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Desabafo e revelações complementares acerca das mudanças no Warriors Of The Metal

O texto está longo, mas acredito ser do interesse de muitos. Vale ressaltar que ele parte do ponto de vista pessoal, meu, Walker Marques, p...

domingo, 17 de julho de 2016

Primator - Discografia Comentada

Hoje o Metal é um estilo musical inquestionavelmente diversificado, mas nem sempre foi assim. No princípio, lá por volta dos anos 70 e início dos 80, não haviam tantos subgêneros quanto há hoje, o que é normal para algo ainda em seus primeiros anos de desenvolvimento. O Metal ainda estava se desgarrando do Rock, principalmente por meio de bandas como Black Sabbath e Judas Priest. Ao longo das décadas posteriores, diversos subgêneros surgiram a partir de determinadas características de bandas que vieram antes, resultando em uma quantidade invejável de rótulos, sendo Thrash Metal, Power Metal, Death Metal e Black Metal alguns dos mais apreciados. A variedade é, sem sombras de dúvidas, incrível e positiva, mas já reparou que, de certa forma, é difícil encontrarmos bandas atuais fazendo som tradicional, som de raiz? Digo, não que não existam, mas é muito mais fácil encontrar bandas de Thrash e Death Metal do que de Heavy Metal tradicional. Em São Paulo capital existe uma ótima banda que não se esqueceu do legado deixado pelos "pais fundadores" e procura tocar Heavy Metal com pureza e qualidade, resguardando o que o estilo ancião tem de melhor.
Formado em 2009, o Primator entrega tradicionalidade em tempos de modernidade e complexidade. Seus feitos já eram conhecidos na cidade mesmo antes do álbum de estreia ser lançado, já que tocavam nos principais bares de Rock da cidade. Atualmente composta por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria), a banda levou um tempo para lançar o primeiro disco principalmente porque as canções passaram por repetidas sessões de refinamento até atingirem um estágio em que o quinteto as considerasse satisfatórias para serem imortalizadas em um registro.
Por isso foi somente em 2015 que o debut "Involution" saiu, lançado de forma independente e distribuído pela Som do Darma. Gravado no Estúdio GR, em São Paulo, e produzido por Daniel de Sá, esse é um trabalho que o tempo inteiro, ao longo de seus 48 minutos, soa familiar. Também não é pra menos: ele poderia ser facilmente inserido no contexto da antiga Nova Onda do Heavy Metal Britânico, já que tem musicalidade a caráter. As influências não deixam mentir, são cristalinas: uma verdadeira jorrada de Iron Maiden com muita manifestação de Judas Priest, especialmente nos vocais.
São os vocais mesmo que chamam bastante atenção, pra mais e pra menos. É claríssima a influência de Bruce Dickinson (Iron Maiden) sobre a voz de Rodrigo Sinopoli, que oscila bastante a tonalidade. Quando em tons médios, aplica agressivos drives num estilo bem Dickinson, principalmente nos vibratos e nos prolongamentos de vogais; e quando eleva a tonalidade, insere agudos realmente agudos, remetendo a Rob Halford (Judas Priest) e algumas vezes até mesmo Andre Matos (ex-Angra e Shaman). São influências de respeito que agregam muito, mas poderiam ser melhor aproveitadas. A capacidade de Sinopoli de executar sem grandes esforços tais técnicas é louvável, mas ao longo do trabalho transmite a sensação de certo exibicionismo, por vezes atrapalhando as canções por elevadas de tom e agudos que entram fora de contexto, parecendo deslocados. Da forma como as linhas vocais foram compostas (com maior incidência de tons médios "driveados"), os agudos deveriam ficar naturalmente como a "cereja do bolo", precisando aparecer em momentos pontuais, de clímax, como ponto máximo da performance vocal de uma canção. Porém, eles aparecem com frequência, estragando a surpresa. Apesar do incômodo, não se trata de algo catastrófico - a audição continua sendo uma experiência positiva.
Instrumentalmente, a banda é também muito bem trabalhada. As fortes influências de Maiden e Priest se equilibram uma na outra, gerando uma oscilação de arranjos de base por vezes pesados e bangeadores como os do Priest, e por vezes melódicos e harmônicos como os do Maiden. É tudo bem arquitetado, deixando clara a preocupação dos músicos com o afastamento da linearidade.
A musicalidade seca remete o tempo todo a suas influências, menos nos momentos de solo de guitarra, que são absolutamente fantásticos. Impecáveis, são executados com técnica, habilidade e, muitas vezes, velocidade. Os reverbs da produção o afasta da secura da timbragem da base e lhe confere uma profundidade quase sentimental, dando ainda mais beleza às notas, tão bem executadas. Nesses momentos é que vemos um Primator mais Primator.
"Involution" não é um disco ambicioso, mas é ótimo. Personalidade também não é um dos quesitos mais fortes, mas há sinceridade e coerência com a proposta de não inovar, mas soar como uma volta no tempo, porém, com a excelência de uma produção moderna de qualidade - detalhe que Daniel de Sá conseguiu entregar. Como os próprios paulistanos desejaram, não é um registro para ficar à frente ou atrás dos ídolos, e sim lado a lado.
O Primator tem potencial. Ainda precisa esmerilhar detalhes, podar exageros, deixar a musicalidade ainda mais coerente sem perder a essência da proposta... mas se em discos futuros o quinteto gerenciar bem a maturidade, podem, quem sabe?, lançar um grande disco de Heavy Metal tradicional que dê a nós, que escrevemos, a chance de defini-lo como um grande álbum lançado na época errada.

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 Involution (2015)

01 - Primator
02 - Dead Land
03 - Flames of Hades
04 - Caroline
05 - Black Tormentor
06 - Let Me Live Again
07 - Face The Death
08 - Erase The Rainbow
09 - Praying For Nothing
10 - Involution

Ouvir (Spotify)

