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Desabafo e revelações complementares acerca das mudanças no Warriors Of The Metal

O texto está longo, mas acredito ser do interesse de muitos. Vale ressaltar que ele parte do ponto de vista pessoal, meu, Walker Marques, p...

sábado, 9 de abril de 2016

Dust Commando - Discografia Comentada

Uma vez gigante e lendária, uma banda sempre gerará discípulos enquanto a raça humana existir, não importa quanto tempo se passe. Esse é, certamente, o caso dos britânicos do Black Sabbath, que além de toda a influência exercida sobre fãs, músicos ou aspirantes ao longo das décadas, também contribuiu para o nascimento e desenvolvimento de diferentes segmentos do Metal, como o Heavy Metal, o Doom Metal e também o Stoner Metal. É nesse último que mais um de seus influenciados se situa. Diretamente de Taquari, no estado do Rio Grande do Sul, os caras do Dust Commando procuram explorar o legado mais "sabático" da lendária banda.
Contando atualmente com Thiago Rabuske (vocal e baixo), João Vitor Martins (guitarra) e Felipe Silva (bateria), o conjunto iniciou suas atividades em 2013 e, rapidamente, já se viu diante de material pronto suficiente para preencher um álbum completo e fazer dele, de cara, seu primeiro lançamento oficial. Lançado internacionalmente em abril de 2015 pelo selo XMetal EmpireX, o álbum de estreia dos gaúchos foi batizado com o título "Chaos Lives In Fur".
Com suficientes 41 minutos de duração que rendem bastante, o disco apresenta uma sonoridade sólida e muito bem estruturada, calcada no Stoner Metal mas não ficando apenas nele, já que frequentemente transita também pelo viés do Hard Rock e a bateria de Felipe Silva nem sempre é constante, por vezes inserindo nuances de estilos até deslocados como o Black Metal em rápidos e raros mas certeiros blast beats. Os riffs da guitarra de João Vitor são realmente fortes e característicos, como se espera de um Stoner bem "sabático". Não bastasse os arranjos serem potentes, destaque ainda maior vai para seus solos, que são sucintos, esbanjando técnica e complexidade que inflam e empolgam, acrescentando muito à musicalidade. O vocal e o contrabaixo de Thiago completam os elementos musicais com bastante versatilidade, principalmente no que diz respeito à voz. Thiago explora extremos e percorre ótima variação de tons, concedendo dinamismo às músicas. Sai desde uma postura mais grave até uma mais elevada de acordo com o que a música solicita, mas frequentemente canta com drives secos que concedem agressividade necessária à porrada instrumental. O problema é quando eleva demais a voz juntamente os drives, pois fica uma sensação bastante incômoda de que o limiar do canto foi ultrapassado e as linhas vocais se transformaram em gritaria desenfreada, principalmente em "She's A Saint". Ainda assim, seu trabalho é ótimo e a versatilidade é muito importante para o conjunto da obra.
"Chaos Lives In Fur" é longe de ser um trabalho homogêneo, composto por músicas iguais e composições que fazem apenas o dever de casa. É um álbum de múltiplos momentos, com músicas de refrões característicos, arranjos diversificados, autênticos e memoráveis, e muita garra e vontade. Acréscimo ao dinamismo musical jaz na exploração de violão, presente na tranquila e nostálgica "Holy Roller Skeptic Fella Blues" - que confere uma calmaria em torno de meados do álbum, o que é aparentemente estratégico -, na bonita instrumental "Madcap" e em "Holding On", que fecha o trabalho com um apelo mais sentimental.
Os gaúchos fizeram um bom trabalho, e de fato existe um claro potencial a ser desenvolvido pelo trio, mas "Chaos Lives In Fur" infelizmente se confina no claustrofóbico balizamento de uma produção precária pros padrões atuais mesmo para bandas novas e independentes. Muita consistência existente aqui poderia ser ainda mais valorizada com recursos mais apropriados, mas, sem eles, uma ótima obra brasileira pode ter ficado eclipsada. Contudo, é totalmente compreensível a questão das limitações financeiras. Indício forte do limite orçamentário é a versão física do disco, lançada de forma bastante simples, em papelão e sem encarte.
Ainda assim, não se acanhe ao dar uma chance, ainda mais se gosta de bandas como Black Sabbath e Black Label Society. Como gosto de dizer, é o tipo de sonoridade que pede um chapéu, uma cerveja, amigos e um bar temático.

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Assessoria de imprensa: Heavy and Hell Press
E-mail: www.heavyinhell@gmail.com


 Chaos Lives In Fur (2015)

01 - This Is Passion
02 - Heavyweight Dinosaurs
03 - Morale
04 - She's A Saint
05 - Nero
06 - Holy Roller Skeptic Fella Blues
07 - Narc
08 - Viking
09 - Madcap
10 - Hold On

Ouvir (Soundcloud)

