Social Icons

Featured Posts

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Scars From The Last Fight - Discografia

Não há dúvidas de que se alguém diz que a música pesada no Brasil é fraca e a cena não tem boas bandas, não está por dentro do que realmente está acontecendo em nosso país. A ascensão de conjuntos com discos de bela produção e composições de evidente qualidade em todo o território nacional já não é novidade alguma, independente da vertente executada. Eventualmente, uma vez que o Metalcore é um estilo badalado atualmente, bandas brasileiras trilhando a linha também somam na conta, contribuindo com variedade "étnica" em um estilo marcado por bandas britânicas e estadunidenses.
Assim como acontece em qualquer outra vertente, ao fundir diferentes influências ao Metalcore, obtém-se distintos resultados de sonoridade. Um dos fodíssimos exemplos disponíveis hoje no país é o Scars From The Last Fight, que aposta num Metalcore menos identificável e mais magnetizado pela forte influência de bandas como Pantera, Killswitch Engage e até mesmo flashes de Black Label Society principalmente em decorrência do vocalista Diego Camargo, que alterna entre um vocal limpo bem carregado por drives e guturais rasgados e fechados. Mas até refinar a sonoridade dessa forma, claro, levou tempo, trabalho e experimentação.
Natural de Caraguatatuba, interior de São Paulo, o Scars From The Last Fight nasceu no início de 2010 por iniciativa dos amigos Diogo Serra (vocal limpo, vocal gutural e guitarra), Anderson Emídio (guitarra e vocal gutural) e Gabriel Hatoun (bateria), que compartilhavam o desejo de dar início a um projeto musical. No decorrer do ano, as ideias amadureciam e se traduziam em composições, e consequentemente, a necessidade de fechar o line-up. Foi aí que, no final do ano, o baixista Emerson Oliveira chegou, estabilizando a espinha dorsal para o primeiro lançamento.
Com isso, saiu já em 2011 o EP de estreia "Screenplay", lançado de forma independente. Listado com seis faixas e totalizando 28 minutos, o compacto apresenta uma ótima sonoridade correta e alternativa, porém, ainda não muito refinada, mas deixando um ar de que a banda tem condição de amadurecer bastante.
Com um instrumental que não se destaca tanto mas cumpre bem seu papel, o destaque vai para as linhas vocais de Diogo, que são melódicas, bem desenhadas e altas, empregando ainda um fundo de drive algumas vezes. Sua característica pode ser encontrada em algumas bandas de Alternative Rock. Os guturais de Anderson Emídio também dividem as atenções em meio aos vocais limpos de Diogo (que por vezes faz os rasgados também), aparecendo em momentos estratégicos ou backing vocals, complementando bem a sonoridade e dando um andamento mais pegado.
Interessantemente, a segunda metade é mais ousada, uma vez que conta com canções como "I Don't Believe", que é mais passional e explora bem o violão; "Lies of True", que é mais forte e impactante; e, por sua vez, a "Scars From The Last Fight", que tem um andamento que divide ritmo pegado e cadência com interessantes e variantes jogadas de riffs e um apreciável trabalho de bateria.
É bem verdade que o EP poderia ter uma produção mais clara e pesada, mas limitações impediram que isso acontecesse. As guitarras estão um pouquinho baixas e abafadas e às vezes o baixo se destaca demais. Mas para um primeiro trabalho, o resultado geral de produção é excelente e totalmente audível.
O trabalho chamou a atenção da gravadora 272 Records, de Los Angeles, que prontamente solicitou que a faixa-título integrasse a coletânea que estavam lançando. Esse foi um bom boot nos ânimos!
Mas as coisas ficaram ainda melhores com a complementação de seu currículo em 2012 com mais uma experiência que certamente auxiliou na exposição da banda: a seleção para a participação no programa televisivo Showlivre Day, da empresa Show Livre (grupo MSN). Ao obter a maior audiência entre todas as bandas envolvidas, a oportunidade se converteu num convite para uma edição exclusiva no programa Estúdio Showlivre.
Na sequência, lançaram a single "Walking Dead" em homenagem ao famoso seriado "The Walking Dead", criado por Frank Darabont e exibido originalmente no canal AMC. A canção conquistou a apreciação do ator Norman Reedus (responsável por dar vida ao personagem Daryl Dixon), que a criticou positivamente e divulgou.
Em 2013, os paulistas apareceram com mais um lançamento independente, só que, dessa vez, com duração ainda mais breve, com seus quase 8 minutos de tempo total. Trata-se de mais um EP, intitulado simplesmente como "EP 2013", que conta com três ótimas faixas, dentre as quais a primeira é uma rápida introdução esbanjando um clima misterioso. O aspecto geral das canções, sobretudo em relação à produção, é bem parecido com o do primeiro EP, mas há algumas pequenas diferenças. Os vocais guturais praticamente desaparecem, sendo possível notá-los apenas timidamente como apoio na canção "Don't Bring Me Down", essa que é uma canção com arranjos mais melódicos. Já "Malibu Rulez" é um pouco mais rítmica, percussiva, com uma excelente performance vocal de Diogo, que se mostra teatral cantando em um estilo que remonta aos Blues e Jazz. Um rápido solo pode ser apreciado no fim, algo bem-vindo e raramente explorado pela banda.
Apesar de um lançamento geralmente significar que as coisas estão fluindo, esse novo compacto marcou a despedida de Diogo Serra. Até por isso o trabalho foi muito pouco divulgado, pois agora representava uma banda que não mais tinha aquela cara. Com a saída, eventualmente duas posições ficaram vagas, já que era vocalista e guitarrista. Por isso, dois recrutamentos aconteceram: o do vocalista Diego Camargo e o do guitarrista Matheus Lorenzetti. Ambos se tornaram peças fundamentais no alcance de uma musicalidade mais pesada e agressiva em todos os aspectos.
Após colherem positivas críticas e bons resultados com os lançamentos anteriores, além dos membros originais claramente terem se entrosado bem com os novos, o foco em novas composições se intensificou. Com novas ideias, nova energia e clara paixão, o grupo apareceu em 2015 com seu primeiro álbum de estúdio completo, disponibilizado gratuitamente em seu site oficial. Independente, gravado no próprio estúdio da banda e com produção a cargo do baixista Emerson Oliveira junto do restante do conjunto, o registro (que leva o nome da banda) exibe uma sonoridade bem diferente daquela dos EPs.
Estamos falando de um som bem "pé na porta", que expulsa grande carga de energia e agressividade. Aquela pegada mais alternativa anterior deu lugar a uma competente fusão entre um técnico Metalcore e o Southern Metal, tornando a sonoridade meio texana e digna de um bar com ambiente pesado, esfumaçado e baixa iluminação, cheio de brigas. Contudo, isso diz respeito apenas à sonoridade, já que o tema lírico aborda assuntos mais pensados como valores, realidade e ações do ser humano.
De qualquer forma, as canções são coesas, estruturadas com perícia e compostas com criatividade. Não se vê repetições nos riffs. Cada faixa fala sua própria língua com seus arranjos únicos, sem que isso dissipe a sensação de se tratar do mesmo álbum, que é latente. Aliás, impossível não dar o devido destaque ao trabalho de bateria de Gabriel Hatoun, que usufrui bem de seus recursos e fez um trabalho excelente, longe de qualquer mesmice.
A sonoridade mais pesada é aguçada pela excelente produção e ganha contornos especiais através do talentoso vocal de Diego Camargo, que impõe ira, que se entrega, por meio de vocais limpos firmes e carregados de drives e vocais guturais rasgados soltos com a alma. Ele não poupa voz. E a violência vocal segue ganhando suporte com os guturais fechados de Anderson Emídio, um grande intensificador. Certamente, o álbum é punho-firme e agrada àqueles que gostam de bandas que passam essa atmosfera e postura. Algumas como Texas Hippie Coalition vêm facilmente à minha cabeça. 
Embora seja um álbum empolgante, sente-se falta de solos, que deixariam as músicas ainda mais fodas e contribuiriam com maior clima de diversidade, dando um "descanso melódico" em meio a tanta porrada. Eles chegam a ser explorados com perspicácia em canções como "Gates of Lust" - que conta com a participação especial da vocalista Nathália Sato - e "Sons of Midas", mas não é frequente, deixando uma sensação retilínea, embora os arranjos sejam bem trabalhados.
Meses após o lançamento, foi anunciada a saída do guitarrista Anderson Emídio, por razões pessoais. Até o momento, o espaço deixado pelo músico não foi ocupado novamente.
Seus trabalhos recheados de qualidade justificam a ascensão que o Scars From The Last Fight vem conquistando no cenário. Sem dúvidas, há espaço para ainda mais aprimoramento, logo, trabalhos ainda melhores no futuro, já que é composta por músicos de mão cheia que sabem o que estão fazendo e são capazes de ainda mais.
Seguem abaixo os links oficiais da banda. Deixem seus likes no Facebook, sigam no Twitter, acompanhem os caras pelas redes sociais! O apoio é importantíssimo e esses caras merecem!

|    Official Website    |    Facebook Page    |    Twitter    |
|    YouTube Channel    |    Soundcloud    |    Palco MP3    |    ReverbNation    |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: info@scarsfromthelastfight.com
imprensa@furiamusic.com.br


 Screenplay (EP) (2011)

01 - Screenplay
02 - Promises and Illusions
03 - Promises and Illusions (Remix 2012)
04 - I Don't Believe
05 - Lies of True
06 - Scars From The Last Fight


 EP 2013 (EP) (2013)

01 - Introdução
02 - Don't Bring Me Down
03 - Malibu Rulez


 Scars From The Last Fight (2015)

01 - Relentless Reaper
02 - Bolshevik
03 - Spider
04 - Gates of Lust (feat. Nathália Sato)
05 - Moth-Eaten
06 - Sinking Alone
07 - Trusting In Fate
08 - Sons of Midas
09 - Walking Dead
10 - Wise Man


sexta-feira, 24 de julho de 2015

DIVULGUE SUA BANDA! / PROMOTE YOUR BAND!