terça-feira, 12 de julho de 2016

Higher - Discografia Comentada

De uma perspectiva musical geral, o Metal é um estilo de música pesado. Mas da perspectiva daqueles que são adeptos do estilo, nem todas as bandas e gêneros soam exatamente pesados como soariam pra alguém de fora do estilo.
Muitas vezes quando buscamos peso, distorções realmente distorcidas e produção refinada que valorize isso, temos que recorrer ao Metal Extremo para obtê-los. Bandas que cantam limpo tendem, em geral, a não carregar tanto peso assim no instrumental. No entanto, como tudo na vida, sempre há as exceções, e uma delas faz Metal realmente potente e pesado com vocais limpos diretamente de Campinas, no interior de São Paulo: o Higher.
Rotular o som da banda é uma tarefa complicada - e essa não é uma ideia induzida pelo release oficial. Trata-se de uma constatação honesta por parte deles. O conjunto pratica uma lúcida e técnica mistura entre Groove Metal, Heavy Metal e altas projeções de Progressive Metal, sem contar as nuances melódicas, mas cujo resultado final é tão uníssono que não cabe nos rótulos.
Musicalidade de tamanha qualidade tinha mesmo que, obrigatoriamente, vir de músicos de qualidade. O engraçado é que os fundadores Cézar Girardi (vocal) e Gustavo Scaranelo (guitarra) têm muita bagagem na música, mas em outros ramos, como o Jazz e a música instrumental - daí a sustentação do argumento sobre serem experientes e técnicos. Fizeram carreira nessas áreas. Contudo, sempre gostaram também de Metal, até que decidiram, por volta de 2014, fundar uma banda do gênero após uma conversa telefônica. Foi assim que nasceu o Higher.
A ideia era aproveitar antigas composições dos tempos da banda Second Heaven (que ambos criaram em 1995 mas não lançou discos), revisá-las com base na experiência adquirida ao longo das quase duas décadas até então e dá-las uma nova cara, mais moderna, além de compôr novas canções.
Para dar vida às músicas e completar o line-up, a dupla convocou dois músicos confiáveis: no baixo, o chileno Andrés Zuñiga (ex-professor do EM&T e colunista da revista Bass Player); e para a bateria, Pedro Rezende (ex-aluno de Virgil Donati, do Planet X, na Austrália).
Como resultado, saiu em 2014, de forma independente, o primeiro álbum do Higher, batizado com o nome da própria banda. Distribuído pela Som do Darma, ele reúne nove sólidas e pesadas faixas que totalizam fluidos 40 minutos. O resultado é absolutamente positivo.
Não são músicas difíceis de se assimilar, mas ao mesmo tempo é notável o empenho e complexidade no trabalho de composição delas. A arquitetura composicional é muito bem trabalhada, fugindo do básico simplesmente o tempo todo. Por isso percebe-se que as músicas se fundamentam em bases personalizadas, pensadas, tornando evidente que os compositores (os dois fundadores) planejaram todos os detalhes.
As canções são realmente pesadas. Elas apresentam riffs carregados de groove que dão aquela prazerosa sensação de peso e esmagamento, ao mesmo tempo em que o lado técnico aflora com a injeção progressiva aplicada. Logo, aparecem arranjos escalados, ricos em quebras de ritmos, pausas e que logo se convertem em um andamento mais pegado. A característica de alternância que tanto exploram ao longo do disco também se estende ao lado melódico, já que com muita naturalidade o peso também é substituído pela doce harmonia melódica de modo que chega até a lembrar o Carcass à época de "Heartwork". Não podemos nos esquecer dos solos de guitarra, que a exemplo das bases, também preservam características múltiplas, sobretudo a união de feeling e técnica. São simplesmente fantásticos e verdadeiros cartões postais da habilidade de Gustavo.
Quando um instrumental é muito bom, tem-se algum receio de que o vocalista não seja capaz de acompanhar o nível e possa prejudicar. Felizmente esse não é o caso de Cézar Girardi. Com excelente extensão vocal, o intérprete canta com a agressividade que as canções exigem, em raivosos drives que se encaixam com maestria na proposta. Além disso, também se rende ao exemplo da melodia instrumental, então entrega momentos de vocal mais limpo, sobretudo nos refrões, muitas vezes mais cadenciados em relação aos demais momentos das músicas. Agudos também são explorados, só que com pouca frequência - o que, de certa forma, valoriza os excelentes momentos que eles entram (vide o fim de "Illusion" - fantástico!).
É evidente que Cézar não canta com voz plena. Seu vocal é tão técnico quanto a banda se propõe a ser. Por isso chega a dar um positivo susto de impressionamento quando canta grave na semibalada "Break The Wall", revelando a qualidade das áreas mais baixas de sua extensão. Linda música, e fantástica performance do vocalista no decorrer do álbum.
O disco também apresenta diversas inserções de vocais de apoio, sempre trabalhados pela produção de modo que ficam distantes e profundos. Por vezes, soam até épicos, de modo que lembra bandas heroicas de Viking Metal, como mostram "Lie", "Illusion" e "Like The Wind". É um detalhe nem tão esperado que acrescentou muito à proposta.
Em se tratando de uma banda de músicos técnicos, de bagagem, especialmente na área do Jazz, espera-se um disco de certa forma apelativo, do tipo "de músico para músico". A não-correspondência dessa expectativa certamente é uma das coisas mais positivas do trabalho, pois aproxima a banda do ouvinte que só quer ouvir boa música e o permite apreciar e gostar das canções sem problema nenhum, mesmo que, apesar de ter sentimento, por vezes soa um tanto mecânico. Ócios da técnica. Ainda assim, grandioso trabalho mestrado Cézar Girardi e Gustavo Scaranelo! Excelente álbum.
Provavelmente o ouvinte que conhece Noturnall sentirá certa familiaridade ao ouvir o Higher. Isso não se deve apenas ao fato da proposta ser parecida, mas também porque Thiago Bianchi assina a produção, que aconteceu no Fusão Studios. Logo, reciclou as mesmas ideias que já vinha aplicando em sua banda, que estava lançando o primeiro álbum. Ela realça o lado mecânico da banda, o que pode ser um fator negativo pra quem gosta de sentimento, ainda assim valorizou com grande eficácia as timbragens dos instrumentos e deu ótimas ideias de como adornar as linhas vocais.
Após o lançamento, mudanças na formação. A primeira dela foi o acréscimo de um segundo guitarrista. Felipe Martins tinha apenas 16 anos, mesmo assim ganhou o voto de confiança da banda, principalmente porque era acompanhado de perto por seu professor, o próprio Gustavo Scaranelo. Pouco depois, em 2015, o chileno Andrés Zuñiga deixou a banda, e seu posto foi ocupado por Will Costa.
Há tantas bandas de qualidade pipocando nos dias de hoje que fica difícil dar atenção a todas. Muitas passam despercebidas. Se gosta de peso e técnica sem precisar recorrer a repartições mais extremas do Metal, certamente o Higher satisfará. Banda de bom gosto.

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 Higher (2014)

01 - Lie
02 - Illusion
05 - Like The Wind
07 - Time To Change
08 - Make It Worth
09 - The Sign

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Seu Juvenal - Discografia Comentada

