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Desabafo e revelações complementares acerca das mudanças no Warriors Of The Metal

O texto está longo, mas acredito ser do interesse de muitos. Vale ressaltar que ele parte do ponto de vista pessoal, meu, Walker Marques, p...

domingo, 7 de agosto de 2016

Manu “Joker” Henriques (Uganga) - Entrevista

Um fã de cabeça aberta é sempre uma coisa benéfica e interessante, já que o livra das amarras de dogmas "tribais", enriquece o gosto musical, faz compreender a pluralidade desse universo sonoro e leva ao respeito aos diferentes estilos. Mas melhor ainda é quando os músicos são mente aberta e se mostram aptos a experimentar, a buscar algo externo ao estilo central executado, a usufruir de tudo o que for interessante na música, pois ela está aí livre para todos. Isso os mineiros do Uganga fazem sem medo, resultando em inegável personalidade.
Recentemente tive a oportunidade de entrevistar o vocalista Manu "Joker" Henriques, fundador e líder da banda, na labuta há mais de 20 anos com muita paixão, dedicação e confiança. O bate-papo transcorreu a história do Uganga, desde seu início, passando por suas influências, conceitos, turnês europeias, até o álbum mais recente e também o futuro.
Manu falou tudo em detalhes e com muito carisma! Confira abaixo na íntegra:

WOTM: Manu, antes de mais nada, obrigado pelo seu tempo!
É notável a metamorfose musical que a banda apresenta ao longo da discografia, muito embora aquele clima suburbano sempre tenha sido uma constante. No início de tudo, quando a banda foi fundada em 1993, quais eram os planos e influências?
MANU "JOKER" HENRIQUES: Cara, quando começamos o lance era mais diversão do que qualquer outra coisa. Todos integrantes tinham outras bandas, no meu caso tocava bateria no Nuts, e montamos o então denominado Ganga Zumba para tocar alguns covers que curtíamos. Grupos como Rollins Band, Butthole Surfers, Fugazi, Rage Against The Machine entre outros estavam em nosso repertório e acabaram nos influenciando, uns mais que outros. Com o tempo começamos a compor alguns sons em português e por volta de 96 a coisa ficou mais séria. Lançamos duas demos e em 2002 saiu o primeiro full, “Atitude Lótus” (independente), já com o nome Uganga. Realmente é um trabalho muito diferente musicalmente do que fazemos hoje apesar de, por outro lado, também ter muitas coisas em comum com o Uganga atual. É um álbum muito experimental de uma banda que ainda buscava sua identidade e tinha um processo de composição meio caótico (risos). Pra você ter uma ideia eu entrei no estúdio sendo baterista e saí vocalista (mais risos)! Enfim, mesmo sendo um trabalho um pouco confuso eu ainda o acho um bom álbum e ele precisava sair pra banda não acabar. Antes mesmo de colocarmos o CD na praça o Uganga passou por uma reestruturação total, tanto de integrantes como musical, e de maneira natural fomos pesando nossa música, tocando, ensaiando, compondo e deixando rolar... Quatro anos depois, com nosso segundo álbum, “Na Trilha do Homem De Bem” (Incêndio Discos/2006), traçamos esse rumo que foi ratificado no terceiro trabalho, “Vol. 03: Caos Carma Conceito” (Incêndio Discos/Freemind/2010). Desde então o Uganga vem aprimorando essa fórmula, porém nunca deixando de olhar pra frente e sempre fazendo música livre de amarras. Particularmente foi algo como voltar as minhas raízes de Metal e Hardcore/Punk, mas acrescentando o background adquirido nos primeiros anos da banda. Precisei passar por essa fase, da qual me orgulho muito, pra renovar minhas energias e voltar a fazer o que realmente está no meu sangue.