Como provavelmente muitos visitantes notaram, nós do Warriors Of The Metal não fazemos apenas um trabalho de divulgação de qualquer banda, de qualquer estilo, de qualquer parte do planeta, de acordo com a nossa própria conveniência. Nós também damos total apoio e uma atenção especial e amorosa ao som oriundo de nossa rica e única terra.
Entretanto, não são apenas conjuntos que estão nos nossos próprios planos que entram no acervo. No caso de alguém ser integrante de alguma banda e estiver interessado em divulgar seu som através de nós (reconhecendo, dessa forma, nosso potencial), a banda ganha atenção especial, é postada mais rapidamente e, de quebra - se demonstrar apoio ao nosso trabalho com a divulgação e outros catalisadores quaisquer -, entra no seleto hall das "bandas promocionais nacionais". Aquela sessão trata exclusivamente dessas bandas.
Sabemos que muitas pessoas que nos visitam têm banda, mas por timidez ou por não saberem exatamente como estabelecer contato conosco, acabam se bloqueando de conquistar a divulgação. É visando essa galera que estamos escrevendo essa postagem.

Afim de facilitar a compreensão e objetividade das prováveis dúvidas, essa publicação está dividida em alguns tópicos esclarecedores.

1 - BANDAS BRASILEIRAS:
......1.1 - O que é o índice de bandas promocionais?
......1.2 - Como posso ter minha banda divulgada no Warriors Of The Metal?
......1.3 - Quais as condições para que minha banda seja postada?
......1.4 - E se minha banda já tiver sido postada sem meu pedido?

2 - TO FOREIGN BANDS:
......2.1 - What is this topic about?
......2.2 - What is the "índice de bandas promocionais"?
......2.3 - How can I get my band promoted on Warriors Of The Metal?
......2.4 - Are there any conditions for my band to be included?


BANDAS BRASILEIRAS:

1.1 - O QUE É O ÍNDICE DE BANDAS PROMOCIONAIS?
O índice de bandas promocionais é a repartição de nosso acervo onde são alocadas as bandas que nos procuram para divulgação de seu som autoral, em especial bandas com pouco tempo de estrada. Temos dois tipos: o índice para as bandas brasileiras e o índice para as bandas estrangeiras. Uma vez que alguma banda faz contato, manifesta apoio e divulga nosso trabalho, o lugar dela é certamente lá por melhor promoção e visibilidade para que ela seja encontrada.

1.2 - COMO POSSO TER MINHA BANDA DIVULGADA NO WOTM?
Não tem muito segredo. Basta entrar em contato conosco de alguma forma, seja por mensagem no Facebook através da página do Warriors Of The Metal ou de nossos perfis pessoais (Cláudio/Rudão/Walker); pelo Twitter do Warriors Of The Metal ou nossos Twitters pessoais (Cláudio/Walker); ou até nossos e-mails (Cláudio/Walker). Veremos e responderemos em quaisquer desses meios.

1.3 - QUAIS AS CONDIÇÕES PARA QUE MINHA BANDA SEJA POSTADA?
Antes de mais nada, é necessário que o pedido de divulgação seja feito por um membro da banda. Caso contrário, interpretaremos apenas como um fã pedindo uma discografia que gosta ou procura, na tentativa de nos desviar de nosso foco. Como sabido, não atendemos pedidos, a não ser das próprias bandas.
Uma vez que você é membro da banda que deseja ver postada, determinamos unicamente que pelo menos um álbum completo tenha sido lançado e, claro, que ele tenha aceitável qualidade de produção. Afinal, ter lançado pelo menos um álbum é a prova de que a banda funciona e não vai parar no meio do caminho antes de completar o primeiro objetivo. No caso de sua banda ter lançado apenas uma demo, EP, ou quaisquer trabalhos curtos, ela não receberá postagem exclusiva aqui no blog. Porém, podemos divulgá-los com uma postagem em nosso Facebook sem problema algum!

1.4 - E SE MINHA BANDA JÁ TIVER SIDO POSTADA SEM MEU PEDIDO?
Mesmo nesse caso sua banda ainda pode ir parar no índice de bandas promocionais nacionais. Basta que você manifeste essa vontade e divulgue nosso trabalho!


TO FOREIGN BANDS:

2.1 - WHAT IS THIS TOPIC ABOUT?
This topic is about promoting your band, in case you have one. Since we know many of our visitors have their own bands, we are pretty sure there are lots of qualified and talented bands to be found out and showed up to the world through Warriors Of The Metal. So, this is all about how you can get your band posted here for promotion.

2.2 - WHAT IS THE "ÍNDICE DE BANDAS PROMOCIONAIS"?
This is the table where we allocate bands that make contact with us in order to have their material available and reviewed on our site, specially the newborn ones. We got two sessions: one for the brazilian ones and another for the foreign ones. Once a band comes to us, manifests support and promote our work, it can be placed on that session for better visibility and promotion. Of course, if your band is from abroad, it will be included on "índice bandas promocionais internacionais".

2.3 - HOW CAN I GET MY BAND PROMOTED ON WOTM?
That's pretty simple. All you need to do is to contact us somehow. There are plenty ways, such as sending us a message on Facebook either through Warriors Of The Metal page or our personal profiles (Cláudio/Rudão/Walker); either through Warriors Of The Metal Twitter account or our personal Twitter accounts (Cláudio/Walker); or even by sending an e-mail to Cláudio or Walker. Be sure we will see the messages and answer back as soon as possible.

2.4 - ARE THERE ANY CONDITIONS FOR MY BAND TO BE INCLUDED?
Yes. First of all, you need to be part of the band. Once we don't post requested bands in order to maintain the quality of what we do - which is made solely with passion -, if you're not a member, then we interpret you as a fan requesting a discography like any other, trying to blur our own focus about what to do next. So, the only way to see a band posted here by request is to be a member of it.
Now, if you are a member of the band to be posted, all we ask is a full-length album released because it serves as proof that the band in fact works and did not split up before achieving the first goal. Also, it has to have acceptable production quality. In case your band have only demos, EPs or minor releases, it can't be part of our heap, but we do can promote it through our Facebook page.

===============================================

Com essa publicação, espero que não tenha restado dúvidas sobre como trazer a sua banda para o Warriors Of The Metal e mostrá-la para milhares de headbangers que nos conhecem e apoiam. Espero também ter incentivado as bandas mais tímidas a apresentarem seu material e mostrarem que o Metal tem força e bons representantes e qualquer canto do Brasil.
Qualquer dúvida remanescente, por favor, comentem abaixo para que o esclarecimento possa ser feito.

Muito obrigado pela atenção!

Curtam nossa página no FacebookWarriors Of The Metal.
Sigam-nos no Twitter@WOTMetal.
WARRIORS OF THE METAL,
A CASA DO RESPEITO AOS DIFERENTES GÊNEROS!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cavaleiro Dragão - Discografia