"O que está acontecendo aqui?" Frases equivalentes a essa provavelmente passam pela cabeça de todos aqueles que ouvem Seu Juvenal pela primeira vez - e em todas as outras vezes também. Quando estamos acostumados a ouvir música e analisá-las (mesmo sem perceber, no caso dos resenhistas "não-oficiais"), sempre buscamos algum ponto de apoio, alguma referência que sirva de norte para a bússola da compreensão. Afinal, todos estamos acostumados com determinados padrões estruturais e ideais. Mas o que fazer quando uma banda rompe todas as referências e faz Rock do jeito "errado"? É o desafio que o quarteto do Seu Juvenal lança para todo ouvinte disposto a esmiuçar as camadas de sua musicalidade irreverente, anti-padronizada, anti-refinada, politicamente incorreta, entre outros 'antis' e 'ins'.
Essa aventura musical não se restringe apenas àquele que ouve, mas se estende àqueles que a elaboram também. De musicalidade imprevisível, o conjunto mineiro atualmente composto por Bruno Bastos (vocal), Edson Zacca (guitarra e violão), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria) recolhe diversos elementos de muitos estilos musicais, destila no Rock (sobretudo o Punk, em especial nos primeiros discos) e simplesmente sai do comum - isso em toda a discografia. Não é uma tarefa fácil, mas ela é feita desde 1997, quando a banda foi fundada em Uberaba sob o nome de Os Donátilas Rosários. Na época, havia certa dificuldade de "integração", ocasionada tanto pelo nome esquisito quanto pelo estilo esquisito. A carência de convites para shows levou a banda a logo mudar de nome, mas sem deixar toda sua essência excêntrica de lado. Foi quando passaram a ser conhecidos como Seu Juvenal, e os lançamentos começaram a tomar forma.
O primeiro deles foi a demo "Cyberjecas No Sertão da Farinha Podre", que foi gravada em São Paulo e produzida por Rainer Tanked Pappon (Centra Scrutinizer Band), e saiu já em 1998. O cartão de visitas demonstrativo trouxe evidência à banda, que passou a - aí sim - fazer mais shows e tocar em festivais, além de participar em coletâneas.
Passando o tempo, novas composições surgiam, até que o primeiro álbum de estúdio foi lançado em 2004, intitulado "Guitarra de Pau Seco". O desafio já começa mesmo cedo. Talvez se ele não tivesse determinados elementos-surpresa, seria só mais um disco de Punk Rock no mercado. Mas não é o que temos aqui: despreparado, você se depara com determinadas inserções que o deixam pasmo e o faz se perguntar o que aquele som está fazendo ali - mas incrivelmente, não é uma indagação negativa, e sim positivamente impressionada.
Pois é, o trabalho é basicamente calcado no Punk Rock, mas essa é só uma massa que leva um recheio variado, numa organizada e lúcida gororoba de bom gosto que beira a psicodelia. Logo de início há surpresa com a aparição de trompetes na sonoridade da cadenciada e tropical "Guerrilha Cultural", faixa de abertura do disco, que inclusive conta com batuques tribais. Os trompetes aparecem em outras faixas mais adiante, como na sacana "Filhos de Seu Juvenal" (que tem um clima bem mexicano) e na reflexiva "Teclas Dentadas". As surpresas não ficam apenas por isso, mas também em detalhes que poderiam até passar batidos, sem indagação, como logo na segunda faixa, "Aquela Canção", quando o vocalista insere um grito rasgado e sofrido totalmente inesperado para o ameno andamento da canção. É inesperada também a sensação de que ficou legal!
Quase todo Punk tem sua bela dose de ironia, algo que o faça rir, seja lírica ou instrumentalmente. Pode ter certeza que ficará boquiaberto se perguntando "que porra é essa?" quando "Toninho da Viola" iniciar com seu energético e empolgado Modão do sertão nordestino, que logo se converte em riffs de guitarra e na pegada do Punk tradicional, até que se encerra da mesma forma como começou. Bem sacado demais, cara! Certamente a faixa mais deslocada é "Carta Ao Manipulado", onde um crítico Rap é executado com direito até a flautas na base instrumental.
Embora as atipicidades sejam muitas nesse excelente e divertido disco, o bom e velho Punk não fica de fora. Ele aparece com força em faixas como "Olhos Cortados", "U.S.A." (onde o estilo ganha sua forma mais tradicionalíssima, com críticas ao sistema e adornos em coros de backing vocals), "A Resposta" (intercalada com "U.S.A", ela traz 33 segundos de pura agressividade Punk) e "Indigestão".
O álbum é encerrado com duas faixas que mantêm o ouvinte consternado: "Clitóris Canibais", de nove minutos de duração - muito incomum pro Punk - e letra doentia e pervertida, e por fim "Uberaba Tribal Mix", que traz batuques à lá Les Tambours du Bronx e encerra num clima atmosférico e brisante, fazendo contraponto com a musicalidade mais pegada que transcorreu ao longo do disco.
"Guitarra de Pau Seco" foi um fantástico debut, e isso é fácil de ser reconhecido quando se compreende a proposta de rompimento da banda.
Apenas quatro anos mais tarde chegou o segundo álbum. "Caixa Preta" foi lançado em 2008 e, ao contrário de seu antecessor - que tinha 43 minutos totais de duração -, ele tem duração total reduzida (27 minutos), característica talvez provocada pela inspiração ainda mais submergida no Punk Rock. A produção não é das melhores - isso levando em conta que a do debut também não era excepcional -, mas não denigre tanto a audição de um disco que não se mostra tão atrevido criativamente quanto "Guitarra de Pau Seco".
Nesse álbum, não vemos uma aventura por elementos extras ou grandes surpresas que o deixam caduco. É um trabalho mais seco, pesado, centrado e melhor trabalhado dentro do que o próprio Rock tem a oferecer, porém, isso não faz do álbum ruim, apenas menos imprevisível.
Aqui os caras se afundam de vez no Punk Rock e também se esbanjam em influências roqueiras mais diversas, muitas vezes ultrapassando a fronteira e desbravando o território do Metal, inclusive. Vide faixas como "Atro", que flerta com o Heavy Metal ou "O Criador e A Criatura", cujos riffs sabáticos e escaramuçadores aludem ao Stoner Metal. No entanto, também vê-se elementos de Hardcore e psicodelia como em "Passarins". Talvez a coisa mais linda e surpreendente desse disco seja o Rockabilly executado na sugestiva "Nóiabilly", que é instrumental, e o estilo segue perfeitamente destilado em meio ao Punk Rock na faixa seguinte, "Carne Viva".
Entre os diversos compassos e andamentos adotados na execução do Punk, o mais pegado e tradicional certamente é o exposto em "Via Láctea", bem como, de certa forma, na canção "Coroné Belzebu", que fecha o disco com uma torrente de referências instrumentais ao Rage Against The Machine.
Se o vocal de Bruno Bastos era limpo, comportado e assentado na zona de conforto, saindo dela com raras exceções no debut, o mesmo não acontece aqui. As músicas se tornaram mais agressivas e pesadas, e a voz seguiu a tendência. Frequentemente o intérprete aposta em vocais rasgados em drive, além de demonstrar muito mais entrega no ofício.
Nos tempos que se seguiram, a banda se sentia desconfortável e queria melhorar ainda mais. Foi quando se mudaram para Ouro Preto (MG), e começaram, com muita calma, a trabalhar no terceiro álbum de estúdio.
Demorou bastante, mas ele chegou e com muito estilo. Lançado exclusivamente em LP pela Sapólio Rádio e distribuído pela Som do Darma, "Rock Errado" saiu em 2014 resgatando a essência criativa da banda. É um disco inspirado, ainda mais insano e, como o nome sugere, bastante "errado", indo na contramão de qualquer tendência e fugindo de padrões, inclusive internos do Rock.
Gravado em incríveis quatro dias no Lab.áudio, em Passagem de Mariana (MG) e produzido por Ronaldo Gino (guitarrista do Virna Lisi), o álbum é maduro, perspicaz e brilhantemente sutil em sua arquitetura e referências.
"Rock Errado" é carregado por uma notável atmosfera setentista, cheia de psicodelia - um retrô que soa também moderno devido à bela produção. É um disco difícil, já que suas referências não são escancaradas, mas misturadas em meio à própria personalidade da banda e se manifestam em lampejos mistos. A base continua Punk Rock, mas com menos incidência em relação aos álbuns anteriores, o que abre espaço para que outros estilos também ganhem destaque, como o Indie, o Grunge, algo de Hard Rock e até mesmo o Stoner Metal, mas tudo sem soar pesado demais, mantendo constância e coerência.
Algumas músicas expõem com mais evidência as referências setentistas, tais como "Homem Analógico", "Free Ordinária" e a faixa-título (que inclusive conta com a participação do vocalista Manu "Joker", do Uganga), cujas influências são declaradamente de bandas como New York Dolls e Free. Porém, a coisa se atualiza também com as referências ao Rock e Metal em faixas como "Asfalto", "Um Dia de Fúria" (que também tem algo de Grunge) e "Louva-A-Deus", um fantástico Stoner Metal instrumental. Fora, também, o obrigatório Punk Rock, presente em faixas como "Antropofagia Disfarçada" e na própria faixa-título, que a tem também.
A banda tem mania de encerrar muito bem seus álbuns, em especial nas duas últimas faixas. Essa característica é preservada aqui: a penúltima, "A Chuva Não Cai", é climática e levada a brisantes pianos num andamento bem balado, algo raramente praticado pelos caras. O álbum é então encerrado com "Burca", que até a metade de seus seis minutos puxa os pianos da antecessora até que se transforma em uma frenética porradaria com destaque para a bateria, que é destruidora, e o contra-baixo, que tem linda performance ao longo de todo o álbum.
Trata-se de um disco complexo, mas também fácil de ouvir e gostar. É maduro em todos os aspectos, inclusive nos vocais de Bruno, que estão absolutamente à vontade, seguros. O "Rock Errado" é correto e ousado.
O nome de uma banda é também seu cartão postal; há de se tomar cuidado com isso. Embora ter um nome insano faça todo sentido para uma banda desse calibre, ele ainda pode provocar desconfiança, especialmente pra quem só ouve Metal. Mas não tenha receio; é diferente, mas coerente, algo muitas vezes em falta na música atual. Rock atípico para ouvidos atípicos.

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 Guitarra de Pau Seco (2004)

01 - Guerrilha Cultural
02 - Aquela Canção
03 - Olhos Cortados
04 - Toninho da Viola
05 - Filhos de Seu Juvenal
06 - Carta Ao Manipulado
07 - U.S.A.
08 - A Resposta
09 - Teclas Dentadas
10 - Indigestão
11 - Clitóris Canibais
12 - Uberaba Tribal Mix

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 Caixa Preta (2008)

01 - Passarins
02 - Filhos da Putrefação
03 - Atro
04 - O Criador e A Criatura
05 - A Espera
06 - Nóiabilly
07 - Carne Viva
08 - Via Láctea
09 - Coroné Belzebu

Ouvir (YouTube)

 Rock Errado (2014)

01 - Homem Analógico
02 - Free Ordinária
03 - Antropofagia Disfarçada
04 - Asfalto
05 - Louva-A-Deus
06 - Um Dia de Fúria
07 - Rock Errado
08 - Moleque Dissonante
09 - A Chuva Não Cai
10 - Burca

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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Uganga - Discografia Comentada

