidos por meio de uma campanha online onde a banda convidava os fãs a fornecer backing vocals e percussão. O resultado final foi um sólido e expressivo coro que torna difícil não se emocionar com faixas como "Closer To The Edge" e principalmente "Vox Populi".
Novamente, o 30 Seconds To Mars alcançou o sucesso comercial, já tendo deixado para trás o visual emo. Sessenta e sete mil cópias foram vendidas só na primeira semana nos Estados Unidos, e as duas primeiras e fantásticas singles "Kings and Queens" e "This Is War" chegaram ao topo das paradas em seu país. Em fevereiro de 2010, pressionaram o botão de ignição de sua nave e definiram curso para mais uma turnê.
Pra variar, novos prêmios ingressaram no currículo, como o Melhor Vídeo de Rock com "Kings and Queens" em 2010, melhor banda de Rock em Madri, na Espanha, e até mesmo, em 2011, entraram para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, como a banda que realizou mais apresentações ao vivo em uma mesma turnê, com 300 shows.
O álbum mais recente é chamado "Love, Lust, Faith and Dreams", e foi lançado em 2013. Aqui, nova revolução é feita na sonoridade. Parece-se ainda menos com Alternative Rock, investindo mais na vestimenta do Dance, produzindo um álbum alegre, dançante, energético e cheio de beats e lances eletrônicos, e Jared segue praticamente sem rasgar a garganta. Orquestrações também estão inclusas em faixas como "Birth", "Northern Lights" e "Depuis Le Début", mostrando que o grupo sempre tem mais uma cartada na manga.
Trata-se de um álbum verdadeiramente deslocado da banda (exceto pelos corais, que seguem sendo introduzidos aqui e ali), que pode desagradar a quem gosta de peso, e agradar ao público mais generalizado. Não aconselho a quem não for fã da banda, ou não gostar de coisa desse tipo. Para se ter noção, não é difícil imaginar as músicas sendo tocadas em boates ou eventos de música eletrônica com DJ, cheio daqueles jogos coloridos de luzes, gente pintada com tinta-neon, dançando, e flashes. Para a banda, é uma evolução, e um novo começo.
Interessante comentar, a título de curiosidade, que a primeira cópia da primeira single do álbum, "Up In The Sky", foi lançada em parceria com a NASA à bordo da nave espacial Dragon no SpaceX CRS-2, sobre o míssil Falcon 9, no dia 1º de março de 2013. Portanto, foi enviada ao espaço a primeira cópia comercial de música de todos os tempos, isso se não forem só os humanos que fazem música e já avançaram o suficiente pra fazer uma coisa dessas, hahaha...
Para a mídia crítica especializada, claro, algo tão comercial assim é sempre bem-vindo. O trabalho foi elogiado, recebeu, de forma geral, resenhas positivas, e chegou ao top 10 em mais de dez países. Subsequentemente, embarcaram em mais uma turnê em junho, novamente passando por diversos festivais mundiais, incluindo o Rock In Rio, no Rio de Janeiro, show que me fez prestar atenção nessa magnífica e enigmática banda.
30 Seconds To Mars é uma das bandas mais criativas e inteligentes em suas mensagens que eu conheço no universo do Rock Alternativo. São fantásticos lírica, fonográfica e vídeo-graficamente. Quem gosta de um som alternativo, muito provavelmente gosta deles, e quem é interessado, curioso, ou mente aberta, ou tudo isso junto, não faria feio em dar uma chance aos caras, escolhendo álbuns estupendos como "A Beautiful Lie" ou "This Is War". Eu mantinha a guarda fechada pra eles, mas abri a guarda e eles me esmurraram com boa música!

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 30 Seconds To Mars (2002)

03 - Fallen
04 - Oblivion
05 - Buddha For Mary
06 - Echelon
07 - Welcome To The Universe
08 - The Mission
09 - End of The Beginning
10 - 93 Million Miles
11 - Year Zero (+ The Struggle - Hidden Track)
12 - Anarchy In Tokyo (Bonus Track)

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 A Beautiful Lie (2005)

01 - Attack
03 - The Kill
04 - Was It A Dream?
05 - The Fantasy
06 - Savior
08 - The Story
09 - R-Evolve
10 - A Modern Myth
11 - Battle of One (Special Edition Bonus Track)
12 - Hunter (Björk Cover) (Special Edition Bonus Track)
13 - The Kill (Rebirth) (Deluxe/Irish/Brazilian Edition Bonus Track)
14 - A Beautiful Lie (Acoustic Version) (Irish Edition Bonus Track)
15 - The Kill (feat. Pitty) (Acoustic Version) (Brazilian Edition Bonus Track)
16 - Attack (Live) (Wal-Mart Edition Bonus Track)
17 - Was It A Dream? (Acoustic Version) (Japanese Edition Bonus Track)

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 AOL Sessions Undercover (Live EP) (2007)

01 - Message In A Bottle (The Police Cover) (Acoustic Version)
02 - The Kill (Bury Me) (Acoustic Version)
03 - The Story (Acoustic Version)

 To The Edge of The Earth (EP) (2008)

01 - A Beautiful Lie (Album Version)
02 - A Beautiful Lie (Single Shot Version)
03 - A Beautiful Lie (Live Acoustic Version)

 This Is War (2009)

01 - Escape
02 - Night of The Hunter
05 - 100 Suns
06 - Hurricane
08 - Vox Populi
09 - Search and Destroy
10 - Alibi
11 - Stranger In A Strange Land
12 - L490
13 - Kings and Queens (LA Riots Vocal Mix) (iTunes Bonus Track)
14 - Night of The Hunter (Flood Remix) (iTunes Bonus Track)
15 - Kings and Queens (Innerpartysystem Remix Main) (Japanese Bonus Track)
16 - Closer To The Edge (Acoustic Version) (UK Bonus Track)
17 - Hurricane (feat. Kanye West) (Deluxe Edition Bonus Track)
18 - Bad Romance (BBC Live Version) (Deluxe Edition Bonus Track)
19 - Stronger (BBC Live Version) (Deluxe Edition Bonus Track)

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 MTV Unplugged (EP) (2011)

01 - Hurricane
02 - Kings and Queens
03 - Night of The Hunter
04 - Where The Streets Have No Name (U2 Cover)
05 - Closer To The Edge

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 Love, Lust, Faith and Dreams (2013)

01 - Birth
05 - The Race
07 - Pyres of Varanasi
09 - Do Or Die
10 - Convergence
11 - Northern Lights
12 - Depuis Le Début
13 - Night of The Hunter (Shannon Leto Remix) (Japanese Bonus Track)

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Um comentário:

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