terça-feira, 29 de março de 2016

Basttardos - Discografia Comentada

Algumas bandas têm sonoridade mais desafiadora do que outras, algumas vezes. Enquanto na maioria dos casos nós rapidamente nos situamos quanto ao que está sendo tocado, em outros, precisamos esmiuçar as características, dissecar as camadas musicais e buscar compreender melhor a proposta, o que se deseja passar de mensagem, o sentimento que se quer provocar. Isso acontece, geralmente, porque são múltiplas as influências de uma banda - além das doses injetadas serem moderadas -, sofrendo acréscimo também de uma preciosa autenticidade própria.
A resultante desses termos se materializa na forma de uma sonoridade "bastarda", diferenciada, que ao mesmo tempo em que provoca familiaridade por se tratar de Rock, também induz a sensação de que algo singular está contido ali. A tal "sonoridade bastarda" define apropriadamente a musicalidade de um bando de Basttardos cariocas. Executando um transitório misto de Southern Rock, Hard Rock, Alternative Rock, algo de Heavy Metal e Country, Nu Metal, entre outros, o grupo oriundo do Rio de Janeiro se mostra capaz de alicerçar o antigo ao novo, produzindo uma sonoridade moderna e antiga ao mesmo tempo, elevando ainda uma potência de personalidade à equação, com direito a letras em português.
O bando foi fundado em meados 2010, quando um primeiro elemento chamado Alex Campos (vocal e guitarra) se juntou a um segundo elemento amigo de nome Bernardo Martins (bateria). Fechando o trio, veio o sinistro Terceiro Elemento (baixo), misteriosamente chamado dessa forma mesmo.
Três anos mais tarde, os cariocas oficializaram por meio de um evento o lançamento de seu primeiro registro autoral: o EP independente "Dois Contra O Mundo", gravado nos estúdios Attack e BPM, ambos na capital carioca, e bem produzido pelo líder Alex Campos. Interessantemente, o resultado supera expectativas quanto à sonoridade.
Com seis faixas e 24 minutos de duração, o trabalho não impressiona ao extremo, mas estabelece metros de distância de uma musicalidade óbvia. Trata-se de uma sonoridade bastante coesa, onde o encontro de diferentes rótulos acontece sem choques brutos, e sim com destilação racional e inteligente. Ela percorre o disco exibindo as bases de sustentação de um Stoner Rock ao marcante clima faroeste, vigente quase o tempo todo, mesmo nos mais ornamentais riffs de guitarra. Contudo, o estilo sofre também interessante influência de Hard Rock e Country, intensificando as imagens mentais de charuto entre os lábios, revólveres no cinto e chapéu na cabeça, sem se esquecer também de elementos de Heavy Metal, que elevam as texturas do peso instrumental, embora não roubem a cena ao ponto de alterar uma nomenclatura rotular mais geral.
Por mais que o clima faroeste esteja frequentemente ali, nem sempre ele é óbvio, pois por vezes se perde em meio ao peso e porradas do Rock, e isso acaba por provocar um desvirtuamento de expectativas geradas pelo contemplamento da ótima e sugestiva capa, dirigida pelo próprio Alex Campos e ilustrada por Guilherme Teixeira.
Entretanto, tenha certeza de que o resultado é excelente e satisfatório. As canções têm, em geral, um ritmo energético, convidando o ouvindo a se juntar ao clima e estimulando movimentos corporais. Algo que ajuda bastante é a herança por vezes alternativa da postura vocal de Alex, especialmente nos refrões, cujas harmonias tendem a crescer e se tornar marcantes. Seu vocal tem encorpamento, e o intérprete não demonstra problemas para usar e abusar dos rasgados drives, presentes de forma carregada em faixas como "Sua Cama". Porém, as linhas vocais não se limitam a repetições de postura - tudo depende de como a música se constrói: em faixas mais pegadas como "Fake" e "Dois Contra O Mundo", ele chega a flertar com guturais rasgados, enquanto em outras mais cadenciadas como "Nem Agoniza" e "Presencio Tua Ausência", os vocais tendem a ser mais amenos, consonando com o instrumental.
Certamente, "Dois Contra O Mundo" foi um excelente ponto de partida que demonstrou uma banda ainda com espaços a serem preenchidos pela maturidade, mas que ainda assim estava completa e convincente. Prova disso foi a positiva repercussão obtida através de positivas resenhas da crítica especializada, além de diversas execuções em rádios como a Rádio Cidade e a Rádio Transamérica FM.
Focados em dar continuidade às ambições, o bando lançou em 2014, como anúncio de que coisa nova viria num futuro próximo, a single "Basttardos", que inclusive é a faixa que abre o próximo trabalho, lançado um ano mais tarde novamente na forma de um EP intitulado "O Último Expresso".
Gravado no estúdio Fil Buc Productions, no Rio de Janeiro mesmo, e novamente produzido por Alex Campos, esse compacto adere a uma abordagem um pouco diferente em relação a "Dois Contra O Mundo", sem necessariamente sair da proposta. Muito embora a faixa de abertura, "Basttardos", comece com uma imersiva introdução dialogada ao bom e velho estilo cinematográfico do Velho Oeste, ela logo se converte em um potente Hard Rock que se mantém vividamente ativo ao longo de todas as cinco faixas do registro. A veia Southern, explorada com mais vigor no disco anterior, sofreu redução devido à efervescência provocada pelo fogo de uma musicalidade de clima mais moderno, até pela produção ainda melhor. Essa modernidade provém de uma maior incidência de elementos relacionados ao Metal, surgindo inclusive nuances bem suaves de Thrash Metal e até Nu Metal, principalmente no que diz respeito a alguns arranjos de guitarra mais intensos e prolongados.
Vários novos elementos emergem nesse criativo e vigoroso trabalho. A banda explora charmosamente efeitos sonoros e violões, e tanto a postura instrumental quanto a vocal têm suas diferenças. Com evidente sagacidade, o trio deu cria a uma musicalidade forte, carregada, que transmite um sentimento de tensão, de alarme. Enquanto isso, Alex Campos tende a empregar uma postura mais narrativa às linhas vocais, mais focadas, de certo modo, em transmitir o conteúdo lírico, muito bem composto por ele mesmo. Além disso, elas frequentemente se encontram subdivididas por camadas que cantam diferentes tons que se justapõem, encorpando e intensificando a atmosfera.
"O Último Expresso", assim como seu antecessor, contém canções heterogêneas entre si, cada qual com uma identidade verdadeiramente marcante. "Basttardos" e "Licor de Cereja" são têm ritmo intenso com vocais teatrais, enquanto "Despertar do Parto" é mais calma e serena. "Exilados" volta a oferecer uma porrada Southern já exibida no disco anterior, com direito a firmes vocais guturais rasgados. Contudo, a canção que de fato coroa o progresso criativo da banda é "Terceiro Elemento", que fecha o trabalho de 22 minutos totais. Sua atmosfera é absolutamente engolfante, como em um filme de suspense, o instrumental é carregado e bem preenchido e o vocal, sobretudo no refrão, fica na cabeça.
Apesar de certas leves diferenças entre os dois registros, o segundo EP demonstra incontestável evolução musical e criativa, e principalmente uma banda mais direcionada. Mesmo que as diferenças sejam apontadas, descritas e trabalhadas nesse texto, elas são detalhes, e de forma alguma elas implicam em alteração de rumo, mudança de sonoridade, ou qualquer coisa do tipo. Pelo contrário: o Basttardos tem personalidade.
É enriquecedor conhecer o som dos cariocas e também tê-los fisicamente. Para adquirir, basta fazer o pedido pelo site oficial, ou pelo e-mail loja@basttardos.com.br, ou mesmo pelo próprio Facebook da banda ou dos membros. "Dois Contra O Mundo" está em promoção, custando R$ 10,00, enquanto "O Último Expresso" está saindo a R$ 15,00.
Em breve sairá um terceiro trabalho, nos mesmos moldes dos dois primeiros EPs. A previsão é para 2017, mantendo o pique de lançar material de dois em dois anos. A intenção é criar uma trilogia, e o terceiro EP completará essa visão, já que os dois primeiros são conceituais. O Basttardos é mais uma banda de qualidade ressaltável e que, principalmente, mostra que, com boa dose de criatividade, é possível fazer música pesada casar bem com nossa língua.

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 Dois Contra O Mundo (EP) (2013)

01 - Sua Cama
03 - Presencio Tua Ausência
04 - Olhos Negros
05 - Fake

Ouvir (YouTube)
Ouvir (Soundcloud)

 O Último Expresso (EP) (2015)

03 - Despertar do Parto
04 - Exilados
05 - Terceiro Elemento

terça-feira, 22 de março de 2016

Grey Wolf - Discografia Comentada

Se observarmos a história da humanidade até agora, vemos que a modernidade não substitui a tradição - ambos os conceitos apenas coexistem, como bem sabem os historiadores e sociólogos, ou pelo menos os que não seguem a escola durkheimiana. Isso dificilmente mudará, a não ser que o indivíduo tenha uma visão progressista da história. Igualmente à nossa própria história como sociedade, a "micro-sociedade" do Heavy Metal também apresenta uma clara dicotomia entre sonoridades tradicionais e modernas e, mesmo sem perceberem, muitos têm visões progressistas que, aliadas a um provável limitado conhecimento de bandas, pensam que o tradicional foi abandonado, que não é mais apreciado e bandas nessas linhas não mais surgem. Mero engano.
Em meio a tantas bandas com postura mais moderna, surgem também aquelas que optam por enfatizar o clássico, trazendo à tona suas influências mais básicas. Em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (Minas Gerais), é possível encontrar um bom representante da velha safra do Heavy Metal, capaz de suprir os anseios mais nostálgicos dos headbangers mais velhos, e apresentar o antigo a um novo público. Seu nome é Grey Wolf.
Fundada em 2012 pelo vocalista e baixista Fabio "Grey Wolf" Paulinelli, a banda se inspira intensamente nas vanguardas britânica e alemã, fazendo com que a sonoridade soe uma mistura de NWOBHM com características germânicas, aliada ainda a certo epicismo manifestado tanto no conteúdo lírico, por vezes inspirado em Conan, O Bárbaro, quanto em áudios ambiente, geralmente extraídos de filmes, remontando ao amanhecer do Power Metal.
Os dois primeiros anos já marcaram grande movimentação no Grey Wolf. A formação era difícil de estabilizar, por sinal. Mesmo assim, diversas demos saíam nesse espaço de tempo, cada uma delas com faixas distintas, contribuindo para que a banda mineira já tivesse, logo no início da carreira, um repertório autoral com um bom número de músicas.
Certamente isso contribuiu para a agilidade com que os dois primeiros álbuns foram lançados. O primeiro, batizado com o nome da própria banda, saiu já em 2014 de forma independente - e viria a ser relançado em novembro de 2015 pela Stormspell Records. "Grey Wolf" conta com um repertório de 10 faixas, todas selecionadas das demos lançadas entre 2012 e 2013, porém, regravadas no home studio do guitarrista Rudolf, que completava a formação ao lado do fundador Fabio e o baterista F. Thorgrim.
Mixado por Fabio "Grey Wolf" e masterizado por Rudolf, o álbum é rápido (32 minutos de duração), mas suficientemente efetivo em musicalidade e duração para convencer o ouvinte com sua sonoridade tradicional e uma excelente produção suja que realça esse aspecto. Os riffs de guitarra são crus, com arranjos simples, mas bem elaborados, que em cadeia resultam em músicas boas de se ouvir. Esses arranjos apresentam uma natural tendência ao melódico, lembrando o Iron Maiden em vários momentos. Por vezes, a postura se torna um pouco mais acelerada, o que estreita relações com o NWOBHM, trazendo nostalgia até mesmo para quem não viveu os anos 80, principalmente quando as bem trabalhadas linhas de baixo ganham destaque, como manda a cartilha do gênero. Os solos de guitarra aparecem bem, sempre muito bons e técnicos. Não são tão frequentes, nem tão prolongados (até pelas músicas serem rápidas), mas são sempre muito bem-vindos. A influência alemã que pode ser sentida no instrumental é realçada no vocal de Fabio, que é extremamente rasgado, com intensos drives, lembrando de forma muito cristalina ao Running Wild em sua época mais clássica.
Sons ambiente complementam a temática épica e heroica desde a envolvente introdução "Forging A Cimmerian Sword", passando com destaque também pelo ventoso interlúdio "North Winds", além das faixas "300" (com o "ahu!" espartano) e "A Night of Fun" (retratando animadas conversas em uma taberna com música de fundo).
Sem dúvidas, "Grey Wolf" é um excelente e convincente álbum de estreia, e até mesmo a versão física é bonita. Com encarte dobrável, as letras aparecem escritas em um papel de pergaminho, e ao desdobrá-lo inteiramente, vira pôster. O CD também é bonito: é dourado, mostrando o logo da banda e a cabeça de um lobo uivando, ambos em tom de silhueta. Vale a pena ter o material!
Pouco depois, em fevereiro de 2015, é lançado o segundo álbum de estúdio, intitulado "We Are Metalheads". Originalmente lançado de forma independente, também foi relançado pela Stormspell Records mais tarde, em novembro, juntamente com o primeiro. O segundo registro de estúdio, novamente gravado no home studio de Rudolf - também responsável pela masterização, enquanto Fabio se encarregou da mixagem -, seguiu os passos do primeiro em todos os sentidos, inclusive em se tratando de apresentar um setlist composto de músicas já lançadas nas primeiras demos, exceto pela instrumental à base de contrabaixo "In The Frozen Mountains of Vanaheim", que é inédita. Aqui, a banda se resume oficialmente à dupla Fabio-Rudolf, já que o baterista F. Thorgrim, que havia gravado as linhas do instrumento no debut, não está mais presente.
Em qualquer aspecto musical que se queira analisar, não é possível ver lá muitas diferenças em relação ao disco anterior. A mesma fórmula, a mesma atmosfera, a mesma similaridade nas fontes de inspiração temática, tudo está presente em "We Are Metalheads", o que é totalmente compreensível em vista do fato de que as canções aqui contidas foram compostas na mesma época daquelas do disco anterior, como já frisado. Até mesmo o tempo total de duração do trabalho é mais ou menos o mesmo: 35 minutos.
Quando um disco surge das "sobras" de algum outro, a pré-sensação é de que ele será mais fraco, já que as faixas teoricamente mais fortes já teriam sido selecionadas. Contudo, esse não é o caso aqui. A excelência se mantém no mesmo nível ao longo de uma lista de mais 10 canções. Nesses casos, o que define um disco como mais atraente que o outro é simplesmente o gosto pessoal, o apego próprio a determinadas músicas. Por mim, o primeiro, de uma forma geral, é realmente mais pescador de atenções e mais interessante de ouvir, mas "We Are Metalheads" não fica muito atrás, de jeito nenhum - seria até contraditório diante de tanta similaridade.
Assim como "Grey Wolf", o segundo trabalho também é bem bonito na versão física. O encarte, ao invés de dobrável, passa a ser grampeado, o CD é ilustrado com um close no motoqueiro da capa, e o fundo de caixa contém uma foto de Fabio "Grey Wolf" Paulinelli.
Não apenas pela qualidade musical, mas pela beleza dos trabalhos físicos, vale a pena tê-los na coleção. Para adquiri-los, basta entrar em contato com a banda através dos links oficiais fornecidos mais abaixo. Com isso, você dará força a uma banda nacional que aposta numa sonoridade fortemente influenciada por nomes como Running Wild, Grave Digger, Iron Maiden, Manowar, entre outros. Se esse tipo de sonoridade é uma linha muito apreciada por ti, não deixe de conferir esse excelente som brasileiro do ramo!