De alguns anos pra cá, tem emergido com a força de um furioso pé na porta um número de bandas brasileiras que compartilham certas características em comum: Metal (ou alguma vertente Core) aliado a um clima de periferia, ilustrado ainda com "letras cabeça". É uma onda de bandas interessadas em fazer um som identificado com o povo, com o subúrbio, acrescentando ainda uma especial preocupação com as letras, procurando retratar a realidade e protestar contra os sofrimentos da vida cotidiana e moral, e também contra o sistema, sempre com a eficácia de um tiro a queima-roupa. Bandas como Project46 e Worst são grandes representantes atuais desse modelo sonoro, mas não as únicas, é claro - há outras, sobretudo uma bem mais antiga, cujo som galgou com ainda mais intimidade pela atmosfera periférica: o Uganga.
Veterano, o quinteto das cidades de Araguari e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, construiu um forte nome para si, acumulando quatro álbuns e um live lançados, excelente repercussão principalmente dos discos mais novos e duas turnês europeias. Toda a safra de frutos maduros e positivos não veio fácil, nem por acaso: é resultado do entrosamento de uma formação estável há mais de 10 anos, maturidade e constante refinamento da sonoridade. Falar neste último atributo é interessante, já que a banda começou fazendo algo parecido, mas sensivelmente diferente do que é feito atualmente. Migraram de uma postura fortemente calcada no Skate Rock, Ska, Punk Rock e Hip Hop para outra mais agressiva, assentada no balizamento do Groove Metal, Thrashcore e Hardcore, sem se desgarrar completamente dos antigos elementos. A mudança fez bem, embora a banda sempre tenha demonstrado bastante qualidade. Por isso, é um dos nomes a ser lembrados nessa onda de bandas que exploram os diversos tipos de Core (Thrashcore, Metalcore, Hardcore, Deathcore).
Formada no ano de 1993, a banda composta atualmente por Manu "Joker" (vocal), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael "Ras" Franco (baixo) e Marco Paulo Henriques (bateria) começou com o nome Ganga Zumba e dessa forma lançou três demos: "Antes Que O Mal Cresça", em 1997; "100 Pressa, 100 Medo", em 1998; e "Couro Cru", em 1999.
Após a terceira demo, algumas mudanças aconteceram nos interiores da banda, inclusive no que tange ao próprio nome. Foi quando passaram a ser conhecidos como são atualmente, porém com grafia ainda diferente: U-ganga. Sob o novo título, enfim veio o álbum de estreia em 2003, nomeado "Atitude Lótus" e lançado de forma independente.
O desavisado que ouve esse disco pode chegar a uma de duas conclusões, talvez ambas: ou se trata de uma banda santista, ou de um compilado de músicas pouco conhecidas do início de carreira do Charlie Brown Jr.. É cristalino como a banda de Chorão é a principal referência dos mineiros, muitas vezes de forma até abusiva. Pra quem gosta, como eu, isso não é exatamente um problema - até faz ter vontade de, ao fim dos 53 minutos de álbum, pegar o "Nadando Com Os Tubarões" (2000) ou o "Transpiração Contínua Prolongada" (1997) para ouvir. Por outro lado, também revela uma banda que demonstrava potencial, mas ainda tentava se encontrar.
A primeira tentativa do Uganga foi bastante diversificada, assim como foi o Charlie Brown Jr, naquele tempo. Cada acorde, cada detalhe das percussões, cada elemento musical exalam brasilidade em empolgadas composições - e digo empolgadas pela criatividade, não pelo astral das músicas, necessariamente. O andamento das faixas varia de acordo com a passagem, ou com o modelo rotular da música. Em toda sua trajetória, o disco apresenta forte calcamento no Skate Rock, no Ska e no Rapcore, com ocasionais inclinações ao Reggae, Hardcore e Punk Rock, entre outros elementos menos frequentes. Ou seja: temos Rock de fato - mas sem acordes complexificados - cantado em vocal limpo de estilo Rapcore, num jeitão um tanto "gangsta", gerando um clima de subúrbio aguçado por incidências samples de DJ que chegam a vagamente lembrar o Linkin Park também daquela época.
Vinhetas marcam presença entre faixas, sejam instrumentais ou em diálogos, e essa característica seguiria acompanhando a banda durante toda a carreira.
Os vocais de Manu "Joker", por sua vez, são idênticos aos de Chorão, isso há de ser dito. São bem reverberados e oscilam na velocidade e no tom com bastante frequência, dando energia ou cadenciando, mas sem exageros, já que o vocalista não exige de si mesmo. Nos momentos mais amenos, canta grave, mais como se estivesse narrando. O efeito é bem "mano".
Trocando em miúdos, o disco é bem diferente do que se tornaria o Uganga mais tarde, e nem por isso deixa de ter qualidade, apesar da produção que deixa um pouco a desejar. As músicas são fáceis de assimilar, identificáveis já na primeira ouvida. Realmente, "Atitude Lótus" é um disco muito agradável, e talvez se não fosse o primeiro trabalho dos mineiros ou tivessem conseguido maior repercussão imediatamente, poderia até receber um "Acústico MTV". Ele clama por isso!
Três anos mais tarde é lançado o segundo álbum de estúdio, "Na Trilha do Homem de Bem", agora através da Metal Soldier Records. O nome do selo é uma boa pista sobre o que é feito nesse trabalho - começa a transição sonora.
Agora a banda soa mais vigorosa e pesada, além de mais objetiva. Aquela excessiva atmosfera Charlie Brown Jr. perde espaço para uma sonoridade que dialoga de perto com o Metal, mas que encontra seu lugar ao sol num integral Hardcore/Punk Rock - e isso de certa forma se reflete na duração do álbum, que tem pouco mais de meia hora. No entanto, muitos elementos remanescentes de "Atitude Lótus" ainda se escancaram sem qualquer timidez, como a presença de samples de DJ, muitas passagens de Rapcore e até alusões ao Ska e ao Reggae. Ainda assim, nada que prejudique as canções - pelo contrário, torna elas ainda mais completas e ricas.
Claramente, o ainda "U-ganga" ganhou mais personalidade e força musical com esse disco. Aquela clara brasilidade do disco anterior foi embora, mas o clima de periferia se manteve através da manutenção das letras "cabeça" e a preservação da timbragem e estilo do vocalista Manu "Joker", que ainda canta de maneira bem "mano". No entanto, as mudanças que a banda começou a empregar não afetaram apenas o instrumental, que ficou mais pesado e com riffs melhor trabalhados, mas também o vocal, que começou a aplicar drives e elevar ainda mais os tons. Era o prelúdio mais bruto do que a banda esmerilharia melhor em discos posteriores.
Novamente, trata-se de um excelente álbum de uma banda mais madura, convincente e segura. Dá gosto de ouvir e poderia até ter duração mais longa. "Na Trilha do Homem de Bem" aproxima a banda do público roqueiro, punk e metaleiro, e os integra no rol de bandas da periferia que conquistariam o país mais tarde.
Mais quatro anos se passaram e então mais um álbum chegou. Novamente através da Metal Soldier Records, "Vol. 3: Caos Carma Conceito" foi lançado em 2010 e conquistou não apenas o Brasil, mas também o outro lado do Atlântico.
Não é pra menos: o disco é absolutamente convincente e expressa energia, confiança e vigor nunca antes demonstrados pela banda de maneira tão fantástica. A partir daqui, não apenas a grafia do nome se atualizou (agora sem hífen), mas também a musicalidade, que migrou para o que os tornou especialmente conhecidos e ainda praticam hoje. O que é exposto em "Vol. 3" é um agressivo Thrashcore/Groove Metal de forte ascendência Hardcore/Punk, trazendo ainda lampejos instrumentais de Death Metal e Thrash Metal. Claro, aquele pé suburbano segue chutando cadeiras e mesas, mas dessa vez esse clima está muito melhor aproveitado e trabalhado.
O instrumental se inflamou. É Metal. É Core. Seu engrandecimento se dá através de composições empolgadas, com riffs groovados, bem arquitetados e vigorosos, empregados em músicas acaloradas, de andamento pegado, que chamam o moshpit. Os elementos dos primeiros álbuns ainda aparecem, mesmo com a supremacia das guitarras distorcidas, do pulsante baixo (cujas linhas são compostas com beleza e muito bem inseridas, diga-se de passagem) e da violenta bateria. Passagens mais brasileiras emergem ocasionalmente em quebras de ritmo, samples enfeitam aqui e acolá, interlúdios dialogais sintonizam o ouvinte com as faixas...
Solos de guitarra eram coisas escassamente praticadas pelo Uganga, mas aqui eles dão o ar da graça com mais liberdade. Sempre achei solos essenciais, por isso a presença deles aqui, sobretudo num disco porrada, é muito bem-vinda. Eles são muito bem executados e aparecem em faixas como "Fronteiras da Tolerância", "ISO 666" e "Sua Lei, Minha Lei".
Toda essa excelente agressividade é acompanhada de perto pelo vocal, que também teve qualidade elevada. As linhas são cantadas quase integralmente com furiosos drives, rasgados que expressam o sentimento, a revolta, a indignação. Poucas vezes o vocal é limpo e em tom mais baixo. Notáveis são também os constantes acionamentos dos backing vocals que, assim como no Punk, entram em coro gritando palavras-chave das letras. O aproveitamento dessa artimanha só vem a trazer mais refinamento, tornando a característica da banda ainda mais acentuada.
A excelência de "Vol. 3 Caos Carma Conceito" pôs o Uganga em merecida evidência e rendeu à banda sua primeira turnê europeia. Foram 27 dias de excursão através de sete países: Bélgica, Polônia, Suíça, República Tcheca, Alemanha, Espanha e Portugal.
Em 2013, a banda voltou à Europa para mais uma bateria de shows em países como França, Suíça, Polônia, Eslovênia, Áustria, Itália e Hungria. Tal marco não poderia passar em branco. Por isso, algumas apresentações foram registradas e inseridas no disco ao vivo "Eurocaos", lançado mais tarde, naquele mesmo ano, pela Metal Soldiers Records. O trabalho compreende apresentações no Razorblade Festival em DatteIn, na Alemanha, e no Side B Lounge Live Club em Benavente, Portugal.
Agora de contrato assinado com a Sapólio Rádio, o Uganga apresentou mais um relevante lançamento. Distribuído pela Som do Darma, "Opressor", o quarto álbum de estúdio dos mineiros e apresenta uma atmosfera carregada, com pesar.
Se "Vol. 3" foi um álbum intenso e "desenfreado" musicalmente, como um verdadeiro atropelamento, o mesmo não pode ser dito na mesma proporção sobre "Opressor". Dessa vez, a banda está de postura um pouco diferente, embora se aproveite dos mesmos recursos. Vemos uma banda mais dosada, interessada em riffs bem desenhados e variados, sem deixar o bem-vindo peso de lado. Claro, uma vez que a musicalidade apresentada aqui é primordialmente um Thrashcore com fortíssimos grooves nos riffs, dificilmente o resultado seria fraco e leve. A aura é densa, realmente carregada, negra, como nunca havia sido antes. Há um claro gerenciamento da maturidade acumulada ao longo de mais de 20 anos de carreira, levando a uma musicalidade realmente pensada desde a arquitetura das composições às expressivas letras.
Certamente a transposição do ambiente suburbano não poderia faltar na musicalidade. Os grooves são "streeteiros", e o vocal, mais grave e 'driveado', imprime uma abordagem obscura, acompanhando a densidade instrumental. Manu "Joker" aplica tom mais baixo do que o aplicado no disco anterior, em excelente comunhão com um disco que esbanja solidez. Backing vocals também são ativos, sempre nos conhecidos coros que, fortes, chegam a fazer o peito estufar.
"Opressor" compreende uma coleção de 13 músicas de personalidade, cobertas pelo manto da experiência de uma banda entrosada há muito tempo. Entre brasilidades, percussões, samplers, interlúdios dialogais e muito peso, o disco convence verdadeiramente com seus 40 minutos de duração. Temos direito a até um excelente cover de "Who Are The True?", do Vulcano, banda pioneira do Metal Extremo no Brasil e uma das referências dos rapazes do Uganga.
Gravado no estúdio Rocklab em Goiânia (GO) e produzido por Gustavo Vazquez (que já trabalhou com bandas como Black Drawing Chalks, Krow, Hellbenders e Macaco Bong), o disco teve sua detalhada capa e contracapa desenhadas pelo talentoso Bento Andrade.
A discografia dos mineiros do Uganga - embora seja curta em relação ao tempo de estrada da banda - é uma prova de que entrosamento, maturidade e anos de estrada fazem a diferença. A banda está em constante evolução, constante esmerilhamento de suas habilidades e ideias musicais, ao mesmo tempo em que permanece leal às suas origens e ao estilo. Todos os discos são de muita qualidade, e merecem a ouvida que a Som do Darma auxilia pra que aconteça.