WOTM: O primeiro nome do Uganga foi Ganga Zumba, certo? Por que essa escolha atípica, e o que levou à mudança de nome?
MANU: O nome Ganga Zumba foi sugerido pelo Leospa, nosso primeiro vocalista. Eu e ele praticávamos capoeira e nas rodas tinha uma ladainha bem legal que falava de Ganga Zumba, líder do Quilombo dos Palmares e tio de Zumbi. Pesquisamos um pouco sobre sua história, achamos interessante e aceitamos batizar a banda assim. Ficamos com esse nome até 99, quando, em meio a várias tretas internas, descobrimos que havia outro grupo detentor desse registro. Se não me engano era uma banda de Reggae da Bahia. Pra não perder a conexão com o primeiro nome eu dei a ideia de mudarmos para U-ganga, inicialmente grafado com hífen. Era uma variação de como as pessoas mais próximas se referiam ao Ganga Zumba, “O Ganga”, porém mudando a letra “o” por “u” de união. Sem união uma banda não se mantém. Uganga não significa nada, mas anos depois descobrimos que a deusa hindu do rio Ganges (Índia) se chama Ganga. Achamos isso bem legal (risos).

WOTM: Geralmente as bandas de Metal, seja lá de qual país sejam oriundas, optam por compor letras em inglês, tanto pela estética da língua se aplicar ao estilo quanto pela presença global da língua, sobretudo no mercado fonográfico. Por que o Uganga optou por compor em português?
MANU: Antes de tudo, não nos vejo como uma banda puramente Metal. Com certeza o estilo é parte da nossa base, das nossas raízes mais profundas, mas o Punk e o Hardcore são igualmente importantes pro som do Uganga. Sobre cantar em português, essa sempre foi nossa opção desde o início. Eu escrevo a maioria das letras e me expresso melhor na nossa língua, apesar de já ter composto e tocado em bandas que optam pelo inglês. No caso do Uganga, é parte da nossa identidade e seguiremos assim independente de onde estiver indo a maioria. Concordo que o inglês é a língua predominante no estilo, mas hoje em dia é comum você ver bandas cantando em finlandês, sueco, espanhol, norueguês, entre vários outros idiomas, e sendo muito bem recebidas em todo o mundo.


WOTM: Que tipo de obstáculos já sentiram, mesmo que de forma implícita, por cantarem em português? Vocês sentem alguma resistência por parte de público ou mesmo mídia?
MANU: Cara, obstáculos para bandas underground são vários, mas em relação especificamente a cantar em português, não me lembro de enfrentarmos resistência. Claro que tem uma parcela do público de música pesada que não aceita nada fora dos clichês, fora do óbvio, e criticam tudo o que não entendem. Porém pessoas assim não nos interessam. Fazemos música para nós seis, antes de tudo. Fora disso gosta quem quiser.

WOTM: A formação do grupo permanece intacta há mais de dez anos, sendo que as alterações não modificaram um por outro, e sim somaram. O que era um quarteto à época do primeiro álbum (“Atitude Lótus”, 2003) é hoje um sexteto. Qual o segredo?
MANU: Sinceramente, não sei (risos). Fazer música, ainda mais música pesada no Brasil, não é algo fácil de explicar. Se for pensar em uma palavra pra definir esse segredo, eu diria que é amor. Se o seu coração não está naquilo, não adianta buscar a fórmula perfeita. O Rock 'n' Roll não é uma ciência exata. Temos uma unidade muito forte e, enquanto for assim, a banda seguirá firme.