Algumas bandas têm nomes que levam à subestimação. Afinal, assim como somos levados a ouvir algumas só porque o nome é legal, o inverso também acontece. O negócio é que não se pode julgar um disco pela capa, ou banda pelo nome. Os paulistas do Cavaleiro Dragão são uma grande prova disso, já que são capazes de impressionar facilmente com sua qualidade.
Talvez para muitos o título soe clichê demais, até engraçado, prejudicando, assim, o real interesse no que esses caras fazem. Grande erro. Formado em Hortolândia, São Paulo, no ano de 2007, o quinteto trás consigo um excelente Heavy Metal tradicional, oitentista, sobreposto por letras épicas dignas de Power Metal e, mais interessantemente ainda, em português. O clima heroico se estende também às apresentações ao vivo, já que geralmente os músicos se vestem de guerreiros ou templários e até mesmo brandam espadas, fortalecendo o medievalismo das canções.
O line-up está sólido desde o princípio, configurado com Charles Arce no vocal, Mauro Soares e Rafael Miguel como dupla de guitarristas, Andrey Fernandes no baixo e Jayme Neto na bateria. O primeiro lançamento saiu em forma de demo em 2010. Levando o nome da banda, a demonstração conta com seis canções, sendo que praticamente todas seriam reaproveitadas no primeiro álbum de estúdio.
Mesmo com o ainda pouco tempo de estrada, a banda logo de cara lançou seu primeiro DVD em 2011, intitulado "Cavaleiro Dragão Ao Vivo Festa do Figo" e gravado no dia 29 de janeiro daquele ano na cidade de Valinhos, também em São Paulo.
No ritmo que as coisas estavam, não demoraria mesmo para sair o álbum debut. Foi o que de fato aconteceu já em 2012. Mixado por Ricardo Picolli e produzido pela própria banda, "Cavaleiro Dragão" é um álbum que impressiona pela sua qualidade em todos os aspectos. Trata-se de um sólido Heavy Metal tradicional muito bem arquitetado, com jogadas de riffs interessantemente belas que saem do retilíneo do comum e por vezes encontram seu break em momentos de guitarra limpa e flertes com o Folk (uma aldeia surgir em sua imaginação não é mera coincidência, como na introdução "O Vilarejo do Rei"). O excelente vocal de Charles Arce acompanha muito bem todo o exuberante ritmo instrumental, já que o adapta de acordo com a passagem, explorando vocais mais médios e arrastados em passagens de calmaria, e elevando para tons altos e um fundo de drive quando o instrumental ou a letra exigem mais empenho. Os backing vocals inteligentemente inseridos pontualmente em alguns fins de frase deixam a coisa ainda mais bonita.
Impossível não comentar sobre o destacamento dos solos, pois são maravilhosos, exibindo muita criatividade e técnica. Algumas vezes são até prolongados, até porque, sim, as canções são longas. Toda a qualidade é realçada por uma excelente produção que pôs os instrumentos claros e pesados.
O disco conta com sete faixas com uma média de uns 7 minutos de duração. Entretanto, isso não pode ser problema. Vai por mim: você não sente esse tempo passando, mesmo em uma canção mais longa como "Navio Fantasma" e seus 10 minutos, ou a totalmente instrumental e rica em solos "Avalon", de quase 9. Não é um trabalhando maçante, até porque o tempo total é de 48 minutos. A competência desses caras é tão sólida como metal, e tão forte quanto a força de um guerreiro. Vale o repeat.
Esse trabalho foi lançado junto da Atitude Records e distribuído no Brasil e no México com uma prensagem inicial de apenas 1000 cópias. Quase todas foram rapidamente vendidas.
Atualmente o conjunto está trabalhando em um novo álbum de estúdio, bem como em um videoclipe, que não devem demorar tanto para sair. Shows também estão sendo realizados com alguma frequência.
Não tenha dúvidas de que o som é merecedor de atenção e as letras em português não causam estranheza. Caso esteja com expectativas baixas, ficará ainda mais deliciado. E se você gosta de um som tradicional e tem saudade de uma banda que o execute de forma respeitável hoje em dia, o Cavaleiro Dragão sacia a sede. Ao ouvir, desembainhe a sua espada e prepare-se para lutar e derrotar um maligno dragão!


 Cavaleiro Dragão (2012)

01 - O Vilarejo do Rei
02 - O Grande Guerreiro
03 - Dragão da Noite
04 - Navio Fantasma
05 - Avalon
06 - Em Nome do Reino
07 - O Rei