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 Atitude Lótus (2003)

01 - Língua Nos Dentes
02 - Sai Fora
03 - Mar da Lembrança
04 - VG
05 - Prekol
06 - Não Ponha Tudo A Perder
07 - Ouro de Julho
08 - Sibipiruna
09 - Loco (Fim de Tarde)
10 - 2000 É Pouco
11 - Couro Cru
12 - Aquática
13 - Confluência

 Na Trilha do Homem de Bem (2006)

01 - Pagar Pra Ser Feliz
02 - Procurando O Mar
03 - Tri
04 - Loco II
05 - Corrida
06 - Falando de Igualdade
07 - Chaves
08 - A.C.
09 - Altos e Baixos
10 - Lado A Lado

 Vol. 3: Caos Carma Conceito (2010)

01 - Kali-Yuga (Caos 1)
02 - Fronteiras da Tolerância (Caos 2)
03 - 3XC (Caos 3)
04 - Meus Velhos Olhos de Enxergar O Mal (2 Lobos) (Caos 4)
05 - Asas Negras (Caos 5)
06 - ISO 666 (Caos 6)
07 - Velas (Carma 1)
08 - Sua Lei, Minha Lei (Carma 2)
09 - Encruzilhada (Carma 3)
10 - Milenar (Carma 4)
11 - Zona Árida (Carma 5)
12 - P.A.X. (Carma 6)
13 - Primeiro Inquilino (Conceito 1)

 Eurocaos Ao Vivo (Live) (2013)

01 - Kali-Yuga (Caos 1)
02 - Asas Negras (Caos 5)
03 - 3XC (Caos 3)
04 - Meus Velhos Olhos de Enxergar O Mal (2 Lobos) Caos 4)
05 - Sua Lei, Minha Lei (Carma 2)
06 - Zona Árida (Carma 5)
07 - Fronteiras da Tolerância (Caos 2)
08 - Van
09 - Troops of Doom
10 - Nightmare (Short Version)
11 - Não Desista
12 - Desespero
13 - Antwerpen Dub

 Opressor (2014)

01 - Guerra
02 - O Campo
03 - Veredas
04 - Opressor
05 - Moleque de Pedra
06 - Casa
07 - L.F.T.
08 - Modus Vivendi
09 - Nas Entranhas do Sol
10 - Aos Pés da Grande Árvore
11 - Noite
12 - Who Are The True?
13 - Guerreiro

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Pop Javali - Discografia Comentada