WOTM: Em “Atitude Lótus” (2003), a banda tem uma orientação mais leve, posicionada em estilos como Ska e Skate Rock, ainda com íntimos flertes com o Rap. A partir de “Na Trilha do Homem de Bem”, a sonoridade muda quase completamente, situando-se mais no Hardcore, Punk, e isso se desenvolveria até o Thrashcore e Groove Metal atuais. Mudanças naturalmente levam à indagação: por quê? Quais foram os incentivos para uma mudança que altera não apenas a musicalidade em si, mas também o público-alvo?
MANU: Nunca buscamos um público-alvo - isso é fato. Já dividimos palco com Racionais MC’s, bandas de Black Metal ou grupos de Indie Rock (risos). Na real, isso rola até hoje! É claro que se você curte Rock pesado, é mais fácil gostar do Uganga, mas fazemos música para nós mesmos e para quem quiser curtir, independente de tribo, seita ou clã (risos). Nesses mais de 20 anos, nós deixamos a nossa vontade nos guiar e nada mais além disso. Concordo com sua análise sobre o primeiro álbum, ele realmente é bem mais leve que os outros trabalhos e, como disse, é fruto de outra formação e de uma banda que ainda buscava se encontrar. Já no segundo CD, realmente a veia Hardcore/Punk é bem latente, mas nele tem uma faixa como “Procurando O Mar”, que é puramente Thrash Metal. Assim como em “Opressor”, o Hardcore se apresenta forte numa música como “Guerra”. Evolução técnica também é algo que fez nossa música ficar mais trabalhada, talvez mais Metal.  Acho que hoje sabemos condensar melhor nossas diversas influências no som do Uganga e soar de maneira mais uniforme e pessoal. Criar uma assinatura leva tempo.

WOTM: Em “Opressor” (Sapólio Rádio/2014), o Uganga claramente amadureceu bastante; o som ganhou consistência e coerência que se destacam em meio aos discos anteriores, que são excelentes. Por sinal, a capa seguiu o passo, pois é belamente elaborada e conceitual. Qual a mensagem que ela visa transmitir?
MANU: A ideia da capa veio de uma entidade imaginária, o Opressor, algo como uma versão Punk da deusa da destruição Kali (risos). O conceito é esse, uma entidade criada e fortalecida a partir das fraquezas do ser humano, dos vícios, da luxúria, da violência, da corrupção, da fé cega, enfim, de toda essa merda que convivemos dia a dia. A capa foi criada pelo Beto Andrade, um artista de Belo Horizonte, e o encarte ficou por conta do Marco (batera do Uganga e meu irmão). Ambos souberam retratar muito bem o conceito do álbum.


WOTM: O disco apresenta também algumas passagens dialogais, aparentemente extraídas de filmes, entrevistas e afins. Quais as origens desses trechos? As músicas foram compostas em torno deles?
MANU: Desde o início usamos vinhetas de ligação em nossos trabalhos. Não em todas as músicas, claro, mas de forma pontual em determinadas partes. Essas ideias vêm depois das composições finalizadas, quando montamos o tracklist e decidimos onde e o que usar. No “Opressor” temos trechos de filmes nacionais e estrangeiros, uma parte de um documentário sobre nossa área e até instrumentos tocados por nós mesmos, como os atabaques na faixa “Noite”.

WOTM: Quais as referências musicais para o desenvolvimento da sonoridade em “Opressor” (já que é o disco mais Metal da discografia), e que tipos de assuntos influenciaram a composição das letras?
MANU: Eu diria que as nossas referências são as mesmas, porém melhor inseridas em nossa música. Temos gostos musicais variados e estamos sempre ouvindo muita coisa, muita velharia, mas também muita banda nova, depende do integrante. Em se tratando especificamente de Metal/Hardcore/Punk, algumas bandas devem ser citadas quando falamos do Uganga: Black Sabbath, Motörhead, Faith No More, Venom, Exodus, Discharge, Dorsal Atlântica, Suicidal Tendencies, Helmet, Prong, Celtic Frost, Sarcófago, Mayhem, Sepultura, Metallica, Vulcano, Biohazard, entre várias outras são e sempre serão grandes influências pra gente. Sobre as letras, a inspiração desde o início é o que está a minha volta e as minhas percepções, positivas ou não, dessas coisas. No caso do “Opressor”, acho que o planeta vive um momento de imbecilidade muito grande, no qual incluo todos nós, e isso ditou os rumos do texto.