terça-feira, 21 de julho de 2015

Dissection - Discografia

O início dos anos 90 foi marcado por ser a aurora de diversas remodelagens em determinados segmentos da música pesada. No mainstream, o Grunge ganhava destaque. No underground, o Power Metal embalava, o Melodic Death Metal dava seus primeiros passos... O Black Metal também não transcorreu intacto aquele princípio de década, que também trouxe revisões na forma como se toca o gênero. Embora tenha nome digno de uma banda de Death Metal, o Dissection foi um dos melhores exemplos de conjuntos que esticaram as fronteiras do que é possível fazer com o Black Metal, aplicando melodia e cadência ao ritmo pegado e elementos até então incomuns, como violões, resultando no Melodic Black Metal. A experiência é única e justifica o porquê desses suecos colecionarem fãs que se inflam de respeito ao falar deles até os dias de hoje, e até mesmo se aprofundam em suas esotéricas mensagens. Claro, como muitas bandas escandinavas de estilos extremos - principalmente das primeiras ondas -, o Dissection também carrega polêmicas ocultistas em sua bagagem, e, para variar, encontra seu fim com o suicídio do líder Jon Nödtveidt.
Assim como incontáveis outros conjuntos, o Dissection nasceu a partir da dissolução de outras bandas. A primeira era o Siren's Yell, que executava Thrash Metal e havia sido fundada em 1988 na cidade sueca de Strömstad. A formação era um quarteto dividido em Peter Palmdahl no vocal, Jon Nödtveidt na guitarra e vocal de apoio, Mattias "Mäbe" Johansson no contra-baixo e Ole Öhman nas baquetas. Juntos, lançaram uma única demo ainda no ano de formação, antes de encerrarem o projeto em 1989.
Com isso, Jon Nödtveidt ingressou como guitarrista no Rabbit's Carrot, outra banda de Thrash Metal da cidade que vinha em atividade desde 1987 e tinha Mäbe na outra guitarra e Ole Öhman na bateria. No entanto, Nödtveidt e Öhman não se sentiam à vontade, uma vez que desejavam escrever um material mais pesado e obscuro. Chegaram até a compôr músicas juntos no local de ensaio, mas os demais membros não aceitaram por sentirem que aquilo não era Rabbit's Carrot. A incompatibilidade de ideias levou à saída de ambos.
Afim de praticar as próprias e extremas ideias, Nödtveidt fundou o Dissection no segundo semestre de 1989 ao lado de Peter Palmdahl, dos tempos de Siren's Yell.  Na nova banda, Nödtveidt dividia as atenções entre vocal e guitarra, enquanto Palmdahl agora era baixista ao invés de vocalista. O line-up foi fechado no ano seguinte com a convocação de Ole Öhman na bateria. Como um trio, lançaram em abril a demo "Severing Into Shreds" e a distribuíram para fanzines underground do mundo inteiro para divulgar um trabalho que eles mesmos já julgavam ser diferente de tudo e que faria impacto na cena. Enquanto isso, preparavam-se para apresentações ao vivo com o recrutamento de Mäbe (que agora estava no Nosferatu) como guitarrista de apoio ao vivo. O primeiro show aconteceu em outubro, abrindo para o Entombed.
Em 1991 foi a vez da demo "The Grief Prophecy" sair, trazendo três faixas e apresentando arte assinada por Necrolord, que seguiria desenhando para a banda na maioria dos futuros trabalhos. Após o lançamento, o guitarrista John Zwetsloot chegou para solidificar de vez a formação e imediatamente começaram a se apresentar ao vivo com ele. À medida que shows aconteciam e a demo se espalhava, boas críticas eram colhidas, o que consequentemente chamou a atenção da Corpsegrinder Records, selo com o qual firmaram o primeiro contrato para a gravação de um único trabalho.
Por volta dessa época, em abril de 1991, Dead, front-man do Mayhem, cometeu seu histórico suicídio. Em tributo à ele e sua banda, o Dissection tocou um cover de "Freezing Moon" durante um show dias depois em Falkenberg, na Suécia, e lançou uma versão não-oficial da demo "The Grief Prophecy" com uma capa desenhada por Dead.
Voltando as atenções para suas próprias composições, os suecos lançaram, sob a tutela da gravadora francesa, outra demo mais tarde, em setembro, intitulada "Into Infinite Obscurity". Limitada em 1000 cópias, ela trás três novas faixas de um frio Black Metal.
O ano foi encerrado com a participação de Nödtveidt e Öhman tocando "Freezing Moon" em um concerto de Black Metal na Noruega, organizado por Euronymous (Mayhem) e seu negro Inner Circle, no qual Nödtveidt havia ingressado.
Virando a página para 1992, outra demo foi gravada e lançada de forma independente. Com quatro faixas, "The Somberlain" novamente teve boa repercussão e críticas, chamando a atenção de gravadoras. Eventualmente assinaram um contrato de um álbum com a No Fashion Records, possibilitando o lançamento do álbum debut também nomeado "The Somberlain" em dezembro de 1993.
Gravado e mixado no Hellspawn/Unisound Studio por Dan Swanö (Nightingale, ex-Edge of Sanity e Bloodbath), esse maravilhoso trabalho foi dedicado a Euronymous, que havia sido assassinado mais cedo naquele ano. O disco se mostra capaz de preservar as tradicionais características que fazem do Black Metal o que é, e ainda repaginá-lo com riffs bem desenhados e variantes que afastam a sonoridade da linearidade. A atmosfera é de Black Metal tradicional, com riffs crespos, bateria seca e um frio vocal gutural rasgado mais próximo do fechado, e isso se mantém mesmo nas passagens mais cadenciadas e de arranjos mais rítmicos e menos riffados. Violões também são explorados, mas muito pontualmente, emergindo no fim de alguma canção ou, mais frequentemente, nos interlúdios estrategicamente encaixados no decorrer do trabalho. Alguns solos também aparecem cá e lá, mas com timidez. Em suma, o que é executado aqui é uma até então incomum formulação do rótulo que pode ser considerada Melodic Black Metal, mas que ainda não se desgarra completamente de suas negras raízes.
O ano de 1994 foi marcado pela troca de guitarristas. Devido à falta de comprometimento de John Zwetsloot, que não comparecia aos ensaios e os fazia ter de cancelar shows, a banda foi obrigada a demiti-lo e imediatamente contratar Johan Norman, do Satanized (projeto que Nödtveidt estava envolvido na época). Com novo vigor, voltaram a realizar raivosos concertos e iniciaram o processo de composição do segundo álbum de estúdio.
Dessa forma, após fechar com a poderosa Nuclear Blast Records, lançaram em novembro de 1995 o fodaço álbum "Storm of The Light's Bane". Certamente, trata-se de um álbum mais inflado mesmo reproduzindo atmosfera semelhante ao anterior, já que o Black Metal é tocado de forma mais energética, com mais violência (principalmente devido à excelente performance da bateria de Ole Öhman) e o lado melódico também apresenta avanços, porém, um tanto mais impregnado em meio ao caos. Apesar da maturidade ser notada, o disco foca mais na porradaria e algumas vezes em vocais um tanto teatrais, enquanto os interlúdios que tanto marcaram "The Somberlain" desaparecem e os violões brotam com bem menos frequência durante as canções. A alteração de postura chegou aos solos, que mais são arranjos que casam com os riffs do que dignamente solos que roubam a cena. Mas isso não é uma crítica totalmente negativa, já que são muito bons. O disco encerra com um Outro à base de piano que transmite tristeza e quebra completamente o furioso ritmo do álbum.
Após a gravação, shows foram realizados pela Suécia e até mesmo uma rápida turnê de três dias pelo Reino Unido ao lado do Cradle of Filth aconteceu. Poucos meses antes do lançamento de fato, o baterista Ole Öhman deixou o grupo e foi substituído por Tobias Kellgren (ex-Satanized), que tocou ao vivo pela primeira vez numa abertura para o Morbid Angel em Gothenburg, em outubro de 1995.
Ainda no fim do ano, Nödtveidt e Norman entraram na recém-formada Misanthropic Luciferian Order (MLO), uma organização satânica sueca similar ao Inner Circle norueguês.
Após o lançamento, uma turnê com muitas datas foi realizada, passando por toda a Europa no fim do ano, e expandindo para os Estados Unidos, até que voltaram para mais uma perna europeia, encerrando a turnê em 1997 com uma aparição no Wacken Open Air, que foi gravada e lançada pela Nuclear Blast mais tarde, em 2003, sob o nome "Live Legacy".
Durante a turnê mundial - que os deu o privilégio de dividir os palcos com bandas como Darkthrone, SatyriconAt The Gates, In Flames, Dimmu Borgir e Cradle of Filth -, lançaram em 1996 o EP "Where Dead Angels Lie", contendo versões de estúdio e demo da faixa-título, outras gravações demo e covers de "Elizabeth Bathory", do Tormentor, e "Antichrist", do Slayer.
O Dissection estava decolando. As marcações na agenda aumentavam, novos fãs eram rapidamente conquistados, tinham contrato com a Nuclear Blast... tudo estava dando certo. Mas para a banda. Para os seres humanos que a compunham, a história era outra. Desentendimentos aconteciam com frequência, que provocaram a saída do baixista de longa data Peter Palmdahl. Sua vaga foi temporariamente ocupada por Emil Nödtveidt, irmão de Jon Nödtveidt, para as apresentações nos festivais de verão. Contudo, mais polêmicas irromperam após os festivais devido ao desaparecimento do guitarrista Johan Norman, que sumiu por vários meses sem dar notícias. Mais estranhamente ainda, o baterista Tobias Kellgren tinha contato frequente com ele durante todo esse tempo, mas afirmava não saber de nada. Acabou que o desenrolar dessa história era que Norman havia traído a Misanthropic Luciferian Order e temia por uma vingança da organização. O temor era fortalecido pelo fato de Nödtveidt também fazer parte do círculo. Por isso, saiu do Dissection, deixando o vocalista como único membro remanescente. Novos músicos foram recrutados e datas no Studio Fredman foram marcadas para a gravação de um suposto terceiro álbum, o que infelizmente não aconteceu tão cedo. Isso porque no dia 18 de dezembro de 1997, Nödtveidt e Vlad, iraniano companheiro do MLO, foram presos pelo assassinato de um homossexual de 37 anos em meados daquele ano. O músico foi condenado a 10 anos de prisão, resultando na dissolução do Dissection. Para realçar as grandes canções contidas nos álbuns até então lançados, a Necropolis Records lançou a compilação "The Past Is Alive (The Early Mischief)" no mesmo ano.
Nödtveidt não cumpriu cem por cento da pena. Foi solto em 2004 e estava um cara totalmente mudado, com ideais ocultistas plenamente aguçados e muita vontade de pôr em prática toda a energia negra. Assim que sentiu os ares da liberdade, reativou o Dissection e convocou apenas membros que compactuavam com o conceito satanista da banda. Com formação agora composta por Jon Nödtveidt no vocal e guitarra, Set Teitan na outra guitarra, Brice Leclercq no contra-baixo e Tomas Asklund na bateria, o quarteto se apresentou extensivamente para divulgar o renascimento, e lançou a single "Maha Kali", demonstrando que o som estava mais vivo que nunca, apesar de mais melódico.
Brice Leclercq chegou a sair em 2005, mas continuou quebrando um galho para a banda e inclusive gravou as linhas de baixo do vindouro álbum.
Após dedicado trabalho na composição de novo material, lançaram através de seu próprio selo e em associação com a The End Records, o terceiro, emblemático e controverso disco de estúdio, chamado "Reinkaos". Muito embora uma grande mudança tenha acontecido na sonoridade - que agora é calcada no Melodic Death Metal -, esse disco tem conteúdo lírico mais obscuro que nunca. A intenção era muito mais praticar magia negra através da música do que fazer música em si. Mesmo assim, as canções estão muito bem trabalhadas, ao mesmo tempo em que são estruturadas com simplicidade. É irônico como, apesar do pesado e ortodoxo conteúdo lírico, a sonoridade está mais leve, melódica e até feliz, animada.
As letras seguem fielmente os ensinamentos da antiga Misanthopic Luciferian Order, agora conhecida como Temple of The Black Light, e contém a magical formulae retirada do livro "Liber Azerate", o primeiro de onze livros da organização que têm como objetivo difundir o satanismo de forma sistemática e embasada em ideais anti-cósmicos, de retorno ao caos.
Instrumentalmente, o trabalho tem grande participação melódica da guitarra solo, com frequentes arranjos solados e uma guitarra base bem rítmica, percussiva. Aliadas à uma bateria que dessa vez apenas faz o dever de casa, acabaram por gerar um álbum bastante acessível e à caráter das demais bandas suecas do gênero, como Carcass e Arch Enemy. Até mesmo o vocal de Nödveitdt se mostra diferente, uma vez que saiu do gutural rasgado e enfincou em algo mais grave e rosnado. O trabalho é bom pra caralho, principalmente pra quem gosta de Melodic Death Metal, mas não pode ser ouvido tendo como parâmetro os dois álbuns anteriores, que faziam um Melodic Black Metal ainda muito purista. São duas fases diferentes. Muitos criticam a leveza do disco, mas ele deve ser ouvido como ele foi feito para ser, já que Nödtveidt não estava disposto a, 11 anos após "Storm of The Light's Bane", fazer a mesma coisa e limitar a criatividade.
Em maio daquele ano de 2006, a banda anunciou que faria uma pequena turnê e então encerrariam suas atividades. Duas datas estavam marcadas para os Estados Unidos, mas tiveram de ser canceladas pois a entrada de Nödtveidt no país foi negada devido ao fato de ser ex-detento. Então acabaram por se apresentar apenas na Europa. Com o fim do Dissection, os membros remanescentes passaram a se dedicar a novas bandas, também estabelecendo os ideais da Temple of The Black Light como referência.
Pouco depois, em agosto, um incidente pôs fim de uma vez por todas em qualquer chance futura de a banda retomar as atividades. Isso porque, no dia 16, Jon Nödtveidt cometeu suicídio. Segundo a mídia local, uma Bíblia satanista foi encontrada diante de seu cadáver. Mais tarde seria revelado que o livro era na verdade uma cópia do "Liber Azerate", que foi escrito por Frater Nemidal, líder da Misanthropic Luciferian Order (ou Temple of The Black Light).
O Dissection é uma banda que sem dúvidas é muito interessante não apenas sonora, mas também liricamente. Vale a pena se aprofundar em seus ideais, se não concordando, pelo menos para entendimento e expansão do conhecimento. Entender a mensagem o deixa imerso na sonoridade e seus propósitos, algo que considero essencial para melhor degustação dos trabalhos de uma banda.