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IMPRENSA & MERCHANDISING:
E-mail: fabio.paulinelli@bol.com.br


 Grey Wolf (2014)

01 - Forging A Cimmerian Sword
02 - Golden Axe
03 - King Kull
04 - By The Power of Crom
05 - The Elephant Tower
06 - North Winds
07 - 300
08 - A Night of Fun
09 - The Frost Giant's Daughter
10 - Grey Wolf

 We Are Metalheads (2015)

01 - We Are Metalheads
02 - Die By The Steel
03 - Beowulf
04 - A Day of Blood, Steel and Fire
05 - In The Shadows of Stygia
06 - The Singing of The Steel
07 - Thor
08 - In The Frozen Mountains of Vanaheim
09 - The Attack of The Dragons
10 - The Great Sword of Steel

domingo, 13 de março de 2016

Art Of Anarchy - Discografia Comentada

Toda vez que surge algum projeto com a denominação de "Supergrupo" há um misto de expectativa e desconfiança. Muitas vezes esses projetos decepcionam e se mostram apenas uma forma de colocar os músicos em evidência e claro, levantar algum dinheiro. Mas em outras oportunidades podem haver surpresas e o resultado realmente se algo digno dos músicos envolvidos. É nessa segunda possibilidade que se encaixa o Art Of Anarchy.
Formado em 2011 pelos irmãos Jon (guitarra) e Vince Votta (bateria), o projeto teve a inclusão dos conhecidos Scott Weiland (Stone Temple Pilots e Velvet Revolver) nos vocais, John Moyer (Disturbed) no baixo e Ron "Bumblefoot" Thal (Guns N' Roses) na guitarra.
Logo em seu ano de estréia, a banda começou a trabalhar no material que faria parte de seu primeiro disco. Os trabalhos paralelos dos músicos fizeram com que o álbum de estréia somente fosse lançado em 2015.
Auto-intitulado, o disco apresenta um Hard Rock bem acessível misturado com Rock Alternativo e que apresentava várias faixas com potencial para tocar nas rádios.
Dentre os destaques do álbum estão Til The Dust Is Gone e Time Every Time, que foram escolhidas como as músicas de trabalho.
O álbum recebeu inúmeras críticas positivas e surpreendeu muita gente. Pouco tempo após o lançamento, o vocalista Scott Weiland de uma entrevista polêmica em que afirmou jamais ter sido um membro do conjunto e que apenas participou do projeto porque "não tinha nada melhor para fazer". Em seguida o guitarrista Ron Bumblefoot tentou apaziguar as coisas, mas tal situação tornou o futuro do projeto uma grande incógnita.
No dia 03 de dezembro de 2015, Scott Weiland foi encontrado morto em seu ônibus de turnê no estado norte-americano de Minnesota. Sua morte foi resultado dos abusos do músico, sendo que exames toxicológicos revelaram que ele havia consumido álcool, cocaína e ecstasy na noite em que veio a falecer. Além disso, ele sofria de problemas cardíacos e asma, situações que em conjunto contribuíram para o seu falecimento.
O Art Of Anarchy chegou a disponibilizar o álbum para download em seu site como forma de homenagear o vocalista.


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 Art Of Anarchy - 2015

01 - Black Rain
02 - Small Batch Whiskey
04 - Get On Down
05 - Grand Applause
07 - Death Of It
08 - Superstar
09 - Aqualung
10 - Long Ago
11 - The Drift
12 - Til The Dust Is Gone (Acoustic - Bonus Track)
13 - Long Ago (Acoustic - Bonus Track)

Ouvir (Spotify)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Lançamentos fevereiro 2016

Fevereiro de 2016 se mostrou um mês rico em lançamentos interessantes, mantendo o pique já iniciado em janeiro. Tendo passado o mês mais curto do ano, é hora de fazer - com algum atraso, é verdade - o balanceamento mensal dos principais lançamentos do período.

Lembrando sempre que a exibição é por ordem de lançamento, não de relevância, e as datas se referem aos dias oficiais de lançamento, não aos dias de vazamento, havendo vista que é frequente e natural que os discos vazem na internet com antecedência. Sintam-se à vontade para informar sobre discos que possivelmente foram esquecidos!

01/02 - Megadriver - Gaming Hell

Após um 2015 sem novidades, os paulistanos do Megadriver voltaram com tudo em 2016 e já lançaram dois álbuns, ambos no mesmo mês, e o primeiro é "Gaming Hell". A banda já é referência no Brasil no que diz respeito à remodelagem de trilhas sonoras de jogos eletrônicos para versões Heavy Metal. Esse disco traz 17 faixas que somam 56 minutos de pura "nerdice" metálica que conta com versões de temas de jogos como Assassin's Creed, Donkey Kong Country, Starcraft II, GTA Vice City, entre outros.

02/02 - Lagerstein - All For Rum & Rum For All

O navio pirata voador dos australianos do Lagerstein almejou os céus novamente nesse mês de fevereiro apresentando o novo álbum "All For Rum & Rum For All". Esse, que é o segundo trabalho de estúdio, marca a presença de novos marujos na tripulação: o tecladista Jacob, The Fiercest Pirate In All Caribbean e o vocalista e novo capitão Captain Gregaaarrr, que substitui o antigo capitão Definition of A Viking. O novo disco mantém a veia divertida do conjunto, com muito Folk Metal, sons de acordeão e diálogos piratas nos intervalos das canções. Ao contrário do primeiro disco, "Drink 'Til We Die", de 2012, que tem uma postura mais aberta, esse aqui tem uma atmosfera mais pesada e fechada, um tanto mais densa. Captain Gregaarrr não é tão versátil quanto Definition of A Viking, mas o resultado final manteve a consistência da banda.

02/02 - Terra Prima - Second

Se no álbum de estreia "And Life Begins", de 2010, os pernambucanos do Terra Prima não tinham exatamente uma identidade desenvolvida e deixavam as influências exercidas pelo Angra se manifestarem um pouquinho demais, o mesmo não pode ser dito sobre "Second", cujo próprio nome sugere que é o segundo álbum de estúdio. Agora a banda tem sua própria cara, sem que isso signifique trair o que mais a inspira, que é a cultura brasileira. Com arranjos secos, progressivos e bem desenvoltos, o conjunto alia Metal bem estruturado com os batuques e todo o gingado que caracteriza nossa cultura. De quebra, os recifenses ainda oferecem a participação do vocalista italiano Fabio Lione (Angra, Rhapsody of Fire, Vision Divine) na faixa "Coming Home" como cartão postal para esse excelente disco.