WOTM: Vocês já realizaram duas turnês europeias, algo que nem sempre bandas brasileiras conseguem – e ainda por cima graças a músicas cantadas em português. Como foi a recepção dos europeus nos shows? Como foi serem os gringos da vez?
MANU: Não sei se foi graças a cantar em português que essas tours rolaram, mas com certeza isso não nós atrapalhou em momento algum. A recepção nas duas vezes foi excelente, sem demagogia nenhuma. Claro que sei que a maioria das bandas fala isso quando volta de lá, mas no nosso caso é a mais pura realidade e os vídeos estão aí pra provar isso, assim como nosso CD ao vivo, gravado no “Razorblade Festival” (Alemanha), quando de nossa primeira tour gringa. Tocamos em vários países para casa cheia, casa vazia, de segunda a segunda e pra plateias distintas. Não importa se eram punks, roqueiros das antigas, thrashers, a galera do Metalcore ou 'trues' da velha guarda, nós sempre fomos bem recebidos. Acho que em parte se deve a realmente sermos uma banda energética e verdadeira no palco e as pessoas percebem isso, mas também devemos muito ao caminho pavimentado na Europa pela cena clássica nacional dos anos 80. Bandas como Vulcano, Taurus, Overdose, Dorsal Atlântica, Ratos de Porão, Holocausto, Cólera são adoradas por um público enorme.

WOTM: E o futuro? Há planos para um novo álbum? Um eventual novo disco seguiria a linha de “Opressor” como um ponto de referência conceitual, ou as composições tomam forma de maneira mais natural e livre, como se elas pegassem a mão do compositor e o guiassem – e consequentemente a personalidade Uganga seria resultado inevitável?
MANU: Estamos neste momento focados na composição do próximo álbum que já está bem adiantado. Ainda temos algumas datas da tour do “Opressor”, tocaremos em alguns festivais aqui no sudeste/centro-oeste, faremos duas semanas no nordeste, mas de novembro pra frente vamos parar e nos dedicar 100% a finalizar o novo álbum. Acho que ele será uma continuação natural do “Opressor” porém com três guitarras e algumas novidades, pois zona de conforto não nos interessa. O novo guitarrista, Murcego González, trouxe uma pegada mais clássica que se encaixou muito bem com o estilo mais Thrash do Christian e do Thiago. Será nosso primeiro trabalho como sexteto e está soando muito bem. Com certeza podem esperar um álbum bastante pesado! O CD deve sair ainda no primeiro semestre de 2017 aqui e muito provavelmente na Europa. Antes, porém, a Sapólio Rádio lança até o final do ano um DVD comemorando mais de duas décadas de banda com um documentário e um show bem especial aqui na nossa área .

WOTM: Para finalizar, Manu, informe como o fã pode proceder para adquirir o merchandising oficial da banda.
MANU: É só acessar o site da Incêndio Shop que cuida do nosso merchandise www.incendioshop.com.br. No Facebook do Uganga também tem um link pra loja virtual ou você pode ir direto no site da banda www.uganga.com.br e conferir outras coisas também tipo vídeos, agenda, fotos, etc.

WOTM: Certo! Manu, muito obrigado pelo momento dedicado a essa entrevista. Desejo sucesso à banda, que faz som de qualidade. Que venham novas músicas e novas turnês ao Uganga! O espaço está livre para você deixar uma mensagem aos leitores:
MANU: Eu agradeço a oportunidade de poder falar um pouco, ou bastante, sobre o Uganga (risos). Se cuidem e nos vemos na estrada!

Mais informações:
www.uganga.com.br
www.twitter.com/uganga
www.youtube.com/ugangamg
www.facebook.com/ugangaband
www.sapolioradio.com.br

Entrevista por:
Walker Marques
Warriors Of The Metal

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- Todas as novidades sobre o Uganga podem facilmente ser acompanhadas através da página no Facebook, onde publicam fotos, agenda, e todo tipo de informações relacionadas à banda! O disco mais recente, "Opressor", pode ser encontrado para audição também no Spotify!