 The Grief Prophecy (Demo) (1991)

01 - Intro/Severed Into Shreds
02 - The Call of The Mist
03 - Consumed


 Into Infinite Obscurity (Demo) (1991)

01 - Shadows Over A Lost Kingdom
02 - Son of The Mourning
03 - Into Infinite Obscurity


 The Somberlain (1993)

01 - Black Horizons
02 - The Somberlain
03 - Crimson Towers
04 - A Land Forlorn
05 - Heaven's Damnation
06 - Frozen
07 - Into Infinite Obscurity
08 - In The Cold Winds of Nowhere
09 - The Grief Prophecy/Shadows Over A Lost Kingdom
10 - Mistress of The Bleeding Sorrow
11 - Feathers Fell

Bonus CD:
01 - Frozen (Live 1995)
02 - The Somberlain (Live 1995)
03 - Shadows Over A Lost Kingdom
04 - Son of The Mourning
05 - Into Infinite Obscurity
06 - Frozen
07 - In The Cold Winds of Nowhere
08 - Feathers Fell
09 - Mistress of The Bleeding Sorrow
10 - The Call of The Mist
11 - Severed Into Shreds
12 - Satanized
13 - Born In Fire


 Storm of The Light's Bane (1995)

01 - At The Fathomless Depths
02 - Night's Blood
03 - Unhallowed
04 - Where Dead Angels Lie
05 - Retribution: Storm of The Light's Bane
06 - Thorns of Crimson Death
07 - Soulreaper
08 - No Dreams Breed In Breathless Sleep

Bonus CD:
01 - At The Fathomless Depths (Unreleased Alternative Mix '95)
02 - Night's Blood (Unreleased Alternative Mix '95)
03 - Unhallowed (Unreleased Alternative Mix '95)
04 - Where Dead Angels Lie (Unreleased Alternative Mix '95)
05 - Retribution- Storm of The Light's Bane (Unreleased Alternative Mix '95)
06 - Feathers Fell (Unreleased Alternative Mix '95)
07 - Thorns of Crimson Death (Unreleased Alternative Mix '95)
08 - Soulreaper (Unreleased Alternative Mix '95)
09 - No Dreams Breed In Breathless Sleep (Unreleased Alternative Mix '95)
10 - Night's Blood (Unreleased Demo '94)
11 - Retribution: Storm of The Light's Bane (Unreleased Demo '94)
12 - Elisabeth Bathory (Tormentor Cover) (Where Dead Angels Lie MCD '96)
13 - Where Dead Angels Lie (Demo) (Where Dead Angels Lie MCD '96)
14 - Antichrist (Slayer Cover) (Where Dead Angels Lie MCD '96)
15 - Son of The Mourning (Where Dead Angels Lie MCD '96)


 Where Dead Angels Lie (EP) (1996)

01 - Where Dead Angels Lie (Demo Version)
02 - Elizabeth Bathory (Tormentor Cover)
03 - Antichrist (Slayer Cover)
04 - Feathers Fell
05 - Son of Mourning
06 - Where Dead Angels Lie (Album Version)


 The Past Is Alive (The Early Mischief) (Compilation) (1997)

01 - Shadows Over A Lost Kingdom
02 - Frozen
03 - Feathers Fell
04 - Son of The Mourning
05 - Mistress of The Bleeding Sorrow
06 - In The Cold Winds of Nowhere
07 - Into Infinite Obscurity
08 - The Call of The Mist
09 - Severed Into Shreds
10 - Satanized
11 - Born In Fire
12 - Where Dead Angels Lie (Bonus Track)
13 - Elizabeth Bathory (Tormentor Cover)


 Live Legacy (Live) (2003)

01 - At The Fathomless Depths
02 - Retribution: Storm of The Light's Bane
03 - Unhallowed
04 - Where Dead Angels Lie
05 - Frozen
06 - Thorns of Crimson Death
07 - The Somberlain


 Reinkaos (2006)

01 - Nexion 218
02 - Beyond The Horizon
03 - Starless Aeon
04 - Black Dragon
05 - Dark Mother Divine
06 - Xeper-I-Set
07 - Chaosophia
08 - God of Forbidden Light
09 - Reinkaos
10 - Internal Fire
11 - Maha Kali


 Starless Aeon (Single) (2006)

01 - Starless Aeon (Album Version)
02 - Xeper-I-Set (Album Version)
03 - Starless Aeon (Instrumental Version)


 Live In Stockholm 2004 (Live) (2009)

01 - At The Fathomless Depths
02 - Night's Blood
03 - Frozen
04 - Soulreaper
05 - Where Dead Angels Lie
06 - Retribution: Storm of The Light's Bane
07 - Unhallowed
08 - Thorns of Crimson Death
09 - Heaven's Damnation
10 - In The Cold Winds of Nowhere
11 - The Somberlain
12 - A Land Forlorn


 Live Rebirth (Live) (2010)

CD 1:
01 - Intro: At The Fathomless Depths
02 - Night's Blood
03 - Frozen
04 - Maha Kali
05 - Soulreaper
06 - No Dreams Bread In Breathless Sleep
07 - Where Dead Angels Lie
08 - Retribution: Storm of The Lights Bane

CD 2:
01 - Unhallowed
02 - Thorn of Crimson Death
03 - Heaven's Damnation
04 - Elizabeth Bathory
05 - In The Cold Winds of Nowhere
06 - The Somberlain
07 - A Land Forlorn


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Yossi Sassi - Discografia

Por trás de uma grande banda, sempre há um grande artista. Uma mente-mestra de estilo único dotando da perfeita visão do que se deve fazer e onde chegar. Alguém que à medida que evolui, visualiza as diretrizes musicais com tanta clareza que chega a ser intuitivo e, em combinação com o talento singular em tocar instrumentos, dá vida a projetos fabulosos e até mesmo revolucionários. Atributos impressionantes, certamente, mas são apenas alguns dos muitos que o multi-instrumentista e produtor israelense Yossi Sassi possui.
Talvez seu nome não seja familiar entre os fãs de Metal ao redor do mundo, mas a maioria já, no mínimo, ouviu falar de seu maior e mais consistente trabalho: o Orphaned Land.
A banda - que é consolidada no cenário e ainda cresce exponencialmente - é o mais conhecido exemplo da perspicácia e inteligência musical de Yossi, já que ele foi o principal compositor, arranjador, além de co-fundador, ao lado do vocalista Kobi Farhi. Infelizmente, após 12 anos de estrada, o guitarrista deixou o conjunto em 2014, mas seu legado permanece através de grandes obras.
Atualmente o instrumentista foca em sua carreira solo que, ao contrário do que muitos pensam, começou ainda nos tempos de Orphaned Land. A exemplo da banda principal, a "elementação" árabe (definida também como Oriental Rock) é uma constante e compõe uma sonoridade que acopla também Folk e principalmente Progressive Rock. É de se esperar que o clima árabe o acompanhe aqui, afinal, esse é o seu maior diferencial, já que é conhecido e respeitado por ser pioneiro, revolucionar e constantemente aprimorar essa fusão entre música oriente-mediterrânea e Rock.
Yossi Sassi nasceu no dia 5 de fevereiro de 1975 em Petah Tikva, Israel. Fruto do casamento de um bombeiro e uma dona de casa, vem de uma família onde todos são familiarizados com o mundo da música. Seu pai, Yossef Sassi, é um entre dez irmãos e irmãs e todos sabem tocar algum instrumento ou cantar, ou até ambos. O primeiro passo de Yossi na música foi dado aos sete, quando aprendeu a tocar flauta. Mais tarde seria integrante do coral da escola, até que se apaixonaria pela guitarra durante uma visita ao tio aos 14 anos. Então ele a conseguiu emprestada e passou a frequentar algumas aulas para aprender. Afobado, decidiu deixar de prestar aulas e desenvolver suas habilidades sozinho. Para isso, praticava de oito a dez horas por dia ao longo de anos.
Já em 1992, aos 17 anos, abandonou o Ensino Médio para focar integralmente na banda que estava formando junto a um amigo. Essa banda era o Orphaned Land. Através dela Yossi lançaria cinco álbuns ao longo de 12 anos, onde refinaria suas habilidades, moldaria sua técnica, malharia a criatividade e alcançaria o respeitado status de virtuoso, com elogios de peso vindo de grandes revistas especializadas e nomes como Joe Satriani, Marty Friedman (ex-Megadeth e Cacophony), Steven Wilson (Porcupine Tree), Dave Lombardo (ex-Slayer), Metallica, entre outros, com os quais até dividiria os palcos. Isso sem mencionar a positiva imagem moral, uma vez que o Orphaned Land tem a missão de unificar os povos das três maiores religiões do mundo através da música, transmitindo mensagens de paz e igualdade.
Com a capacidade de tocar 17 tipos diferentes de guitarras, violões e suas variantes tradicionais, fica claro que o israelense tem uma pesada bagagem de experiência que justifica os títulos e reconhecimento. E, claro, um músico assim cedo ou tarde buscaria uma carreira solo.
Isso aconteceu de fato em Tel Aviv, em 2011, quando começou a idealizar e projeto e recrutar músicos para compôr a formação. Contando com Ben Azar na guitarra base, Uri Shamir no baixo e Shay Ifrah nas baquetas, a primeira amostra dessa união entre Progressive e Oriental Rock saiu em março de 2012 através da End of Light Records: o debut "Melting Clocks". Trabalho excelente, como é de se esperar. É um disco leve e diversificado onde uma gama de recursos e influências brotam aqui e ali o tempo todo sutilmente. Essa diversidade tem como argumento a ilimitação de rótulos, já que Progressive Rock, Jazz, Blues, Oriental Rock e Folk podem ser inteligentemente notados no decorrer do trabalho, surgindo separadamente ou em inteligentes mesclas. Especialmente o Folk/Oriental tem a particularidade da exploração de diferentes instrumentos tradicionais como oud, saz, chumbush, bouzouki, teclados e violões de nylon, aço e sete cordas, tornando a instrumentação ainda mais convidativa.
Embora seja um disco majoritariamente instrumental, músicas cantadas também integram o set - e, sim, cantadas por ele mesmo. "Ain't Good Enough", "Sahara Afternoon" e "Simple Things" demonstram que Yossi também leva jeito com a voz e adota diferentes posturas vocais de acordo com o momento. Quando o andamento está mais árabe, o vocal é mais nasal e trêmulo, enquanto numa passagem mais Jazz, por exemplo, a voz se adapta e se torna mais alta e prolongada. Em outras canções como "The Calling: Rush Hour" e "Numbers World", a voz de Yossi também pode ser notada, mas apenas breve e narrativamente.
Participações especiais completam o time nesse álbum, com músicos emprestando suas habilidades nos violinos, piano, percussão, flautas. Entretanto, os mais notáveis são a vocalista Marina Maximilian Blumin, que canta em "Melting Thoughts", e o ilustre Marty Friedman, que contribui com sua guitarra ao longo do trabalho.
Após reajustes na formação provocados pela saída do baixista Uri Shamir para a entrada de Or Lubianiker e efetivação do percussionista Roei Fridman, é lançado, dois anos mais tarde, o segundo álbum de estúdio, intitulado "Desert Butterflies", agora pela Verycords Records. Superior ao antecessor, esse registro é ainda melhor trabalhado e mais imersivo, com a atmosfera árabe mais presente e arranjos mais sofisticados. É possível traçar paralelos com o álbum "All Is One" do Orphaned Land, lançado em 2013, pois determinados trechos lembram quase com exatidão. Isso não é estranho, já que ambos os álbuns foram compostos na mesma época e as ideias estavam frescas na cabeça de Yossi. O Progressive Rock e o Folk são os estilos mais constantes, enquanto o Jazz é afastado, resultando em um disco que pura viagem às areias do deserto. A variedade de instrumentação novamente justifica parte da imersão através de instrumentos a cargo de Yossi como como bouzouki, charrango, bağlama saz, oud e teclados, sem mencionar os adicionais utilizados por membros de sessão como violinos, piano, órgão Hammond, kanun, sitar, ney, e os coros tradicionais que enriquecem o aspecto desértico.
Dessa vez, o israelense trouxe um álbum mais focado no instrumental, ao contrário de "Melting Clocks", que embora também seja, passagens cantadas surgem com frequência. Em "Desert Butterflies", apenas duas canções são cantadas: "Cocoon", pelo próprio Yossi Sassi, e "Believe", que estrela a italiana Mariangela Demurtas, do Tristania. Além dela, Marty Friedman volta a participar, mas apenas na guitarra principal da primeira faixa, "Orient Sun". Sem dúvidas é um trabalho impecável e digno do repeat. Leva-o a se afundar na irresistível sonoridade e querer permanecer no clima após o fim da execução.
Já em janeiro de 2015 chegou a single "Once", em parceria com o músico israelense Michael Kobrin, cujo debut "Searching" foi produzido por Yossi Sassi.
Como esperado de alguém tão talentoso, Yossi Sassi também acumula grandes elogios, premiações e curiosidades, como a votação de "Top Newcomer of 2012" pelos leitores da revista Rock Hard, quatro premiações em "Peace and Friendship Awards" por cidades e governos, e até mesmo a invenção de um novo instrumento: a bouzoukitara, que é basicamente uma combinação entre a guitarra elétrica e o bouzouki acústico. O instrumento pode ser notado em suas mãos nas fotos dessa postagem.
Por mais que a maioria não ouça trabalhos instrumentais com frequência, os discos de Yossi Sassi são destacáveis e merecem muito os ouvidos do público, ainda mais se você for do tipo fã de cultura árabe e do Orphaned Land. A sonoridade é muito bem estruturada e ornamentada, o que, aliados à experiência do músico, resulta em alto nível.