05/02 - Fleshgod Apocalypse - King

"King" é apenas o quarto álbum do formoso Fleshgod Apocalypse, mas faz parecer que a banda tem mais estrada. Com a costumeira maturidade traduzida em forma de uma porradaria intensa que funde Technical Death Metal a Symphonic Metal, os italianos mostraram que o nível não caiu e que conhecem bem sua própria especialidade. Certamente estará entre os "melhores do ano" nas listas de dezembro.

05/02 - The Cult - Hidden City

Muitos dinossauros do Rock ainda estão em atividade. Alguns ainda chamam bastante a atenção das pessoas em geral, e outros, nem tanto. Apesar de não ser mais um nome tão mencionado quanto já foi outrora, o The Cult segue firme em seus trabalhos e, quatro anos após "Choice of Weapon", lançam o décimo e novo álbum "Hidden City", que encerra a trilogia iniciada em "Born Into This" (2007). A crítica deu resenhas de mistas a positivas ao disco, que cumpre bem seu papel em 12 músicas e 52 minutos de duração.

05/02 - Obscura - Akróasis

E o Obscura adiciona mais um álbum autoral ao seu acervo. Mais um para enriquecer e sustentar o crescente convencimento quanto ao que fazem. "Akróasis", quarto álbum de estúdio dos alemães, resume em 58 minutos o que é um Metal extremo técnico, violento e criativo. O alicerçamento do Technical Death Metal e do Black Metal com o Progressive Metal é coeso e extremamente bem tocado, reafirmando de uma vez por todas que a banda deveria ser ouvida por todos que gostam de musicalidade complexa e cheia de recursos.

12/02 - Megadriver - Role Playing Metal

"Role Playing Metal" é o segundo álbum do mês e do ano dos paulistanos do Megadriver. Seguindo a tradicional proposta de transformar temas de jogos eletrônicos em versões Heavy Metal, esse disco se mostra mais encorpado e épico, até por executar versões de jogos mais fantasiosos, tais como Skyrim, Chrono Trigger, Chrono Cross, The Legend of Zelda, Final Fantasy, World of Warcraft, e muitos outros. Esse dura um pouco menos do que "Gaming Hell": 45 minutos distribuídos ao longo de 13 faixas.

12/02 - Rotting Christ - Rituals

Pouquíssimos títulos de álbum refletem tão precisamente como é a sonoridade contida nele quanto o novo do Rotting Christ. Preste bastante atenção ao título: "Rituals". Exato. São 10 músicas e 49 minutos de uma sonoridade pesada, obscura e absolutamente ritualística. Ouvi-lo o faz se sentir como se inserido em um macabro ritual pagão. O sentimento é alcançado principalmente pela disposição dos vocais, que muito acionam os backing vocals e, em coro, cantam pausadamente palavras de idiomas como grego, latim, hebraico, entre outros. Trabalho fantástico de uma banda veterana fantástica. Grécia bem representada.

12/02 - Onslaught - Live At The Slaughterhouse (Live)

"Live At The Slaughterhouse" é o segundo disco ao vivo dos britânicos do Onslaught e seu vigoroso Thrash Metal. Gravado nos dias 19 e 20 de julho de 2014 no Academy Bristol e Academy London, respectivamente, o trabalho com 13 faixas que totalizam uma hora e dez minutos de música de qualidade. Na versão física, além do CD, vem ainda um DVD contendo 20 minutos de documentário, o videoclipe da faixa "66 Fucking 6", além de um teaser.

12/02 - Lost Society - Braindead

Um dos maiores representantes da nova safra do Thrash Metal, os finlandeses do Lost Society chegam ao terceiro álbum de estúdio com louvor. "Braindead" preserva o pique dos discos anteriores, tocando Thrash de uma maneira agressiva, moderna e estruturada, sem deixar de exalar em determinados momentos aquela familiar influência e sentimento transmitidos pelos gigantes tradicionais do gênero.

12/02 - Anneke van Giersbergen & Árstíðir - Verloren Verleden

Fãs da holandesa Anneke van Giersbergen ficarão felizes com esse lançamento. Sempre envolvida em trabalhos lá e cá, agora a vocalista se juntou à banda islandesa Árstíðir e lançou o suave álbum colaborativo "Verloren Verleden". Trata-se de um trabalho calmo e celestial, bem distante do Rock. A suavidade é tanta que nem parece que há uma banda inteira por detrás da etérea vocalista. A postura calma valorizou e explorou efetivamente sua formosa voz, que caiu muito bem na proposta do trabalho.

19/02 - Myrath - Legacy

Os tunisianos do Myrath construíram sua reputação merecidamente por meio de uma musicalidade muito bem estruturada, aliando Progressive Metal à cultura árabe e gerando uma sonoridade frequentemente comparada à dos israelenses do Orphaned Land. Quase pode-se dizer que "Legacy" é um álbum homônimo, já que o nome da banda significa exatamente "legado" em árabe. De qualquer forma, esse, que é o quarto álbum de estúdio, aguça uma tendência já iniciada de certa forma no álbum anterior, "Tales of The Sands": o apelo comercial. Ao contrário dos primeiros discos, a banda aqui carece de peso e progressividade nos arranjos, e compuseram as canções de forma a serem acessíveis e fáceis de mastigar. "Legacy" não está ruim de forma alguma - pelo contrário, está ótimo, fora que buscar seu horizonte no meio comercial não é um crime, desde que a musicalidade permaneça boa. Contudo, se comparar principalmente com o álbum "Desert Call", vê-se que a mudança no lado Metal foi muita. Por isso, esse disco é tanto bom quanto decepcionante, em determinadas proporções.

19/02 - Wolfmother - Victorious

"Victorious" é o quarto álbum de estúdio da banda australiana Wolfmother. Disco bom e bem direcionado, com um Hard/Stoner Rock, como sempre, remetendo às suas mais básicas influências, como o Led Zeppelin e o Deep Purple. Mais um aperitivo de qualidade para quem gosta de um som mais leve e tradicional.

19/02 - Delain - Lunar Prelude (EP)

Um dos mais famosos nomes do Symphonic Metal holandês, o Delain em 2016 trouxe, pela primeira vez, um EP para a discografia. "Lunar Prelude" é relativamente longo para o formato: tem oito faixas e 35 minutos de duração. Contudo, apenas três são inéditas: "Suckerpunch", a versão orquestrada da mesma música, que aparece ao final do set, e "Turn The Lights Out". As demais são gravações ao vivo, além de uma nova versão de "Don't Let Go", originalmente lançada no CD bônus do álbum anterior, "The Human Contradiction".

19/02 - Omnium Gatherum - Grey Heavens

Banda com selo Finlândia de qualidade, o Omnium Gatherum chega com "Grey Heavens" ao álbum de número sete na discografia. O consistente Melodic Death Metal do conjunto se mantém estupendo e faz desse disco mais um cartão postal para o sexteto, que não é dos mais conhecidos conjuntos finlandeses mas retém o respeito e admiração daqueles que os conhecem.

21/02 - Maldita - Estranhos Em Uma Terra Estranha

A bem-sucedida banda carioca Maldita chegou ao seu quinto álbum de estúdio com o lançamento "Estranhos Em Uma Terra Estranha". Sua mais nova amostra de Industrial Metal contém 14 faixas e mais de uma hora de duração. O conjunto dispôs o álbum para streaming em todas as principais plataformas digitais, e também para download no site oficial.

26/02 - Steel Panther - Live From Lexxi's Mom's Garage (Live Acoustic)

Após três álbuns, e um ao vivo, o Glam Metal de Los Angeles do Steel Panther agora trouxe uma obra acústica lançada em CD e DVD, chamada "Live From Lexxi's Mom's Garage". Trata-se de um trabalho que mistura o concerto com atuações dos membros da banda na "casa do Lexxi", interagindo com "sua mãe" de forma um tanto 'abusiva' algumas vezes. Na versão em CD, são 13 faixas e 45 minutos de instrumentos desplugados, com direito até a cello, dependendo da música.

26/02 - Voivod - Post Society (EP)

O novo trabalho do clássico Voivod é um EP. "Post Society", lançado pela Century Media Records, é um singular trabalho de 30 minutos, cujo set de cinco faixas conta inclusive com um cover de "Silver Machine", do Hawkwind.

26/02 - Rage of Angels - The Devil's New Tricks

Geralmente quem é mais afinco no Metal, ao ouvir o nome Rage of Angels, pensa naquela banda estadunidense de Hard 'n' Heavy do fim dos anos oitenta que lançou apenas o álbum homônimo em 1989 antes de desfazer-se e alguns membros migrarem para o Steelheart. Aquela se foi! Esse Rage of Angels é outro. É a banda do tecladista Ged Rylands (ex-Ten), e "The Devil's New Tricks" é a sequência do muito bem criticado álbum de estreia "Dream World", de 2013. A sonoridade é calcada num apaixonante Melodic Rock/AOR, gerando músicas melódicas e de fácil assimilação. Resultado excelente, mas poderia ser um pouco mais AOR do que o atingido.