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Roadie Metal Volume 7 (2016)

Quantas coletâneas lançadas em formato físico, mesmo promovidas por gravadoras, chegam a sete edições? Provavelmente, bem poucas. Essa marca, o idealizador Gleison Junior conseguiu alcançar com louvor através das coletâneas Roadie Metal, e não parará por aqui; o Volume 8 já se encontra em fase de seleção de bandas, e o primeiro DVD da coletânea de videoclipes (projeto inédito no país) já está com o setlist fechado. Todo esse empenho vem do sucesso repercutivo de um projeto criado por uma pessoa comprometida com o evidenciamento do Metal e Rock nacionais, preocupada em inserir os nomes das bandas envolvidas nos mais diversos veículos de imprensa especializados.

Lançada em junho de 2016, a coletânea "Roadie Metal Volume 7" é, como de costume, distribuída gratuitamente para os veículos de imprensa do Brasil e também no exterior, e o público em geral também pode obter cópias ao participar de sorteios realizados durante o programa de webradio Roadie Metal, A Voz do Rock. Novamente, trata-se de uma coletânea dupla, com 17 bandas no primeiro CD e 18 no segundo, totalizando mais de duas horas e meia de muito Rock 'n' Roll.

Normalmente, nos volumes anteriores, bandas de diferentes gêneros se misturavam ao longo dos dois CDs, havendo alternâncias entre algo considerado mais leve e algo considerado mais pesado. No entanto, no Volume 7, Gleison Junior optou por dividir o setlist mais ou menos em blocos, de modo que se tenha bandas de um mesmo estilo seguidamente, e poucas alternâncias rotulares. Como consequência, o CD 1 se mostra mais calcado no Heavy Metal e no Hard Rock, enquanto o CD 2 se especializa nas bandas que exploram os gêneros mais extremos, com guturais. É destacável também a grande quantidade de bandas cantando em português presentes aqui, uma tendência que aparentemente só cresce.

O primeiro disco começa, de cara, com uma excelente quadra de Heavy Metal, através das bandas Syren, Tropa de ShockVálvera e Dolores Dolores. As duas primeiras, pegadas, apresentam claras referências ao Iron Maiden em suas formas de compor (e isso é bem sabido por quem conhece o Syren, já que a banda carioca não é nenhuma desconhecida), enquanto o Válvera traz a primeira música em português do set (e que competência!). Já o Dolores Dolores, embora faça majoritariamente Heavy Metal, apresenta também nuances de Hard Rock por meio de sua canção "I Was Wrong", que quebra o ritmo forte que vinha sendo imposto pela trinca anterior, funcionando tanto como um descanso aos ouvidos quanto como introdução à sessão de Hard Rock que vem a seguir graças à sua própria tendência Hard.

É aí que vem duas canções de Hard Rock: "Let It Go", do Underload, que tem o clima mais festivo e dançante dos anos 70, e "Eleição ou Gozação", do Makinária Rock, que, com letras em português, entrega uma canção irônica com um Hard mais energético e agressivo que flerta com aquele dos anos 80, encaixando-se perfeitamente no que pode ser chamado, de forma genérica, de Rock 'n' Roll. Na sequência, o Heryn Dae quebra a rápida sessão Hard Rock ao trazer de volta o Heavy Metal, porém com uma pegada mais tradicionalista, digna do NWOBHM, mas também apresentando uma veia épica no refrão, mais "manowariana".

A oitava música, que dá nome à própria banda Overhead, resgata o Hard interrompido anteriormente com direito a letras em português e ainda mais peso do que as primeiras do estilo, de instrumental a vocais - esses últimos bem raivosos. Os estilos que até então se encontravam sendo executados separadamente se unem com a canção "Lost Seasons", do Normandya. Trata-se de um típico Hard 'n' Heavy, porém, não tão chamativo de um modo geral, infelizmente.

Até aqui, a coletânea segue uma linha lógica que deixa o ouvinte preparado para cada vez mais peso tradicional. Contudo, o Fenrir's Scar se insere em meio a toda essa tradicionalidade para provocar surpresa com seu inesperado Symphonic/Gothic Metal cantado com vocais femininos e ocasionais masculinos. A produção poderia ser melhor, mas a música é boa e contribui com uma brisa de diferenciação com toda essa suavidade feminina e a "atmosferização" dos teclados.