 Melting Clocks (2012)

01 - Drive
02 - Fields of Sunrise
03 - The Calling: Rush Hour
04 - Numbers World
05 - Melting Thoughts
06 - Another Day In The Office
07 - Ain't Good Enough
08 - The Routine
09 - Sahara Afternoon
10 - Sunset
11 - Simple Things
12 - Melting Clocks


 Desert Butterflies (2014)

01 - Orient Sun
02 - Fata Morgana
03 - Neo Quest
04 - Azadi
05 - Believe
06 - Desert Butterfly
07 - Inner Oasis
08 - Shedding Soul
09 - Jason's Butterflies
10 - Azul
11 - Cocoon
12 - Palm Tree Road

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

 Once (Single) (2015)

01 - Once

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Thobbe Englund - Discografia

Bandas são coisas sensacionais: um número de indivíduos trabalhando juntos e tocando instrumentos ao mesmo tempo e de forma organizada, falando a mesma língua musical em perfeita sincronia. Não é lindo?
Pode ser lindo, mas também é trabalhoso, além de ambicioso. Embora a música criada por esses profissionais provoque diferentes e prazerosas sensações no ouvinte, estar dentro de uma banda também é desafiador. Nem sempre se tem a liberdade de fazer o que quer, pois uma banda é como um único organismo que tem vida e identidade próprias. Por isso os integrantes geralmente procuram escrever aquilo que define o que a banda é. Ou então a criação fica restrita a apenas um ou dois membros, o que torna os demais apenas músicos que tocarão o que outros comporão.
Nem sempre isso é necessariamente ruim. Há casos e casos nesse tipo de assunto. Pode tanto ser uma relação pacífica quanto não, mas uma coisa é certa: na maioria das vezes um músico quer ter seu próprio negócio. Fazer algo a seu gosto, com liberdade, fora das bandas principais, seja para exercitar a criatividade, passar o tempo ou até mesmo para investir seriamente e fazer seu nome individualmente no cenário.
Thorbjörn Englund é um engenheiro de som, produtor musical, vocalista e multi-instrumentista sueco que também lança seus próprios trabalhos solo paralelamente. Eles são instrumentais e têm muita qualidade, diga-se de passagem.
O sueco ficou melhor conhecido quando, em 2012, passou a ser um dos guitarristas do elenco do Sabaton, banda de Power Metal oriunda do mesmo país e certamente uma das minhas preferidas. Nascido em 13 de agosto de 1979 na cidade de Luleå, no condado de Norrbotten, o músico fez parte de algumas bandas ao longo dos anos, como Endomorph, Pavlovian Dogs e Star Queen, mas suas habilidades ficaram melhor conhecidas mesmo no Winterlong, onde era guitarrista, baixista em estúdio e também vocalista no álbum mais recente, intitulado "Metal/Technology", de 2006.
Aliás, foi em 2006 mesmo que sua carreira solo surgiu. Trabalhando sozinho em todos os instrumentos e também na produção, inaugurou a discografia com o álbum "Influences" naquele ano, lançado via Lion Music Records. É um típico trabalho instrumental calcado em um Heavy Metal melódico com determinadas pitadas de Hard Rock e principalmente Power Metal. Como esperado para esse tipo de proposta, o principal instrumento é a guitarra, que sobrepõe a base com felizes solos de técnica e harmonia. Teclados também chegam a solar em dueto com a guitarra, como em "Demonica", mas a participação do instrumento é geralmente mais restrita à timidez do background.
"Influences" é um álbum de 16 faixas, mas apenas 38 minutos de duração. É tão rápido quanto é bom. Dota de diversas faixas pequenas ou interlúdios, sendo "A Flame of Flamenco" e "Beautiful Beyond" duas das mais interessantes, já que trazem um pouco de diversidade com a beleza de um violão bem tocado na primeira e a calmaria e suavidade de teclado em efeito de piano na segunda.
O tempo foi passando ligeiro e parecia que nada mais seria lançado. Apenas nove anos mais tarde, com o guitarrista agora conhecido pelo nome artístico Thobbe Englund, outro álbum viria à luz. Em meio aos afazeres com o Sabaton e extensivas turnês, arranjou tempo para trabalhar sozinho e lançar o álbum "From The Wilderness", em 2015, através do mesmo selo do anterior.
Sem dúvidas, a diferença é bastante sensível. Os anos de acúmulo de experiência apuraram as habilidades e criatividade de Thorbjörn, gerando um lindo álbum de Power Metal cujos solos por vezes demonstram virtuosismo, ou o mais profundo dos feelings, tocando seu coração. A atmosfera é mágica, encantada, característica herdada de sintetizadores e básicas orquestrações que efetivamente participam da sonoridade. Por mais que a guitarra continue sendo a estrela, ela frequentemente divide os holofotes com teclados em efeito de piano e os demais efeitos sintéticos que tornam esse trabalho mais complexo, melhor composto e, claro, brilhante. Quanto mais se ouve, mais imersivo se torna. Quando se dá conta, já está na mesma sintonia das canções, deixando-se levar pelo epicismo que é implantado. Tudo é bem arquitetado e elementos variados se encaixam aqui e ali, ou até em canções. inteiras. Por exemplo, "Eternal Struggle" tem vocais líricos apoiando a sonoridade na segunda metade, enquanto "Vargens Öde" aposta totalmente no ambientalismo, transmitindo à sua mente imagens de um reino mágico. Mas ao contrário do clima homogêneo apresentado em todo o álbum, a faixa bônus "Fingerspitzengefühl" já ressalta na maior parte do tempo uma postura Hard Rock intensificada pelo fato de ser cantada por vocais típicos cheios de drive. Com isso, Thorbjörn volta a apresentar um registro de seu excelente vocal, algo que não acontecia desde os tempos do Winterlong.
O tempo de duração é praticamente o mesmo do álbum anterior, porém, o fato de ter menos canções e delas durarem mais prolonga o efeito emocional provocado. Após ouvi-lo, provavelmente preferirá permanecer no clima e procurará outra coisa no mesmo calibre para ouvir.
Até agora, Thorbjörn (ou Thobbe, como queira) lançou ótimos trabalhos e já que seus acessos estão mais facilitados pelo fato de fazer parte de uma banda em rápida ascensão como o Sabaton, pode ser que novos trabalhos sejam concretizados no futuro, com mais celeridade. Nem todos nutrem grande estima por álbuns instrumentais, mas ainda assim eles são belas alternativas de variedade em uma playlist, em especial quando feitos com qualidade como o sueco faz.