26/02 - Anvil - Anvil Is Anvil

Três anos após "Hope In Hell", o trio canadense do Anvil lança seu décimo sexto álbum de estúdio: "Anvil Is Anvil". Seco e tradicional, o disco mostra que a banda é cascuda e se mantém com boa performance. Afinal, "Bigorna é Bigorna".

26/02 - Anthrax - For All Kings

"For All Kings" é o 12º álbum do Anthrax, lenda do Thrash Metal estadunidense. Por ter vazado no início de janeiro, a essa altura, muitos já o conhecem. As opiniões se dividem um pouco, mas de geral, tendem a ser mais positivas. A banda está mais acessível, um tanto sentimental, explorando a capacidade dos refrões de marcar o ouvinte. Logo, as músicas não estão tão pesadas quanto outrora, mas tão boas quanto mesmo para uma boa parcela dos fãs mais tradicionais. Eu, que não sou muito chegado na banda, gostei bastante do trabalho.

26/02 - Vanir - Aldar Rök

Os dinamarqueses do Vanir definitivamente mudaram de postura. Sempre residiram na linha do Folk/Death Metal, mas no novo álbum, "Aldar Rök", a musicalidade está mais negra, densa e bruta. O som apresenta claras influências de Black Metal e o Folk, tão explorado outrora, agora se resume a bases épicas montadas por teclados. Certamente, o resultado é excelente e alguns podem até considerar a banda melhor agora, dependendo do gosto. Pesada e heroica, até solos de guitarra explora.

26/02 - Entombed A.D. - Dead Dawn

O vigoroso e devastador Death Metal dos suecos do Entombed já é conhecido pelos fãs do estilo há décadas, e essa competência é mantida com autoridade no impressionante "Dead Dawn", lançado no fim do mês. Esse curto disco (40 minutos) é o segundo lançado sob o nome "Entombed A.D.", sucedendo "Back To The Front", de 2014. Houve uma disputa pelo nome motivada por problemas entre os membros do "antigo" Entombed. Por isso a "nova" banda está acrescentando um "A.D." à frente do antigo nome, diferenciando a nova fase, que não deixa nada a desejar.

terça-feira, 8 de março de 2016

Danilo "Marreta" Souza (Hagbard) - Entrevista

No interior de Minas Gerais, na cidade de Juiz de Fora, reside uma banda que vem conseguindo colher a empatia de fãs com alguma facilidade, havendo vista a qualidade do Pagan Folk Metal executado por eles: o Hagbard.
O álbum de estreia "Rise of The Sea King", lançado em 2013, obteve ótima receptividade e, após algum tempo de relativo silêncio fomentando expectativas, a banda anuncia que está em vias de lançar o segundo álbum de estúdio, que se chamará "Vortex To An Iron Age".
Com novidades a caminho, tive a oportunidade de conversar com o guitarrista Danilo "Marreta" Souza, que contou um pouco sobre como é tocar em uma banda como o Hagbard, deu algumas informações complementares sobre o próximo disco e ainda fez divertidos comentários respondendo a perguntas mais descontraídas.
Ficou legal demais! Confira abaixo na íntegra!

WOTM: Primeiramente, Danilo, obrigado pelo seu tempo!
Conta pra gente: como é a sensação de fazer Pagan Folk Metal em um país como o Brasil? Não é muito comum vermos bandas com esse calibre mais épico por aqui.
DANILO: Queria abrir essa entrevista agradecendo pelo espaço cedido para expormos nossas ideias. Muitas pessoas que nos contatam dizem ter nos conhecido através do Warriors Of The Metal! Somos muito gratos por tudo que vocês fizeram pela Hagbard!
Realmente o som que tocamos não é muito comum no nosso país, apesar de mais bandas estarem aparecendo a cada dia. É claro que existem lados bons e ruins em tudo, mas a sensação de tocar Folk Metal por aqui é muito boa, pois na maioria das vezes temos uma sonoridade diferente do que muitas bandas têm apresentado no Brasil, e de certa forma isso acaba atraindo mais pessoas ao nosso trabalho. Outro fator de relevância a favor do estilo é que o mesmo nos traz maior liberdade para compor músicas e letras, pois o Folk Metal engloba várias temáticas musicais e líricas.

WOTM: Vocês certamente já se depararam com alguns comentários mais tradicionalistas defendendo que banda brasileira “não pode” fazer Folk Metal inspirado em outras culturas, pois implica na desvalorização da cultura indígena da nossa terra, correto? Como vocês reagem diante dessas ideias?
DANILO: Infelizmente sim, pela internet. Esse assunto é bem complexo. Respeito a opinião de quem pensa assim, porém isso não me impede de discordar. As reações dentro da Hagbard não são homogêneas quanto a esse tipo de pensamento. Alguns de nós não dão a mínima para isso, sendo sincero. Eu particularmente já perdi meu tempo tentando argumentar com algumas pessoas. Muitas das grandes bandas de Folk Metal abordam temas que não são relacionados à sua cultura, sequer cantam no idioma local e não acho que isso seja problema. Só para dar um exemplo, o Turisas no seu último álbum escreveu uma música baseada em histórias de "As Mil E Uma Noites", obra que possui contos populares do Oriente Médio e Ásia. Claro que citei somente uma música dentre as várias produzidas pelo Turisas, mas a ideia aqui é: o artista tem a liberdade de falar sobre o que o inspirar. Se quisermos fazer músicas englobando elementos da nossa terra, o faremos, mas certamente não pela "politização" da arte nacional, ou por querermos utilizar a cultura local como um meio de chamar atenção. Em contrapartida, se uma banda vai contra as suas ideias, nem você, nem ninguém é obrigado a ouvir essa banda.

WOTM: A gama de inspirações para qualquer banda é quase inesgotável, mesmo dentro do universo folclórico, já que há muitas culturas de muitos tempos distintos para explorar. Quais as inspirações do Hagbard e o porquê delas?
DANILO: Realmente, a gama de inspiração é inesgotável. Eu não fazia parte da banda na época da composição das músicas do primeiro CD, "Rise of The Sea King", mas no começo, acho que a inspiração passava mais por temas como folclore e mitologia, e também "bebedeira", batalhas  e fantasia. Mais recentemente, continuamos abordando estes temas, mas a partir do EP "Tales of Frost and Flames" músicas baseadas em Literatura têm sido mais frequentes. No nosso novo disco também temos músicas abordando talvez dilemas existenciais/humanos e até mesmo sobre um jogo. O porquê destas inspirações passa pelos nossos gostos pessoais. Temos escrito sobre coisas que nos fascinam, fazem parte de nós ou nos tocam.

WOTM: Em 2013, foi lançado o álbum de estreia "Rise of The Sea King", e, em 2015, o EP "Tales of Frost and Flames", inspirado na famosa série de livros de George Martin. Como foi a repercussão desses trabalhos? Que frutos colheram?
DANILO: A repercussão foi muito positiva. "Rise of The Sea King" foi nosso primeiro trabalho mais difundido (anterior a ele tivemos uma demo e um single). Ele foi lançado na Rússia, com distribuição pela Europa, e relançado no Brasil pela HMRock em 2015. Pelo contexto em que vivemos, ter nosso material de estreia lançado por duas gravadoras diferentes em países diferentes é algo que nos orgulha bastante. O EP "Tales of Frost and Flames" foi um material bem circunstancial. Não queríamos lançar um álbum na época, tínhamos passado por uma mudança de integrantes, mas também queríamos continuar produzindo. Esse material faz parte da nossa evolução em vários sentidos. O lançamento dele foi nacional, pela Genocídio e Ihells Productions. O material físico não chegou a ser muito difundido fora do país, mas aqui dentro a repercussão foi muito boa. Fizemos bons shows para divulgá-lo!


WOTM: Diversos shows já foram realizados pelo Hagbard no Brasil, com passagem inclusive pelo cada vez maior Roça 'n' Roll, festival de Varginha (MG), no ano passado. Como foi a experiência de tocar no mesmo evento que outras grandes bandas brasileiras e até mesmo gringas, como Vader e Pain of Salvation?
DANILO: Foi muito foda! Todo mundo quer tocar nesse tipo de show, mas no fundo ficamos surpresos. Você cresce ouvindo certas bandas e de repente o logo da sua está lá, junto delas. Já participamos do Roça três vezes, mas em 2015 tocamos pela primeira vez nos palcos principais. Foi muito marcante! Uma das experiências mais surreais para mim foi abrir para o Sabaton aqui na nossa cidade. Viajamos muitas horas numa correria louca para chegar aqui, pois tínhamos feito um show em outra região do nosso estado no dia anterior.  Então fomos direto passar o som, e quando estávamos tocando uma música vi que Chris, o guitarrista do Sabaton, estava dando "aquela conferida" da frente do palco. Por mais imbecil que possa soar, ao ver isso eu não conseguia nem segurar a palheta mais...