Vivemos uma era onde, mais do que nunca, as informações chegam a nós como uma verdadeira torrente, dificultando nossa assimilação, memorização e até nosso aprofundamento em algum tema. A internet tem, como tudo na vida, dois lados de uma mesma moeda: enquanto ela auxilia na divulgação de bandas que de outra forma não chegariam a nós, também atrapalha o mesmo fim, já que todas buscam a mesma efetividade no mesmo meio. Isso faz com que ou não nos aprofundemos no conhecimento das músicas das bandas, ou não tenhamos disposição para ouvir algumas em meio a tantas. Com isso, deixamos algumas boas bandas passarem. Talvez pelo nome estranho e pela quantidade de bandas se divulgando, o trio do Pop Javali seja mais um a passar batido pela maioria, mesmo que seja uma ótima banda.
Natural de Americana, no interior de São Paulo, o Pop Javali oferece um Hard Rock genérico de qualidade, capaz de envolver o ouvinte em músicas boas de ouvir que unificam força e sentimento.
Por enquanto são apenas dois álbuns de estúdio, ambos lançados recentemente. Ainda assim, a banda é cascuda e está junta, em atividade com formação intacta, faz muito tempo - há mais de duas décadas. Formado em 1992, o trio consiste em Marcelo Frizzo no vocal e baixo, Jaéder Menossi na guitarra e Waldemar Rasmussen na bateria. As duas primeiras décadas podem não ter presenciado nenhum lançamento da banda, mas viu muitos de seus shows. Parte da ausência de lançamentos se dá pelo fato de Jaéder e Waldemar estarem mais engajados ao Mystical Warning durante os anos 90, tendo inclusive lançado o álbum "Third Millenium" através da Megahard Records em 1998. Mas o Pop Javali nunca parou. Composições fluíam ao longo dos tempos, até que o amontoado delas resultou no lançamento - tardio, é verdade - do álbum de estreia "No Reason To Be Lonely" em 2011, via Oversonic Music.
O disco apresenta de maneira bem clara a proposta dos músicos: um Hard Rock que se deixa levar pelo legado que os anos 70 e 80 deixaram. Superficialmente, a arquitetura musical pode parecer simples, até pelo clima ameno e envolvente que as músicas transmitem, mas um pouco mais de atenção torna possível notar o interessante detalhamento estrutural. Tratam-se de riffs bem elaborados, dinâmicos e carregados do espírito Hard oitentista, algumas vezes atraindo influências Progressivas que complexificam ainda mais a musicalidade, mas que perdem parte de sua força de impacto por questões produtivas. Mesmo assim, a experiência é positiva, e essa positividade é maximizada nos momentos de solo de guitarra nas canções que os têm - são empolgantes destruições velozes que clamam por bateção de cabeça! Mas nem só de peso é feito o trabalho, já que passagens tranquilas e exploração de efeitos limpos de guitarra também pincelam cores leves nesse registro.
"No Reason To Be Lonely" é um álbum cuja variação tem um raio de extensão limitado no que diz respeito à sensação que as canções passam ao ouvinte. Mas no que diz respeito ao microuniverso dos arranjos, há bastante variação e a dedicação conferiu qualidade. Aqui, a banda não se mostra tão segura, embora estivesse em sua zona de conforto, mas o resultado final é ótimo. De qualquer forma, esse ponto de partida amadureceria a banda - e muito - para o que estaria por vir mais tarde.
Entre shows e ensaios, os tempos que sucederam o disco de estreia foram marcados pela dedicação à novas composições, já visando a concepção de um segundo álbum. Sentindo-se mais confiantes durante o processo e gostando da recepção que os fãs davam às novas músicas nos palcos, os rapazes finalizaram mais 11 composições e as lançaram através do álbum "The Game of Fate" em 2014.
Não há dúvidas: trata-se de um salto de qualidade em relação ao "No Reason To Be Lonely". Dessa vez, o trio transmite muito mais maturidade, além de dose maior de segurança, convicção no que está sendo feito e ousadia para experimentar variações composicionais ainda mais complexas.
"The Game of Fate" é uma continuação direta do debut. Mesma atmosfera, mesma proposta sonora, mesmo sentimento. No entanto, é muito mais convincente, com músicas mais dinâmicas - além de pesado. Pois é. Com a produção a cargo dos irmãos Andria e Ivan Busic do Dr. Sin, as canções ganharam um pouco mais do poder de fogo que faltou no registro anterior. O Hard Rock praticado aqui exala pleno vigor, esmagando os ouvidos e enchendo de vida canções que são boas não somente pelo trabalho notório e espetacular do guitarrista Jaéder Messoni, mas também pelo amadurecimento das linhas composicionais vocais. Elas melhoraram, e bastante. São trechos charmosos, de fácil memorização, com refrões que elevam as músicas e que só não são ápices absolutos porque guerreiam com os fascinantes e frenéticos solos de guitarra.
Mas o peso do trabalho não provém apenas do Hard Rock. Influências de Heavy Metal também são claras, além do cristalino Progressive Metal que se manifesta com alguma frequência, especialmente em faixas como "Enjoy Your Life" e "I Wanna Choose". De modo geral, água das mesmas fontes que o debut bebeu, mas com mais minerais. Trabalho excelente.
O som do Pop Javali contém peso, contém técnica, contém os atributos necessários para registros de qualidade. Mesmo com tudo isso, não é incomum o ouvinte ter uma sensação de leveza bastante característica, como em bandas de Soft Rock. Tal sensação se deve sobretudo à postura não agressiva e até cadenciada do vocalista Marcelo Frizzo. Seu timbre é agudo e a técnica é um tanto nasal, conferindo um vocal que lembra exageradamente ao Phil Collins (Genesis) e, por vezes, Steve Perry (ex-Journey). A sonoridade, por sua vez, embora tenha seu pilar central firmado em solo Hard, não transmite os contornos inconfundíveis e bem delineados das bandas que de fato se afundam de cabeça no gênero, o que revela inclusive influências de Dr. Sin.
De qualquer forma, a banda é muito, muito boa. É gostosa de ouvir. Não é das que mais se sobressaem (algo auxiliado pelo nome pouco convidativo, que leva à subestimação por mais que não queiramos), mas faz um excelente trabalho e espera-se que estejam em uma crescente criativa. Notavelmente, com exceção do guitarrista Jaéder, a banda trabalha dentro de sua zona de conforto. Ainda falta um 'punch', algo que faça o ouvinte apontar o dedo e dizer "esses são os caras e esse álbum é insano!". Quem sabe no futuro? Novos trabalhos certamente virão. O primeiro ao vivo já está a caminho, intitulado "Live In Amsterdam". Será lançado no fim do primeiro semestre de 2016 e foi gravado durante a turnê europeia realizada em outubro de 2015, que foi a primeira e passou por Alemanha, Inglaterra, Itália, Suíça, além, claro, da Holanda.
Ao longo de sua trajetória, o trio já realizou shows ao lado de bandas como Uriah Heep, Deep Purple e Ugly Kid Joe e certamente mais gigantes ainda estão por vir. A turnê europeia é prova do bem-sucedimento da banda, bem como a positivíssima repercussão de "The Game of Fate" em veículos de imprensa como Roadie Crew e UOL.

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 No Reason To Be Lonely (2011)

01 - Silence
03 - Sacrifice My Dreams
04 - Believe
05 - Anything You Want
06 - Do For Me
07 - Not Enough
08 - My Own Shield
09 - Disillusions of Mind
10 - No Reason To Be Lonely

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 The Game of Fate (2014)

01 - Lie To Me
03 - Mindset
05 - Free Men
06 - Time Allowed
07 - A Friend That I've Lost
09 - Enjoy Your Life
10 - I Wanna Choose

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Terrordome/Chaos Synopsis - Intoxicunts (Split) (2016)

Bandas: Terrordome e Chaos Synopsis
Álbum: Intoxicunts (Split)
Ano: 2016
Gênero: Crossover/Thrash Metal e Death/Thrash Metal
Países: Polônia e Brasil
Membros Terrordome: Uappa Terror (vocal e guitarra), Paua Siffredi (guitarra), The Kapitzator (baixo e backing vocal) e Murgrabia Mekong (bateria).
Membros Chaos Synopsis: Jairo Vaz (vocal e baixo), JP (guitarra), Luiz Ferrari (guitarra) e Friggi MadBeats (bateria).

Entre os dias 14 e 31 de janeiro de 2016, os poloneses do Terrordome efetuaram uma bateria de shows no Brasil, passando por diversas cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais. O fruto dessa excursão foi muito além dos shows (nos quais bandas como os paulistanos do Andralls aproveitaram para abrir), materializando-se na forma de um disco split em parceria com o Chaos Synopsis, excelente banda de Death/Thrash Metal de São José dos Campos (SP). A união entre duas notáveis e emergentes bandas do cenário metálico se mostrou poderosa nesse trabalho, que oferece muito peso e energia ao fã que gosta de Thrash Metal de uma forma ou de outra.

Nenhuma das duas bandas passaram o ano de 2015 em branco: de um lado, o Terrordome divulga o lançamento de sua segunda obra de Crossover/Thrash Metal, intitulada "Machete Justice"; de outro, o Chaos Synopsis vem de uma exímia peça artística de Death/Thrash Metal inspirada na malevolência do Império Romano que atende pelo nome de "Seasons of Red" - o terceiro álbum da carreira. Logo, trata-se de duas bandas aquecidas e inspiradas que fizeram questão de fazer com que isso seja latente nesse split chamado "Intoxicunts" e lançado no dia 10 de janeiro, via Defense Records.

São apenas 22 minutos totais de duração, mas muito bem investidos. Oito faixas listam o set: cinco do Terrordome e três do Chaos Synopsis. Dois covers também figuram o repertório (cada banda com um), e as seis restantes são inéditas e autorais, o que é especialmente excitante tendo em vista que splits geralmente são utilizados pra apresentar material já lançado. Não bastasse as músicas terem acabado de conhecer a luz do dia, elas ainda são produzidas com maestria. O trabalho tem propósitos sérios e vale a pena ser ouvido, esteja certo disso.

Os poloneses é que tomam a dianteira da pancadaria. Eles têm mais músicas no set, mas estamos falando de uma banda de Crossover/Thrash - logo, são canções rápidas. "Reflux" mesmo é uma intro de 39 segundos, que já abre o disco a mil preparando o terreno para "Polidicks", que mantém a pegada alucinada, energética e batida do gênero. A postura veloz se estende às demais canções da banda, já que se trata de uma fortíssima e obrigatória característica do estilo, intensamente presente em bandas como Municipal Waste, Nuclear Assault, Suicidal Tendencies, entre outras. O cover executado é "The 'Hood", da extinta banda estadunidense Evildead, que também tocava a vertente em seus tempos de atividade.