 Influences (2006)

01 - Jesus Stole My Harley
02 - Heart of Fire
03 - Demonica
04 - Siberian Nights
05 - Winds of Change
06 - Wicked Child
07 - Walking On The Edge
08 - A Flame of Flamenco
09 - Flying
10 - Princess Lane
11 - Notes From The Dark Side
12 - Devilina
13 - W.A.M. Goes Electric
14 - The Abyss
15 - Beautiful Beyond
16 - Vikings' Tomb


 From The Wilderness (2015)

01 - Wildborn
02 - Stormy Nights
03 - A Lonely Hunter
04 - Life From Death
05 - Justice of Nature
06 - Hunting Under A Blood Red Moon
07 - Surviving
08 - Eternal Struggle
09 - Vargens Öde
10 - Fingerspitzengefühl (Bonus Track)

Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Attick Demons - Discografia

O que é aquilo? É um pássaro? É um avião pilotado pelo Bruce Dickinson? Não! É uma banda que voa alto com uma excelente sonoridade interpretada por um vocalista de timbre idêntico ao do frontman do Iron Maiden: o Attick Demons!
A forma como eu e provavelmente muitos outros a conhecemos é deplorável. A similaridade do som desses portugueses com o Iron Maiden (que é de fato sua principal referência) leva a brincalhões na internet pegarem músicas deles e soltarem como se fossem novas singles da banda inglesa. Foi numa dessas que o trouxa aqui caiu, afinal, tem vezes que músicas reais vazam antes da hora. Com o timbre de Artur Almeida praticamente clonado de Bruce e uma sonoridade que se encaixaria perfeitamente no set de álbuns como "Dance of Death", nem passou pela minha cabeça contestar a autenticidade do material. Contudo, em meio à apresentação da "nova canção", veio à tona que, na verdade, a música era "City of Golden Gates", do Attick Demons. Lado ruim? A música incrível não era da minha banda preferida. Como disse meu pai, que também se impressionou com a similaridade, "não é Iron Maiden mas é Artur 'Almeiden'". Lado bom? Ganhei a oportunidade de conhecer uma excelente banda de nossos irmãos lusitanos. Há males que vêm para o bem!
Com raízes criadas no ano de 1998 em Almada, as comparações com a Donzela surgiam já desde cedo, não apenas pelo timbre do vocalista mas também pelo Heavy Metal tradicional que executavam. No início era irritante para os membros, porém, com o tempo, acabaram se acostumando e até gostando. Segundo eles, não é culpa de Artur que a voz seja parecida com a de Bruce. É a voz dele mesmo. Nada forçado. Okay, mas a influência também é inegável, não é? A coisa é tão Maiden que há até mesmo três guitarristas na formação!
Inicialmente as comparações incomodavam tanto que na gravação do EP-demo autointitulado, lançado em 2000, o Artur tentou cantar com voz diferente, mas ficou um pouco estranho, ainda mais junto da crua sonoridade tradicional executada. Então optaram por ignorar as relações e permitir o curso natural das coisas. Mesmo com o estilo Old School, a sonoridade era sustentada por teclados no fundo, que davam um ar um pouco mais épico. Isso acabaria por influenciar o som em direção ao Power Metal, sem necessariamente se desgarrar das raízes.
Daí, bem mais tarde, ressurgiram em 2006 com a demo "Atlantis", que contém quatro faixas que eventualmente fariam parte do vindouro debut. Elas já tinham o estilo do Attick Demons atual, com Artur Almeida solto no vocal e uma sonoridade de momentos Speed, outros melódicos e, sobretudo, um estilo Iron Maiden moderno.
Após mais um tempo de trabalho, conseguiram lançar em 2011, através da Pure Steel Records, o primeiro álbum de estúdio. Nomeado da mesma forma que a demo anterior, o registro apresenta um pesado e criativo Heavy Metal que bebe de gloriosas fontes de Speed Metal e também Power Metal. Aliás, a temática mesmo é digna de Power, uma vez que "Atlantis" é conceitual, não no sentido de ser um álbum de história linear, mas que todas as canções são relacionadas com a Cidade Perdida. Mesmo que o álbum seja excelente de verdade, com canções bem estruturadas de riffs base a estonteantes solos e refrões por vezes cadenciados e decoráveis, sente-se falta da predominância de uma identidade própria. Isso não se limita apenas à estética vocal. Artur alcança as mesmas notas de Bruce Dickinson e até o drive é o mesmo, bem como a forma de composição das linhas vocais. No entanto, o intérprete também é capaz de ir além e manda agudos. Quando vai às casas altas, seu vocal torna-se parecido com o de Kai Hansen (Gamma Ray). Já no âmbito instrumental, é bastante evidente que além do Maiden, outra forte influência é o Helloween.
Mas também há espaço para surpresas com convidados especiais. O ilustre Paul Di'Anno (ex-Iron Maiden) gostou tanto do som que não cobrou um centavo sequer para gravar com eles. Sua participação pode ser apreciada na faixa-título. Já na faixa "Meeting The Queen" temos uma vocalista com um lindo soprano, embelezando uma canção que já é bela por seus trechos de violão, momentos lentos, impressionante solo que alicerça técnica e feeling, e encerramento com piano.
Em suma, a banda, composta atualmente por Artur Almeida (vocal), Luís Figueira (guitarra), Hugo Monteiro (guitarra), Nuno Martins (guitarra e teclado), João Clemente (baixo) e Ricardo Allonzo (bateria) é muito foda e faz por merecer os ouvidos dos headbangers. Som de qualidade, impressionante e até viciante. Contudo, peca na questão de que a experiência é mais como ouvirmos outras bandas do que o próprio Attick Demons. Engraçado como até o rosto e o estilo de Artur se assemelham com o de outra lenda da história do Heavy Metal: Ronnie James Dio. Só que com mais corpo. Curiosidades comparativas são mesmo rotina para o conjunto!
Atualmente os caras estão trabalhando no lançamento do segundo álbum de estúdio, mas ainda não divulgaram maiores detalhes. Se você achava que nada se parecia com Iron Maiden, aqui está a prova portuguesa de que não é bem assim!


 Attick Demons (EP) (2000)

01 - Visions
02 - The Ideal
03 - Desert Rose
04 - Left To Breath
05 - The Believer
06 - Attick Demons


 Atlantis (Demo) (2006)

01 - The Flame of Eternal Knowledge
02 - Riding The Storm
03 - Meeting The Queen
04 - Listen To The Fool


 Atlantis (2011)

01 - Back In Time
02 - Atlantis
03 - City of Golden Gates
04 - The Flame of Eternal Knowledge
05 - Riding The Storm
06 - Sacrifice
07 - Meeting The Queen
08 - In Memoriam
09 - Listen To The Fool