O Blessed In Fire, por sua vez, com sua música autointitulada, apresenta outro tipo de tradicionalidade: a do Speed Power Metal. Sua abordagem mais energética motoriza o estilo calmo da canção do Fenrir's Scar e prepara terreno para um canção que, se o tempo de duração for visto antes, pode provocar desânimo, especialmente por estar em uma coletânea. "The Dance of Fire", do Apeyron, tem nove minutos e seu inconsciente diz que será uma experiência Progressiva e talvez chata... mas que nada! Interessantemente, é um dos destaques do disco um. A primeira metade é repleta de um misterioso e épico Heavy/Doom Metal de claras raízes sabáticas, cantada heroicamente enquanto teclados se manifestam na base. A canção ascende em ritmo a partir da segunda metade, convertendo-se em uma pegada pesada e melódica que bebe em fontes de Heavy Metal tradicional!

O S.I.F. já entrega em "Puritania" mais uma canção destoante na coletânea com um revoltado Hardcore cantado por uma mulher. É a segunda participação feminina e a quarta canção em português. O estilo tem sequência com Gravis em "Ladrão", mais uma canção em português, mas de Hardcore mais dinâmico e heterogêneo do que o do S.I.F.. Excelente trabalho.

A trinca final Vate Cabal, com um bom Rock, Underhate, com um Thrash Metal similar ao do Metallica, e Eduardo Lira, com um lindo Heavy Metal/Shred instrumental encerra bem a primeira parte da coletânea, disposta a entregar estilos considerados mais leves (tendo o Extremo como comparação antônima) e vocais limpos, com ou sem drives.

O segundo CD, por sua vez, como supracitado, desbrava as áreas mais mortíferas do Metal. O Metal Extremo começa com expressiva classe Death/Thrash Metal através da faixa "Juggernaut", da conhecida banda Voodoopriest, do vocalista Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad). Até a quinta faixa, temos alternâncias entre Death Metal e Thrash Metal, mas sempre com algo mais. A excelente banda fluminense Monstractor, por exemplo, acopla Southern Metal ao seu Thrash, não abrindo mão também da geração de uma sensação Death metal bem lá no fundo. O Forkill executa Thrash Metal mais tradicionalizado; o Kryour une, assim como o Voodoopriest, Death e Thrash Metal, mas ainda com o acréscimo de estilos modernos, aproximando-se do Metalcore (vale ressaltar a excelente produção da música); o Criminal Brain, por outro lado, contribui com Death Metal puro, mas bem mais profundo do que tudo o que estava em execução até então. Avassaladora e densa, "Victim" é uma cansão bem dinâmica e cavernosa.

Não bastasse todo o esmagamento das cinco primeiras bandas, a sexta, Handsaw, ainda se destaca por investir nos subgêneros mais "nojentos" do Death Metal. Absolutamente visceral, "Supreme Being" é uma faixa de Technical/Brutal Death Metal interpretadas com técnicos vocais beirando o pig squeal. Matador.

O Dying Silence já deixa a peteca cair um pouco no que diz respeito à produção, mas mantém viva a coerência Death Metal que vinha sendo estabelecida. Juntamente do rótulo, a banda ainda hibrida o Hardcore e apresenta a primeira música em português no disco dois.

A partir da oitava faixa começa a sessão mais centrada no Thrash Metal em si. Ela é aberta pela banda Demolition, que, por meio da canção "Infected Face", executa um Thrash Metal mais aberto, com riffs melodiosos e bem construídos, flertando com o Heavy Metal mais longe da velha guarda. Sequenciando o Thrash, vem então o conjunto Deadliness com "Guerreiros do Metal", a segunda em nossa língua no CD 2. Trata-se de um Thrash Metal mais desenhado e dinâmico, a exemplo do Demolition. Já o Hellmotz, décima banda, insere bastante Southern Metal na musicalidade, deixando o Thrash Metal como estilo complementar. Som que, de certa forma, remete ao faroeste. Porradeiro e técnico.