A parte do Terrordome equivale à metade do tempo total do disco, apesar da vantagem numérica de faixas. Encerrada "Beerbong Party", entra em ação uma musicalidade diferente, com riffs cortantes e um tanto mais cadenciados: é a vez de "Serpent of The Nile", abrindo a metade do Chaos Synopsis. Os paulistas certamente entregam violência sonora, mas ao contrário da musicalidade lunática dos poloneses, a banda de São José dos Campos aposta em seu costumeiro Death/Thrash Metal bem trabalhado, bem dosado, alicerçando peso e arte. "Serpent of The Nile" é uma canção que reafirma o potencial artístico do conjunto, capaz de sintetizar uma musicalidade temática com maestria, sem precisar recorrer ao auxílio de teclados ou instrumentos extras. É possível sentir o clima, entender a proposta. Entre ela e "Fire On Babylon", vemos uma banda que alterna sua postura: ora as composições se condensam inteiramente no Death Metal, ora ganham velocidade e energia e se convertem num Thrash Metal com ares Death. Toda essa potência é interpretada pelo coronelista vocal de Jairo Vaz, que impõe comando com oscilações entre intensos drives e guturais. Fechando o trabalho, é apresentada uma versão mais violenta de "Damage Inc.", do Metallica.

Ao fim dos 22 minutos, sente-se que o trabalho merecia ser maior. Muito embora, sensivelmente falando, a parte do Terrordome passe voando e a do Chaos Synopsis se prolongue devido à densidade de suas canções, o disco pede um pouco mais... ou, na atual condição, pede um 'repeat'. Esteja certo: esse provavelmente será o melhor split que você terá ouvido nos últimos tempos, se tiver ouvido algum - caso contrário, "Intoxicunts" ganha o título de melhor por W.O.. Tome o belíssimo trabalho gráfico do artista Łukasz Jaszak como incentivador e sente o dedo no 'play'. Grandes bandas, grande trabalho.

Chaos Synopsis:

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Assessoria de Imprensa: Island Press
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01 - Terrordome: Reflux
02 - Terrordome: Polidicks
03 - Terrordome: Nothing Else Fuckers
04 - Terrordome: The 'Hood (Evildead Cover)
05 - Terrordome: Beerbong Party
06 - Chaos Synopsis: Serpent of The Nile
07 - Chaos Synopsis: Fire On Babylon
08 - Chaos Synopsis: Damage Inc. (Metallica Cover)

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Hagbard - Vortex To An Iron Age (2016)

Banda: Hagbard
Álbum: Vortex To An Iron Age
Ano: 2016
Gênero: Pagan Death Metal
Origem: Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil)
Membros: Igor Rhein (vocal), Danilo "Marreta" Souza (guitarra), Rômulo "Sancho" Piovezana (baixo), Everton Moreira (bateria) e Gabriel Soares (teclados e vocais limpos).
Membros adicionais: Lívia Kodato (vocal feminino), Maurício Fernandes (backing vocal), Luqui di Falco (violão) e Vinícius Faza Paiva (violino).

Geralmente é assim: por mais que uma banda já aparente ter nascido sonoramente pronta, com membros, proposta e público bem definidos, sempre há mais o que remanejar, aperfeiçoar, moldar. É mais ou menos o que vem acontecendo com os juiz-foranos do Hagbard, que lançam nesse mês de junho seu mais novo álbum, "Vortex To An Iron Age".

O novo título é o segundo full-length da discografia, sucedendo o excelente e bem criticado debut "Rise of The Sea King", que saiu há três anos, e o EP promocional "Tales of Frost and Flames", do ano passado. Diante da crescente que vinha recebendo com seus trabalhos, era de se esperar uma banda que preservasse suas características e exalasse qualidade em cada detalhe composicional... e felizmente é o que tivemos!

"Vortex To An Iron Age" é um registro que melhor define os contornos do que é o Hagbard de fato. Aqui a banda demonstra segurança, estabelecendo claramente sua zona de conforto - que é de difícil execução, isso há de ser ressaltado - e indicando uma personalidade que já vinha tomando forma com o EP anterior. Digo, "Rise of The Sea King" foi um álbum bastante vigoroso, uma notável obra de Pagan Death Metal; no entanto, em "Tales of Frost and Flames" o conjunto densificou sua atmosfera e atribuiu forte característica épica à ela, além de certa dose de sentimentalismo. Essa diferença entre os dois trabalhos é pouca, mas sensível, e "Vortex To An Iron Age" é a sequência sonora direta do EP quase que por osmose.

O disco foi gravado em Juiz de Fora (MG) entre julho e dezembro de 2015 e novamente mixado e masterizado por Jerry Torstensson (Draconian) em seu Dead Dog Farm Studio localizado em Säffle, na Suécia. Diferente de "Rise of The Sea King", que foi lançado e distribuído pelo selo russo SoundAge Productions, "Vortex To An Iron Age" está sendo lançado no Brasil em formato digipack através do selo Heavy Metal Rock, que também dispõe do primeiro título em seu catálogo. A bela arte gráfica é de autoria de Marcelo Vasco, que se tornou especialmente famoso após criar as capas de bandas como Slayer e Borknagar.

Trata-se de um álbum intenso onde cada elemento instrumental se mescla à luz da aura epicista dos teclados. Os instrumentos tradicionais como a guitarra de Danilo "Marreta", o contrabaixo de Rômulo "Sancho" e bateria de Everton Moreira se mostram firmes, conferem peso e fazem jus ao nome "Pagan Death Metal" do rótulo. Eles não são sempre pegados, entretanto, já que linhas mais melódicas são introduzidas - em duradouro casamento com a atmosfera mágica - assim como as músicas, no geral, não são de todo violentas, mesmo com todos os atributos para sê-lo. O ritmo delas é mais constante, mas com naturais transições para algo mais pegado ou algo mais calmo, de acordo com o momento ou a música. Claro, há potência e vigor, mas certamente a alma do trabalho é o encanto que a incidência dos teclados de Gabriel Soares e a ampla exploração de violinos do convidado especial Vinícius Faza Paiva proporcionam - e como esses instrumentos dão o ar da classe!

É sempre muito interessante também a preocupação dos mineiros com as linhas vocais. Nunca introduzem apenas um tipo de técnica, nem têm discos sempre lineares. Os guturais rasgados de Igor Rhein são a técnica mais explorada, tal como precisa ser. Mais do que anteriormente, aqui seu vocal soa mais pagão, já que a produção não o deslocou do instrumental e sim o "fundiu" a ele, deixando-o um pouco mais baixo, porém conectado com o ambiente. O leve reverb na voz faz parecer que Rhein esbraveja em uma floresta neblinada ao crepúsculo - o que é perfeito para os heroicos propósitos Folk da banda. Inclusive, backing vocals em cadenciados corais são frequentemente acionados, aumentando o tom épico e dando dinâmica às canções. Nesses corais, participam o convidado Maurício Fernandes e o tecladista Gabriel Soares, cuja voz se destaca. Como em todos os outros trabalhos, Gabriel apresenta seu belo vocal limpo em mais uma faixa tranquila, estrategicamente posicionada em meados do set e intitulada "Last Blazing Ashes". A faixa conta inclusive com a participação de Luqui di Falco (Glitter Magic) no violão. Coroando as participações especiais, Lívia Kodato empresta suas cordas vocais em "Inner Inquisition", elevando o repertório de vozes do trabalho.

"Vortex To An Iron Age" é um registro foda de uma banda madura que encontrou sua identidade mesmo em meio a um estilo difícil de se destacar. A atmosfera é densa e mais "fechada", é verdade, o que reduz o potencial assimilativo logo na primeira ouvida, mas vale ouvir mais uma vez e se deixar imergir nessa sonoridade que fantasia bem o teor lírico inspirado nos "valores de eras antigas, de um mundo onde a força e o ferro eram aliados ao orgulho e à honra", conforme conta a própria banda. É uma experiência pagã quase cinematográfica.

Gostaria de deixar, uma vez mais, meus agradecimentos ao Hagbard pelo reconhecimento e amizade de sempre! Sinto-me extremamente feliz e honrado por ter meu nome mencionado nos agradecimentos especiais do disco! A banda está de parabéns pelo excelente trabalho, seriedade com a qual encara a boa música e pela ousadia de executar um estilo tão incomum, especialmente no Brasil.

Para adquirir as versões físicas dos discos, basta entrar em contato através dos veículos oficiais da banda!

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E-mail: contact@hagbardofficial.com

01 - Intro
02 - Never Call The Sage To Drink In Your Home
03 - Bridge To A New Era
04 - Iron Fleet Commander
05 - Last Blazing Ashes
06 - Death Dealer
07 - Relic of The Damned
08 - Inner Inquisition
09 - Deviant Heathen
10 - Shield Wall
11 - Outro

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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Roadie Metal Volume 6 (2016)

O que começou como um projeto ambicioso, porém despretensioso, acabou por enfincar sua bandeira negra headbanger em territórios cada vez mais longínquos da cena nacional. O idealizador e radialista Gleison Junior não imaginaria há apenas dois anos, quando preparava o primeiro volume da coletânea Roadie Metal (nome que também batiza o próprio site de notícias, a assessoria de imprensa e, claro, o programa de webradio), que seu projeto conquistaria tanta repercussão, respeito, e até mesmo resenhas na Roadie Crew, revista na qual lê desde novo. No primeiro semestre desse ano de 2016, a série de coletâneas chegou ao seu sexto volume sob olhar atento de resenhistas e de bandas que desejam registrar suas passagens pelo projeto.