domingo, 28 de junho de 2015

Iluminato - Discografia

É difícil relacionar o Brasil ao Symphonic Metal, não é? Fãs do estilo temos aos montes. Prova disso é quando as maiores bandas do gênero (como Nightwish, Epica, Within Temptation) passam por aqui e arrastam multidões até ao hotel. No entanto, bandas brasileiras que apostam integralmente nessa sonoridade chegam com dificuldade ao conhecimento do grande público. Uma vez que o Metal é gigante e a nossa cena também, é claro que sempre há bandas fazendo de tudo. Portanto, o estilo pode não ser consolidado aqui, mas isso não significa que ele não exista.
Na cidade do Rio de Janeiro existe um excelente expoente que tenta provar seu valor e movimentar os gostos da cena para esse tipo de sonoridade clássica e orquestrada. Batizada com um antigo nome em latim, o Iluminato (em oposição sátira ao nome Illuminati) surgiu em 2009 por iniciativa do guitarrista e vocalista gutural Pablo Ferreira, que visava uma banda capaz de unificar gêneros sublimes como Gothic e Symphonic Metal a outros de agressão como Doom e Death Metal.
Inicialmente não foi estabelecida uma formação definida além do próprio Pablo, uma vez que ele só pretendia oficializar os postos quando o primeiro álbum fosse lançado, demonstrando que a banda funcionava. Alterações na formação aconteciam com alguma frequência, principalmente no baixo e no vocal. Vocalistas de diferentes técnicas tiveram passagem pelo projeto, inclusive gravando demos, mas, por motivos diversos, não se situavam. Já no âmbito da bateria, havia certa estabilidade a partir de 2010 com Léo Peccatu (ex-Hydria e Krystal Tears), que estava sempre à disposição tanto em estúdio quanto ao vivo. Por volta dessa época, o Iluminato chegou até mesmo a abrir um show do Sirenia no Rio de Janeiro.
Em 2011 a estabilidade vocal foi alcançada com a chegada de Liz Demier, que se encaixava perfeitamente nas ambições de Pablo. Com ela, lançaram via MS Metal Records, no fim daquele ano, o debut "Reflections of Humanity". Em vista da limitação de recursos para uma gravação de alta qualidade, a ideia era lançá-lo como um EP, mas acabou sendo decidido que seria mesmo o primeiro álbum da banda. Gravado no estúdio pessoal de Pablo no Rio de Janeiro e distribuído pela Voice Music, o trabalho se mostra mais voltado para a beleza do que para a agressividade. Por mais que momentos de clímax transcorram nas canções - com o Death Metal falando alto por meio de uma bateria mais pegada e vocais guturais que alternam entre o rasgado e o fechado -, a sonoridade não chega a ser bombástica, mas é efetivamente imersiva. Com os teclados e orquestrações por conta do próprio Pablo, a atmosfera clássica irrompe e provoca deleite, reforçado pelo belíssimo e técnico vocal de Liz, que oscila do lírico ao "suspirado" de acordo com o momento. Embora não seja um trabalho conceitual, trechos narrados retirados do filme "Network" surgem no decorrer da audição, já que a ideia é traçar um paralelo entre o filme e o álbum, como se ele estivesse acontecendo enquanto você ouve. Apesar disso, o conteúdo lírico das canções é independente do filme. A obra é um exímio Symphonic Metal de qualidade que realça os potenciais criativos e composicionais de Pablo, que assina todas as composições. Mesmo gravado de forma independente e com limitações de recurso, a produção geral é boa e todos os instrumentos são ouvidos com clareza. Só a guitarra que parece levemente abafada e poderia ser um pouco mais pesada, e a bateria, seca e claramente sampleada.
A essa altura, portando, Liz Demier estava efetivada. Apenas em 2013 as funções de baixista e baterista foram preenchidas com Bruno Araújo e a oficialização de Léo Peccatu, mas este último durou apenas naquele ano. Até hoje, por enquanto, a posição não foi preenchida.
Para o futuro, o Iluminato está preparando um novo álbum de estúdio que promete grandes evoluções em todos os aspectos em comparação com "Reflections of Humanity". Algo realmente bombástico. A expectativa é de lançamento ainda em 2015. As gravações foram realizadas nos Estados Unidos, enquanto a produção ocorreu na Holanda. Para executar as complexidades da linha de bateria, buscaram um cara acostumado com violência. Por isso a gravação do instrumento ficou a cargo de Kevin Talley (ex-Six Feet Under e Dying Fetus). Resta esperar por esse promissor trabalho!
É difícil encontrar bandas nacionais do ramo. É difícil para elas, também, ganhar projeção no cenário do país. Mas elas existem e são competentes. O Iluminato é um dos nomes mais promissores atualmente e, só pelo trabalho feito no primeiro álbum, já nota-se a pré-disposição a amadurecer e lapidar ainda mais a sonoridade e trazer álbuns ainda mais impressionantes no futuro. Banda pra ficar de olho!


 Reflections of Humanity (2011)

01 - Helm of Blindness
02 - Hypocrisy
03 - Betrayed Soul
04 - Howard Beale
05 - Imperial Heart
06 - Aurea
07 - Diana Christensen
08 - Hell
09 - The Last Road
10 - My Astral Home

Aeternam - Discografia

A origem dos músicos pode ser das frias terras do Canadá, mas o som é quente como as areias do deserto. Na mesma proporção em que a cultura árabe é rica, única e envolvente, a sonoridade desses caras é imersiva, avassaladora e de alto nível. Combinando os dois âmbitos, temos como resultado uma banda de punho firme que faz da arte e da cultura algo incrivelmente brutal: o Aeternam.
Calcados num furioso Death Metal, os canadenses não deixam de lado a utilização de recursos extras afim de fidelizar a sonoridade à proposta lírica e vestuária, tais como épicos teclados para sinfonizar a atmosfera e samples com percussões e instrumentos típicos da região. Esbanjam fartamente de tudo o que têm ao alcance e abusam da criatividade para nos brindar com uma sonoridade autêntica.
A concepção da banda se deu no ano de 2007 na cidade de Quebec. Não demorou muito tempo para conquistarem um contrato com a Metal Blade Records, selo pelo qual o conjunto então composto por Ashraf Loudiy (vocais e guitarra), Alexandre Loignon (guitarra), Jeff Boudreault (baixo), Antoine Guertin (bateria, percussão, samples) e Samuel Dubois (teclados) lançou o arregaçante debut "Disciples of The Unseen" em 2010.
Mesmo com uma abordagem mais direta e menos tematizada, o trabalho consegue transmitir uma inteligente fusão entre harmonia e peso. Os épicos teclados apenas fazem o background de encorpamento da sonoridade, sem efetivamente roubar a cena nos arranjos, que pertence aos demais instrumentos. Sobre esse véu pisam pesadas distorções de guitarra que criativamente alternam de acordo com a conveniência entre riffs mais pegados - seguindo o passo de uma impecável bateria - e mais melódicos ao mais autêntico estilo árabe. Os solos também seguem esse padrão, uma vez que são ora melódicos e sentimentais, ora velozes e técnicos. Aliás, "conveniência" é mesmo a palavra-chave, pois ela gerou um álbum plural onde até mesmo diferentes técnicas vocais são exploradas por Ashraf, como um cavernoso vocal gutural fechado e um cadenciado vocal limpo que muito se assemelha ao de Tomi Joutsen, do Amorphis. Interessantemente, a variação de uma erupção instrumental à cadência não são um baque no ouvinte. São bem transicionais e naturais. Embora seja um desgraceira total com teclados apenas apoiando - mas muito bem notados -, passagens puramente ambientais também compõem o set, mas limitando-se à apenas alguns momentos como na introdução do álbum, no início de canções como "The Coronation of Seth", ou em interlúdios como "Iteru". Trabalho certamente matador e impressionante. Não é à toa que foi frequentemente citado como melhor debut do ano de 2010, e também descoberta do ano.
Após o lançamento, mudanças ocorreram no line-up: o tecladista Samuel Dubois deixou o conjunto, mas não teve um substituto oficial. Em 2012 foi a vez do baixista Jeff Boudreault sair de cena. Maxime Boucher o substituiu. Com essa nova cara, como quarteto, o Aeternam lançou em 2012, através da Galy Records, o fantástico álbum "Moongood".
Sem dúvida alguma, trata-se de um álbum bem mais imersivo que o anterior. O que poderia ter de peso extra nos teclados de "Disciples of The Unseen" é compensado aqui. Sem perder o peso avassalador já praticado anteriormente, "Moongod" é capaz de efetivamente te mergulhar na sonoridade. Um verdadeiro teletransporte. Os arranjos árabes estão mais insistentes e interessantes, e as guitarras acompanham muito bem, mantendo o padrão praticado antes. Outro avanço jaz na questão dos vocais limpos, que ao contrário do primeiro álbum, onde eles são mais "gélidos" e lineares, aqui se mostram mais técnicos, subindo e descendo de tom com maior frequência. Vale ressaltar que a distribuição entre os diferentes tipos de vocais é muito bem feita, pois não sente-se que é demais. É a conveniência. Há músicas exclusivas de cada tipo, e músicas que alternam. Álbum sinfônico e construído em cima de muita inteligência e competência.
Nova alteração na formação aconteceu em 2013 com a chegada do guitarrista Matthew Sweeney, substituindo Alexandre Loignon. Por enquanto a banda segue sem novidades.
O Aeternam é espetacular e cada álbum é capaz de agradar mais especialmente a um tipo de público. Apesar da diferença não ser tanta por ambos serem matadores, ela ainda é sensível devido aos teclados. Se você prefere algo mais seco que até trás flashes de Nile, o primeiro álbum é recomendado. Agora, se sua praia é mais sinfônica e você curte bandas como Orphaned Land mesmo em músicas de gutural, o segundo é uma boa pedida. Entretanto, essas bandas são apenas referência, pois o que esses canadenses fazem é bastante próprio.
Os portões do Egito estão abertos. Entre e envolva-se.


 Disciples of The Unseen (2010)

01 - Ars Almadel
02 - Angel Horned
03 - Esoteric Formulae
04 - The Coronation of Seth
05 - Hamunaptra
06 - Iteru
07 - Goddess of Masr
08 - Ouroboros
09 - Circle In Flames
10 - Through The Eyes of Ea


 Moongod (2012)

01 - Moongod
02 - Invading Jerusalem
03 - Cosmogony
04 - Iram of The Pillars
05 - Rise of Arabia
06 - Xibalba
07 - Descent of Gods
08 - Idol of The Sun
09 - Hubal, Profaner of Light