WOTM: A banda já chegou a excursionar fora do país?
DANILO: Ainda não. É algo que pensamos fazer, mas não é simples de ser executado. Esperamos conseguir dar mais este passo no futuro. O mais longe que tocamos até o momento foi no Rio Grande do Sul em 2014.

WOTM: Recentemente vocês revelaram no Facebook uma informação, ainda sem maiores detalhes, de que um novo álbum de estúdio está para chegar. Revelam apenas que o nome será "Vortex To An Iron Age". O título dá alguma pista sobre o tema abordado nas novas músicas?
DANILO: De certa forma. "Vortex To An Iron Age" talvez seja mais relacionado à obra como um todo. Ao ouvir o disco, a ideia é inspirar valores de eras antigas, de um mundo onde a força e o ferro eram aliados ao orgulho e a honra. Sobre os temas do álbum, diria que são independentes. Existem novos elementos líricos. O material está bem rico!

WOTM: Em que estágio do processo de lançamento do disco a banda se encontra?
DANILO: Estamos finalizando a mixagem. Pretendemos começar a masterização do disco muito em breve!

WOTM: O álbum de estreia foi mixado e masterizado na Suécia por Jerry Torstensson (Draconian). Ele seria novamente o responsável pelas mesmas funções no vindouro trabalho?
DANILO: Sim. Por já termos feito nosso primeiro álbum com Jerry, resolvemos apostar na continuação. Apesar de algumas vezes a distância atrapalhar um pouco o processo, estamos confiantes que o resultado final será muito bom!

WOTM: E sobre a capa, já pode adiantar alguma informação, como quem será o artista?
DANILO: Nossos trabalhos anteriores tiveram a parte gráfica feita por Jobert Mello, artista de grande qualidade que trouxe ainda mais valor para nossos materiais. Em "Vortex To An Iron Age", tivemos a ideia de fazer algo diferente. A capa já está pronta e agora estamos focados no resto da arte. Estamos trabalhando com o Marcelo Vasco, brasileiro de renome mundial que recentemente fez os últimos álbuns do Slayer, Borknagar, etc.

WOTM: Teria "Vortex To An Iron Age" alguma previsão de lançamento, mesmo que grosseira?
DANILO: Uma previsão real ainda não, pois não queremos apressar nenhum dos processos. Sendo bem grosseiro talvez junho ou julho, mas não dá para dizer ao certo.

WOTM: O lançamento acontecerá novamente através do selo russo Sound Age Productions, ou houve alguma mudança de selo desde o trabalho anterior?
DANILO: Houve sim uma mudança. O material sairá pela HMRock, que relançou nosso álbum de estreia no Brasil. A HMRock é uma gravadora que vem desenvolvendo um trabalho bem interessante há certo tempo com bandas nacionais e também de licenciamentos no Brasil. Nossa relação com eles é muito boa. Acho que vai ser bem interessante ter o material em primeira mão por aqui, que é onde a banda gera maior demanda de fato. Com os russos tivemos muito problema em relação a análise para taxação, atrasos nos correios, comunicação, dentre outros.

WOTM: Quais são as expectativas em relação ao novo trabalho? Vocês se sentem mais maduros? Sentem que as músicas têm mais desenvoltura e que a recepção do público e mídia será positiva? Como foi a criação?
DANILO: As expectativas são as melhores possíveis. Nos sentimos sim mais maduros, apesar de termos a consciência de que somos ainda uma banda qualquer do interior e que podemos melhorar em várias coisas. Continuamos a evolução mostrada em "Tales of Frost and Flames". As músicas possuem mais elementos e o material foi muito pensado. Tentamos ser honestos com o que fazemos, e trabalhamos duro, mas não criamos ilusões. Sei que a recepção de um trabalho depende de muitas coisas e o quanto isso é difícil.
Nosso processo de criação flui muito bem. Musicalmente temos uma mente criativa principal que é o [tecladista] Gabriel Soares. Quando ele não cria as músicas, ele as estrutura e cria toda a parte melódica. Mas claro, tudo é bem democrático e aberto a todos. Liricamente todos nós contribuímos com ideias de temas e escrevendo as letras. Temos muitas músicas e ideias já prontas, então para este disco escolhemos onze delas e fizemos o álbum.


WOTM: Sempre percebi que vocês se referem carinhosamente a si mesmos como uma banda de gordos, comilões, barbudos e beberrões. Contudo, o baterista Everton Moreira vem levando uma vida de maromba “no pain, no gain” e, agora, emagreceu, está em forma. Seria hora de trocar de baterista (risos)?
DANILO: Não só nós da banda, como as pessoas em geral riam bastante da nossa modéstia e das piadas do nosso baixista Sancho. Era uma identidade forte. Por aqui éramos a banda dos gordos (risos). Infelizmente essa magia deixou de ser verdade, Everton foi o primeiro a perder metade de si na academia. Eu estaria mentindo se não dissesse que todos nós estamos frequentando este lugar horrível. [O vocalista] Igor Rhein já pode ser considerado um ex-paladino tetudo também. Mas como o Sancho diz, na Hagbard o peso que uns perdem é distribuído entre os outros. Ou seja, estou surgindo como um futuro modelo para marcas com público voltado para homens extremamente másculos (vulgo extra GGG).

WOTM: Danilo, conte-nos uma situação interessante ou engraçada que você já tenha passado com a banda, seja em ensaios ou na estrada!
DANILO: São tantas coisas que fica até difícil, mas vou tentar relatar sobre um dos últimos shows que fizemos, em Conselheiro Lafaiete [MG]. O teor alcoólico da banda explodiria qualquer bafômetro nesse dia. Antes de tocar eu já me perguntava como as coisas seriam. Por necessidade, acabamos tocando mais cedo que o esperado, então tentamos montar o palco com certa destreza, mas se falhamos nisso sóbrios, imagine bêbados. Enfim, o auxiliar de palco instruiu o [tecladista] Gabriel a ligar o teclado em uma tomada que ficava perto do [vocalista] Igor. Todos já sabíamos que isso não prestaria, pois Igor é conhecido por destruir qualquer coisa que fique ao seu redor. E a premonição virou realidade: Gabriel passou metade do show tocando e agitando com o teclado desligado, parecia aquele irmão mais novo que você dá uma manete desconectada para ele achar que está jogando. Depois do show um dos presentes veio falar comigo "vocês são bem avacalhados, mas até que o show foi legal". Até hoje estou decidindo se isso foi um elogio ou não (risos). Nesse mesmo dia, dentre várias outras coisas, tive que dar entrevista para um programa de internet, tentando ficar sério e manter a postura enquanto Igor apertava a minha bunda para me fazer rir (essa é a desculpa que ele dá para si mesmo). Acho que esse cara estava certo, somos bem avacalhados mesmo.

WOTM: Pra encerrar, diga quais serão os próximos passos do Hagbard e como as pessoas podem proceder para adquirir o merchandising (CDs, camisas e afins) da banda, e também o álbum que será lançado.
DANILO: A curto prazo, pretendemos finalizar o novo álbum da melhor forma possível. A médio prazo, queremos desenvolver boas coisas em diversas áreas, enriquecendo o trabalho do álbum, para então tocar o máximo possível, expandir e divulgar cada vez mais o nome da banda. A longo prazo, é começar a pensar nos próximos materiais. Temos possibilidades interessantes neste sentido.
Nosso 'merchan' pode ser adquirido pela internet na nossa loja virtual (http://www.hagbard.iluria.com), no site da HMR (http://hmrock.com.br) e em outros diversos sites. Sempre montamos um 'stand' de 'merchan' nos nossos shows e convidamos todos a "tomar uma" conosco, conversar e conferir os materiais.

WOTM: Novamente, muito obrigado pelo seu tempo, Danilo, e sucesso à banda! Que o nome seja ainda mais promovido com esse novo trabalho, para o bem do Metal brasileiro. Deixo o espaço livre para você deixar uma mensagem para os fãs e para aqueles que estão acompanhando essa entrevista:
DANILO: Foi um enorme prazer responder essa entrevista! Agradeço a todos que tiveram paciência e leram essas pobres respostas. Queria deixar registrado novamente o nosso agradecimento ao Walker Marques e ao Warriors Of The Metal por mais uma vez nos dar espaço para divulgar o nosso trabalho! Que o novo álbum da Hagbard agrade vocês tanto quanto agradou a Leo DiCaprio!