Como tradicionalmente ocorre desde o segundo volume, o lançamento é duplo - um verdadeiro combo de músicas pesadas ao longo de duas horas e meia, aproximadamente. São dezessete bandas em cada disco, sendo que uma delas, em especial, é e ao mesmo tempo não é uma surpresa: o Torture Squad. Velho conhecido do público brasileiro, o (atualmente) quarteto abre o primeiro disco com a faixa "No Escape From Hell". A presença de uma banda veterana como essa só vem a ressaltar a importância e o bem-sucedimento dos propósitos de divulgação e qualidade da Roadie Metal.

Esse volume conta com ótimas bandas, certamente, e apenas uma minoria das canções não apresenta qualidade satisfatória de produção. Além disso, embora hajam diferenciações de proposta entre as bandas - o que, em teoria, sintetiza o argumento da diversificação rotular devido à presença de bandas de Death Metal, Thrash Metal, Hardcore, Metalcore, Progressive Metal, Heavy Metal, Gothic Metal, ou mistura entre estes e outros -, na prática, a maioria se aventura nos aclives do Metal Extremo, o que cria uma proximidade sonora entre elas e diminui a sensação de uma coletânea diversificada. Logo, esse novo trabalho está menos diversificado que seu antecessor, mas a qualidade das bandas está resguardada, por mais que essa ou aquela se destaque de acordo com as exigências pessoais do ouvinte.

No que diz respeito a coletâneas, não é de meu feitio fazer destaques, pois se trata de um modelo que conta com vários profissionais de várias bandas diferentes, com propostas distintas e até mesmo públicos diversificados. É diferente de destacar melhores músicas de um álbum de uma banda específica, pois todas são trabalhos da mesma. Portanto, não é justo eleger "melhores". Parece significar diminuir uns e elevar outros sob pouca justificativa. Contudo, sinto bastante linearidade entre as bandas, corroborando com a proximidade rotular supracitada.

Fisicamente, a Roadie Metal manteve o padrão que vem em prática desde o Volume 4. Trata-se de um digipack de qualidade, brilhante e que evidencia a arte gráfica - assinada, mais uma vez, por Marcelo Nespoli (Eleven Strings). No interior, cada CD repousa em seu devido compartimento à esquerda e direita, e na parte traseira do compartimento esquerdo há um local para guardar o encarte, novamente grampeado e fabricado em papel fotográfico, apresentando todas as informações pertinentes às bandas envolvidas no trabalho, além de duas páginas com agradecimentos e informações sobre a Roadie Metal. Fotos, links, formações, origens... está tudo disponível lá. Os únicos 'poréns' são um defeito de fabricação que pôs o CD 1 como CD 2, e o CD 2 como CD 1 - essa inversão gera confusão ao consultar o tracklist e ao escolher que disco executar -, e a palheta de cores da arte gráfica escolhida. Digo... de fato, é tudo bem bonito, mas a predominância da cor preta o logo bem transparente acabaram não pegando muito bem na versão física, escondendo vários detalhes - até mesmo o próprio nome do projeto e seu volume. Entretanto, são apenas detalhes que são percebidos, mas não diminuem a seriedade da Roadie Metal, o seu alcance e o que ela pode fazer pelas bandas envolvidas, já que o material é espalhado gratuitamente para dezenas de veículos especializados em música pesada no Brasil e também no exterior.

Gleison Junior está de parabéns novamente pela atitude, seriedade e em especial pela celeridade com a qual lança os volumes de seu projeto. É o tipo de atitude altruísta que com certeza contribui com a cena e nos leva a conhecer bandas interessantes do nosso cenário que, provavelmente, não seriam conhecidas de outra forma! Deixo meus agradecimentos também pela menção ao meu nome na página de agradecimentos. É um prazer contribuir no que for possível para a Roadie Metal e ter essa grande amizade! Que venham outros volumes no futuro!

O programa Roadie Metal vai ao ar todas as quintas-feiras, das 20:30 às 23:00, e aos sábados, das 14:45 às 16:30, sempre ao vivo através do www.canalfelicidade.com. O programa conta com vários quadros ao longo do mês, além de entrevistas e sorteios para o público!

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CONTATO:
E-mails: gleison@roadie-metal.com
fabio@roadie-metal.com
walker@roadie-metal.com

CD 1:
01 - Torture Squad: No Escape From Hell
02 - Maverick: Upsidown
03 - The Goths: The Death
04 - Project Black Pantera: Boto Pra Fuder
05 - Apple Sin: Another Day
06 - Black Triad: Dream On
07 - AirTrain: Back To War
08 - Cracked Skull: Fascism
09 - Dekapto: Financiando A Própria Morte
10 - Blue Lotus: Rat Game
11 - Kyballium: Sea of Illusions
12 - Ás: Warriors
13 - Bloodfire: Save The World From War
14 - Lascia: Jealousy
15 - Universe: The Dreams Does Not End Here
16 - Oblivious Machine: Echoes of Insanity
17 - Jäilbäit: Do You Wann Be A Rockstar?

CD 2:
01 - Dramma: Sombra da Solidão
02 - M-19: Southern Brave
03 - Vorgok: Kill Them Dead
04 - Shallrise: Follows His Quest
05 - Supersonic Brewer: Trapped In An Hourglass
06 - All 7 Days: Ensign of War
07 - Magnética: Os Magnéticos
08 - InCarne: Good Morning, Humans
09 - Ceiffador: Anjo Infernal
10 - Firegun: What's The Reason?
11 - Lethal Accords: I Have A Dream
12 - Deviation: Like I Said
13 - Terrorsphere: Terror Squad
14 - Crucify: Rise Up
15 - Rising: Hexencraft
16 - Evil Minds: War
17 - Steel Soldier: Messenger of Souls

Download (CD 1)
Download (CD 2)
Download (os dois juntos)

Os downloads disponibilizados acima são diretamente autorizados pela Roadie Metal.

domingo, 15 de maio de 2016

Sinamore - Discografia Comentada

O Sinamore surgiu em 1998, na cidade de Hamina, Finlândia, época em que era chamado de Halflife. Em seu início contava com Mikko Heikkilä (vocal e guitarra), Jarno Uski (baixo), Tommi Muhli (guitarra) e Miika Hostikka (bateria). 
Como Halflife, a banda lançou cinco demos, até que em 2006, passou a adotar o nome de Sinamore, momento em que assinaram o contrato para o lançamento do primeiro disco, A New Day, que sairia naquele ano.
A sonoridade do Sinamore traz aqueles elementos característicos do Gothic Metal, algo semelhante ao que fazem os seus conterrâneos do HIM e do Saralee além do saudoso Sentenced.
Merecem destaques as faixas Follow In The Cry, Sleeping Away, Darkness Of Day, Rain, Fallen e a faixa-título, que demonstram que os caras tinham o HIM e o Sentenced como grandes referências, pois seu som é praticamente um híbrido das duas bandas.
Já em 2007 retornaram com o álbum Seven Sins A Second, que seguiu a mesma linha de seu antecessor e continha as ótimas Better Alone, Silence So Loud, Frozen MileFar From A Dream.
Em 2008, Tommi Muhli deixou a banda, sendo substituído por Sami Hauru.
O Sinamore continuou se apresentando habitualmente, apesar de nenhum álbum de inéditas sem lançado. Em 2013, a banda paralisou suas atividades por tempo indeterminado e permanece inativa desde então.
Apesar de nunca ter conseguido atingir uma grande representatividade fora da Finlândia, o Sinamore agrada em cheio aqueles que são fãs das bandas que lhes serviram de inspiração.

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 A New Day - 2006

01 - Follow Into The Cry
02 - Crimson Leaf
03 - Sleeping Away
04 - Darkness Of Day
05 - My Rain
06 - Fallen
07 - Misery Carnival
08 - A New Day
09 - Drama For Two
10 - The Art Of Regret

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 Seven Sins A Second - 2007

01 - Outro
02 - Better Alone
03 - Silence So Loud
04 - Dressed In White
05 - Frozen Mile
06 - The Burning Frame
07 - Everything Ends
08 - Unbreakable Calm
09 - Far From A Dream
10 - Eyes Of May

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