Death Metal volta a emergir com o destacável trabalho da banda Death Chaos na música "House of Madness". O destaque não se faz merecido apenas pela música ser boa em si, mas pela clara noção de melodia que a banda tem, distanciando-se de retilinidades e tornando o Death mais interessante e harmônico. Tem cadência sem perder peso, sem falar dos guturais, impressionantemente cavernosos. Grande trabalho.

Com o Melanie Klain e a faixa "Lavagem Cerebral", Thrash Metal e letras em português ascendem novamente. Mas enquanto todo o disco era cantado em gutural até aqui, esses paulistas trazem vocais fora desse campo monstríaco, mas ainda assim sujos, com ampla carga de drives. A sonoridade é moderna e pegada, exibindo um Thrash com gratas influências de Nu Metal que exalam interessantes referências ao Slipknot em uma bem feita música, cheia de momentos diferentes.

O Psychosane abre alas para o trecho Stoner Metal do CD. "Road" é uma música pesada e interessante, também cantada no âmbito limpo driveado. Pegada forte e solo de guitarra simplesmente foda. Agregou muito ao disco. Nessa mesma linha Stoner, mas com mais cadência e alternâncias entre vocais driveados e guturais fechados, a molecada do As Do They Fall deixa sua marca. "Nemesis" é uma faixa coerente e inteligente, onde cada técnica vocal aparece em seu devido momento, sem provocar sensações de deslocamento.

De volta ao Thrash Metal, já ouviu um Speed Thrash cantado em português? Pois é. É isso que o Dioxina faz na faixa "Sombras". A naturalidade da língua é tanta que você nem perceberia. A seguir, é a vez da trinca final de bandas Heavenly Kingdom, onde a produção deixa a desejar mas o Thrash é bom e tem Slayer como referência; South Hammer, cujo Death Metal motoqueiro faz parecer que a capa do disco foi elaborada pensando neles; e Crush, que encerra definitivamente o Volume 7 da forma como ele se propõe a ser: brasileiro e em português.

São um total de 35 bandas, e naturalmente algumas se destacam em meio a outras, sempre resguardados os gostos pessoais. No CD 1, destacam-se Syren, Válvera, Underload, Apeyron, Gravis e Eduardo Lira, enquanto no CD 2 vale ressaltar as bandas Voodoopriest, Monstractor, Kryour, Handsaw, Death Chaos e Psychosane.

A arte gráfica ficou novamente a cargo do artista Marcelo Nespoli, que fez um ótimo trabalho, como se espera dele. O encarte não ficou em um compartimento separado, a exemplo das edições anteriores, precisando ser guardado atrás de um dos CDs em seus compartimentos. O livreto também não tem verniz no material, dando aquele conhecido brilho de papel fotográfico, mas ainda assim, ficou muito bonito, e até mais fácil de manusear. Nele estão informações sobre todas as bandas envolvidas, bem como páginas de agradecimentos, onde é uma felicidade para mim ter meu nome mencionado. Apoio totalmente o projeto, que deixa a zona do "queria fazer" e entra na zona do "eu faço". Atitude.

A coletânea Roadie Metal Volume 7 é mais uma realização da Roadie Metal, que também é um site de notícias, assessoria de imprensa de bandas e programa de webradio. As transmissões acontecem sempre ao vivo, através do www.canalfelicidade.com e pelo livestreaming na página oficial no Facebook, todas as quintas, das 20:45 às 23:00, e aos sábados, das 14:45 às 16:15.