Entrevista por:
Walker Marques
Warriors Of The Metal

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- Todas as novidades sobre o Hagbard podem facilmente ser acompanhadas através da página no Facebook, onde publicam fotos, agenda, informações, e também conteúdos humorísticos relacionados a eles mesmos. Os discos podem ser ouvidos gratuitamente também pelo Spotify!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Unmasked Brains - Discografia Comentada

Uma banda que não soa exatamente original, autêntica, não significa que ela seja ruim. A maioria das bandas soam como outras, e ainda assim tem muita coisa boa por aí. Mas quando uma banda realmente tem personalidade própria, uma auto-essência, ela já se torna digna de uma atenção mais especial e cuidadosa. Muito se requer que um som original seja feito, como se isso fosse fácil. Enquanto algumas se lançam em uma cruzada musical para encontrar sua identidade, outras já a trazem naturalmente em seu DNA desde os primórdios. Uma dessas bandas de identidade inconfundível provém do Rio de Janeiro e se chama Unmasked Brains.
Favorecidos por um entrosamento de longa data alimentado desde bandas anteriores, o quarteto carioca fundamenta sua sonoridade em um Thrash Metal influenciado por diversas outras vertentes que resulta em uma sonoridade absolutamente distinta. Singulares da vestimenta à música, os experientes músicos agitam a cena carioca e fluminense por meio de músicas compostas com minuciosidade cirúrgica.
Embora o lançamento do debut "Machina" tenha acontecido em 2014, o início do Unmasked Brains se deu 21 anos antes, em 1993. Naquela época, Reinaldo Leal (vocal e guitarra), LGC (guitarra), Daniel Kulless (baixo) e Élcio Pineschi (bateria) faziam parte da banda Milícia Armada, que executava Hardcore. Contudo, decidiram formar uma banda paralela visando dar voz às fortes influências que os gigantes do Thrash Metal exerciam sobre eles. Desse genérica jeito nasceu o Unmasked Brains.
Rapidamente algumas composições foram concluídas naquela época, desembocando no lançamento de uma fita-demo batizada com o próprio nome da banda em 1994. Interessantemente contendo sete faixas, percebe-se como a voz de Reinaldo, em plena juventude, tinha mais facilidade para cantar mais alto e aplicar drives (e isso não significa que, 20 anos mais tarde, seu vocal tenha deteriorado, mas a postura nitidamente tem certas diferenças). A qualidade da gravação condiz com as limitações da época, ainda mais se tratando de uma banda nova, mas os primeiros passos são assim mesmo.
Apesar do entrosamento e da fluidez das composições, a banda acabou encerrando suas atividades por volta de 1998. Um longo período de silêncio se sucedeu, deixando a entender que a banda nunca voltaria. Porém, 13 anos mais tarde, em 2011, esse silêncio foi quebrado, momento em que aquela aquela mesma formação dos anos 90 decidiu revitalizar a proposta, compôr novo material e lançar o merecido álbum de estreia.
Todavia, ainda antes de lançarem qualquer coisa, o baixista Daniel Kulless decidiu sair de cena. Foi então que outro amigo de longa data preencheu o posto: Denner Campolina. Talentosíssimo, o músico conta com formação clássica em seu currículo e é membro da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Foi então que emergiu, em 2013, a nova demo "Turning On", lançada virtualmente. Entre as seis faixas que compõem o setlist, apenas duas são inéditas: a "intro", que apresenta sons mecânico-robóticos, e "A Máquina". As demais foram regravadas da primeira demo, recebendo roupagens polidas e modernas - a cara do Unmasked Brains, que se consolidaria pouco depois no disco de estreia.
E esse disco de estreia foi apresentado logo no ano seguinte, lançado de forma independente. "Machina" é basicamente um questão de honra, de coroação das músicas anteriormente compostas. Em seu set de 45 minutos de duração distribuídos ao longo de nove músicas, apenas duas são inéditas: "Numbers" e "Cloistered Life". As demais já eram conhecidas das demos anteriores, mas receberam regravações, naturalmente, principalmente aquelas reaproveitadas da demo de 1994.
Musicalmente, toda a identidade da banda é exalada com naturalidade em cada acorde - sem exageros. É interessante como um Thrash Metal muito bem tocado sustenta a base instrumental, mas voos são alçados também para gêneros como Progressive Metal e Heavy Metal, muitas vezes motorizados por características Speed. Esses estilos são comuns, mas a forma como são compostos aqui, não. Cada elemento instrumental recebe atenção especializada. Basta prestar atenção na técnica empregada nos arranjos de guitarra, no belo trabalho em suas construções. Essa pegada técnica se estende às linhas de baixo, sempre pulsantes, e também à bateria, muito bem explorada sem que isso signifique se sobressair aos demais instrumentos, como acontece em bandas de ênfase de fato mais técnica.
Definitivamente destacáveis são os solos de guitarra, já que neles reside uma das principais características da banda. São frequentes, viçosos, empregados de uma forma que poucos fazem: apostando em um efeito mais limpo e descontínuo, gerando solos de notas quebradas, como que se solando em um violão. Essa abordagem confere um clima erudito à atmosfera.
O vocal de Reinaldo Leal, por sua vez, demonstra ter amadurecido, o que é esperado. Mas seu timbre continua apresentando fácil tendência a tons mais altos, e eles são explorados no álbum. De vez em quando, imprime um fundo de drive na voz, ou por vezes chega a rasgá-la commpletaente, como em alguns raros backing vocals (recurso pouquíssimo explorado pela banda), mas, de geral, canta plenamente limpo. Aliás, sua voz também atribui uma singularidade forte à banda, e a composição das linhas vocais aguça isso. É até meio cibernético. A mixagem deixou o vocal um tanto baixo, levando a haver certa confusão entre ele e o instrumental em meio à rápida pronúncia das palavras. Chega até ser difícil entender o que é dito, mesmo quando a canção é cantada em português, como no caso de "A Máquina". Ainda assim, é apenas um detalhe e pode ser que, se fosse diferente, ficaria estranho.
"Machina" é repleto de constantes músicas fortes, extremamente bem arquitetadas e vigorosas. É fácil sentir a energia, ainda mais com a excelente produção realizada no estúdio Ponto4 Digital, que valorizou a atenção minuciosa dada pela banda ao grandioso instrumental. Já a capa é de autoria do artista brasileiro Jobert Mello, que já inclusive trabalhou com bandas como Sabaton, Primal Fear, Hagbard, além de muitas outras. Ela reflete bem a identidade visual da banda, com alusões mecânicas.
A vestimenta e toda a empolgada postura são levados também para os shows, incitando frequentes rodas Punk. Os traços verdes das roupas brilham ao reflexo da luz, e o cabelo artificial do guitarrista LGC contém pequenas lâmpadas em seu interior, que piscam incessantemente. Fica especialmente maneiro nos momentos em que o palco fica pouco iluminado - o cabelo e os contornos de sua máscara se destacam vivamente, transmitindo uma visão robótica e até mesmo macabra.
O Unmasked Brains é, definitivamente, uma banda única da vestimenta à musicalidade, e igual competência única é transmitida nos palcos. Se está a fim de ouvir algo diferente e realmente bom, não há por que não dar uma chance aos cariocas e auxiliá-los a continuarem movimentando o underground carioca e fluminense e, por que não?, o dos demais estados.

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 Unmasked Brains (Demo) (1994)

01 - Intro/The End
02 - The New Order of Disorder
03 - Lost Control
04 - Corrupt
05 - Life Has No Meaning
06 - Little God Ivory
07 - Controversies of The War

Download (link direto do site da banda)

 Turning On (Demo) (2013)

01 - Intro
02 - A Máquina
03 - The New Order of Disorder
04 - Corrupt
05 - Lost Control
06 - Little God Ivory (Live)

Download (link direto do site da banda)

 Machina (2014)

01 - Numbers
03 - A Máquina
04 - Cloistered Life
05 - Lost Control
06 - Controversies of The War
07 - Little God Ivory
08 - Life Has No Meaning
09 - Corrupt

Download (link direto do site da banda)
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Ouvir (Soundcloud)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Rusty Pacemaker - Discografia Comentada

A velha máxima do "menos é mais" está se tornando cada vez mais intrínseca na música pesada. Certamente, muitos já ocasionalmente se depararam com alguma one-man-band em algum momento, ou mesmo bandas de sonoridade completa, mas que, quando vai ver, apenas dois membros as integram.
Dependendo do caso, menos é mais. Mais qualidade. Mais objetividade. Mais coesão... No caso do austríaco Rusty Pacemaker, menos é mais melancolia - o que é totalmente compatível com nossos momentos de tristeza: sempre solitários.
É na desolação de um trabalho solitário e persistente que esse multi-instrumentista trabalha, não apenas dando vida à sua própria one-man-band, nomeada com seu pseudônimo e genericamente calcada no Doom e no Progressive, mas também carregando nas costas seu próprio selo, chamado Solanum Records, por meio do qual ele faz o corre de divulgação de seus trabalhos.
Nascido em Lanzenkirchen no ano de 1974, Rusty Pacemaker é íntimo da música pesada desde a infância, e sua paixão por bandas como Black Sabbath e principalmente Bathory (em especial a figura de Quorthon) alimentou fortemente seu interesse em compôr canções e apresentá-las ao mundo. Autodidata, o austríaco começou a criar riffs tão logo dominou o violão e a guitarra. Seu aprendizado no contrabaixo e no vocal veio da consequente necessidade de dar encorpamento completo às canções que criou - eram os primeiros passos do que viria a se consolidar como seu próprio projeto musical.
As composições para a banda começaram oficialmente em 2003, um tempo muito cedo quando se leva em conta que o álbum de estreia seria lançado apenas sete anos mais tarde. Contudo, são justos os motivos de tanta demora: Rusty não tinha equipamentos de qualidade suficientes para registrar gravações decentes. A princípio, compôs cinco músicas em rústicas versões demo. Mesmo com a pouca qualidade, gostou do resultado, e o destino o presenteou com o novo amigo Franz Löchinger, cujas habilidades profissionais na bateria viriam a ser de muita utilidade ao compositor, já que Franz se pôs à disposição para gravar as linhas de bateria do futuro disco.
O fato da banda tomar contornos mais definidos incentivou Rusty a compôr mais cinco músicas para completar um álbum e a lentamente investir na montagem de seu próprio estúdio - daí a demora para finalmente lançar as 10 faixas. Eventualmente o White Studio (como foi batizado) ficou pronto e as gravações começaram em 2009. Todo o processo produtivo, incluindo mixagem e masterização, aconteceu ali mesmo, de forma independente, e foi finalizado em 2010. Dali era só um pulo até o dia 20 de outubro chegar, trazendo consigo o debut "Blackness and White Light", lançado através do recém-fundado selo Solanum Records!
Se observar bem, a primeira coisa que chama a atenção é a capa. Familiar, não é? Não é pra menos! Ela retrata Rusty em frente à mesma casa imortalizada na capa do primeiro álbum do Black Sabbath, lá em 1970. Ela é situada em Oxfordshire, na Inglaterra, à beira do rio Tâmisa. Tal referência já provoca uma positiva reação para ouvir o trabalho.
Certamente, trata-se de um álbum homogêneo, constante e sentimental. Ele reflete com facilidade as influências mais básicas em Rusty Pacemaker como músico, mas também exibe um forte toque de autenticidade. É possível sentir como cada música é pessoal, o que faz o ouvinte se sentir presente dentro de seu melancólico universo.
A produção é muito boa, embora os conhecidos toques de uma gravação independente se façam tangíveis, principalmente no que diz respeito à captação dos crespos riffs de guitarra, que inclusive parecem um pouquinho deslocados na mixagem em relação aos demais instrumentos - sem causar desconforto, ainda assim.
Após a imersão na atmosfera do álbum, tão logo a sintonia mental com a musicalidade é estabelecida, nota-se a suave competência do austríaco nas composições. Com extrema naturalidade, a musicalidade passeia por estilos como Doom Rock/Metal, Folk Rock e Progressive Rock, sempre sustentados pela soturna aura de um triste Atmospheric Rock, acrescentando ainda rapidamente em alguns trechos elementos de Black Metal nos riffs de guitarra. Toda essa combinação é graciosamente suave, soando como uma coisa só, o que confere a mencionada homogeneidade.
Aliás, suave também são as músicas em si. O trabalho é bastante calmo, sem momentos de clímax. Você chega a pensar que as músicas ascenderão para trechos de maior porrada, mas elas se mantém como foram feitas para ser: deprimidas. Os riffs de guitarra são lentos, a bonita e bem encaixada exploração de violão deixa tudo ainda mais fúnebre... os solos de guitarra são longe de ser exibicionistas ou mirabolantes, mas cumprem impressionantemente bem o papel de preservar a ambientação das canções, já que não converte o andamento em algo mais melódico e deslocado. O limpo e suave vocal de Rusty completa toda essa melancolia apostando em linhas lentas, cantadas com notável pesar, tristeza, sentimentalismo. Ele não se mostra um grande vocalista, mas soube explorar sua própria voz e frequentemente a duplica digitalmente, encorpando a cantoria, até porque suas cordas vocais não produzem uma voz volumosa.
Sem dúvidas, num contexto geral, o trabalho é excelente à sua soturna e simples, porém efetiva maneira, e ainda, de brinde, traz a bela voz de Lady K nas faixas "Amok" e "Mother", cantando da mesma lúgubre forma que Rusty. Inclusive, ela também é a fotógrafa da capa.
A qualidade da produção de "Blackness and White Light", embora seja boa mesmo com as limitações, não agradou completamente ao músico. Por isso, após o lançamento, ele aplicou mais investimentos para tornar o estúdio ainda melhor, ocasionando sua completa reconstrução.
Em 2011, ainda em meio à divulgação do debut, Rusty Pacemaker já começou as composições para o segundo álbum, que seria intitulado "Ruins". A pré-produção foi concluída em 2012, porém, as canções não apresentavam solos de guitarra, uma vez que o músico visava criá-las apenas durante as gravações para que conferissem um ar de espontaneidade a elas.
O processo de gravação foi feito em partes, devagar, exceto pela bateria. Todos os instrumentos e vocais foram gravados entre 2012 e 2014 no White Studio, enquanto a captação das linhas de bateria foram concluídas em apenas um dia no Udio Media Studio, em Viena, capital austríaca. Novamente, Franz Löchinger ficou responsável pela gravação do instrumento, contando agora com o apoio do engenheiro de som Norbert Leitner. A mixagem e masterização, por sua vez, ficaram a cargo de Markus Stock em seu recinto, o Klangschmiede Studio E.
Ao fim de todo o processo, só faltava mesmo o lançamento de "Ruins", que aconteceu assim que o dia 22 de maio de 2015 chegou.
É muito interessante como percebe-se amadurecimento desde os primeiros acordes, bem como o avanço no quesito "produção". As reformas no White Studio trouxeram enorme vivacidade e limpidez à sonoridade, que agora sim soa plenamente profissional. "Ruins" mantém em grande parte aquilo que foi iniciado em "Blackness and White Light", porém, com mais desenvoltura e menos transitoriedade entre gêneros similares.
Digo, se o debut soava algo mais puxado para a linha do Rock, o segundo registro é mais voltado para o Metal - e essa não é uma impressão subjetiva devido à elevação de qualidade produtiva. É que, de fato, a musicalidade está mais pesada, calcada num Doom Metal banhado a Depressive Metal que chega lembrar aos primeiros discos do Katatonia com Jonas Renkse cantando limpo. Abandonou-se a levada atmosférica, mas houve ganho de energia nas músicas, sem que isso signifique necessariamente deixarem de ser melancólicas. Elas chegam a ter ápices, momentos de maior intensidade, onde o peso acompanha a maior entrega vocal. E por falar em vocal, Rusty segue cantando de forma arrastada, invariavelmente apostando em pesarosos tons médios, com raras elevações ou declives. Embora a escassa variação de notas vocais do músico não seja exatamente algo negativo (já que combina com a energia negativa exalada pelos instrumentos), a nova participação de Lady K nas faixas "Night Angel" e "Ocean of Life" traz novamente um compatível e bem-vindo escape aos ouvidos por se tratar de uma belíssima voz com grande capacidade de aguçar a aura imersiva. É prazeroso ouvi-la cantar.
O trabalho instrumental ganhou encorpamento e parece menos simples do que no primeiro disco. Interessantes arranjos foram produzidos e os solos de guitarra continuam bastante explorados, sempre mantendo a proposta de soarem tão lúgubres quanto o estilo exige. As linhas de bateria, inclusive, estão bem melhores, e passagens de violão complementam com sagacidade o clima triste e invernal. Todo o conjunto de fatores gerou, novamente, um disco de qualidade e imersivo. Poderia ser mais atmosférico só pra sugar ainda mais o ouvinte, mas a postura um pouco mais seca não prejudicou os evidentes avanços obtidos por Rusty Pacemaker em todos os aspectos. A sensação final é de um trabalho superior ao primeiro.
Os discos do austríaco são muito recomendados para quem gosta de fazer uma viagem consternada pra dentro de si mesmo enquanto ouve. Claramente, a banda ainda não madurou completamente, não está no auge. Tem mais a oferecer no futuro, precisando caminhar ainda mais para receber o merecido destaque nesse pouco explorado ramo, mas isso não tira o brilho positivamente opaco da entorpecente musicalidade construída, nem seu potencial de agradar a fãs de Bathory, Novembers Doom, Katatonia e outras bandas que transitam mais ou menos nessa linha.

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E-mail: rustypacemaker@aon.at

Assessoria de Imprensa: Solanum Records
E-mail: rustypacemaker@aon.at


 Blackness and White Light (2010)

01 - Cell
02 - You Never Had
03 - My Way
04 - Amok
06 - The Human Race
07 - My Last Goodbye
08 - Blackness and White Light
09 - Revolution
10 - Mother

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 Ruins (2015)

01 - Ruins
02 - Made of Lies
03 - Ocean of Life
04 - The Game
05 - Night Angel
06 - Candlemess
07 - Forever
08 - Matter Over Mind
09 - Knowing
10 - Pillow of Silence

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