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CONTATO:
E-mails: gleison@roadie-metal.com
walker@roadie-metal.com
lbrauna@roadie-metal.com

CD 1:
01 - Syren: Motordevil
02 - Tropa de Shock: Inside The Madness
03 - Válvera: Cidade Em Caos
04 - Dolores Dolores: I Was Wrong
05 - Underload: Let It Go
06 - Makinária Rock: Eleição ou Gozação
07 - Heryn Dae: Heryn Dae
08 - Overhead: Overhead
09 - Normandya: Lost Seasons
10 - Fenrir's Scar: Downfall
11 - Blessed In Fire: Blessed In Fire
12 - Apeyron: The Dance of Fire
13 - S.I.F.: Puritania
14 - Gravis: Ladrão
15 - Vate Cabal: A Extração da Pedra da Loucura
16 - Underhate: Revolution Day
17 - Eduardo Lira: Sunrise

CD 2:
01 - Voodoopriest: Juggernaut
02 - Monstractor: The 4th Kind
03 - Forkill: Let There Be Thrash
04 - Kryour: Chaos of My Dream
05 - Criminal Brain: Victim
06 - Handsaw: Supreme Being
07 - Dying Silence: Sem Conserto
08 - Demolition: Infected Face
09 - Deadliness: Guerreiros do Metal
10 - Hellmotz: Wielding The Axe
11 - Death Chaos: House of Madness
12 - Melanie Klain: Lavagem Cerebral
13 - Psychosane: Road
14 - As Do They Fall: Nemesis
15 - Dioxina: Sombras
16 - Heavenly Kingdom: Hungry Misery and Pain
17 - South Hammer: Harley My Motorcycle
18 - Crush: Pedrada

Download (CD 1)
Download (CD 2)
Download (os dois juntos)

Os downloads disponibilizados acima são diretamente autorizados pela Roadie Metal.

Ethernity - Discografia Comentada

O Ethernity é uma banda de Power Metal originária da Bélgica, fundada em 2000 e que tem em sua formação o diferencial de contar vocais femininos executados pela excelente Julie Colin, que ingressou no conjunto em 2005, ano em que lançaram sua primeira demo, All Over The Nations. Além de Julie, a banda com Thomas Henry (guitarra), Gregory Discenza (guitarra), François Spreutels (baixo), Nicolas Spreutels (bateria) e Julien Spreutels (teclados). Julien e Nicolas são irmãos e primos de François.
Já no ano seguinte, a banda lançou seu primeiro álbum, The Journey, de forma independente e seguiu na ativa em busca de uma oportunidade.
Em 2008, lançaram mais um trabalho de forma independente, dessa foi o compacto Quest Of Forgiveness.
No intuito de alcançarem um público maior e terem maior visibilidade, a banda lançou em 2015, o seu segundo disco, Obscure Illusions, em formato digital.
E acertaram em cheio, com um grande álbum, tanto na parte instrumental, quanto pelos ótimos vocais de Julie. O Ethernity escolheu divulgar as faixas Entities e Shadows On The Wall, mas todo o disco é muito bom.
Trata-se de uma banda que pode não ser inovadora, mas que executa muito bem a sua proposta e que merece um pouco mais de espaço na mídia, bem como mais atenção do público em geral.


 All Over The Nations (Demo) - 2005

01 - Introduction
02 - Mysteries Of My Life
03 - Come With Me
04 - In My Dreams, In Your Heart
05 - All Over The Nations

 The Journey - 2006

01 - Prelude
02 - Fly Away
03 - The Fallen One
04 - Winter Lullaby
05 - Dreamcatcher
06 - Starlight
07 - Last Wish
08 - The Revelation
09 - Miracles
10 - The Journey

 Quest Of Forgiveness (EP) - 2008

01 - Shadows On The Wall
02 - Alone
03 - Angels Are Calling
04 - Your Darkest Hour
05 - Back To Life
06 - New Horizon
07 - Ex Dominatus Ad Liberatio
08 - Quest Of Forgiveness

 Obscure Illusions - 2015

01 - False Lamentations
02 - Entities
03 - Shadows On The Wall
04 - Secret Door
05 - Never Thought (You Would Make Me Go)
06 - Rancor
07 - Alone
08 - Broken Memories
09 - After All Has Turned To Pain
10 - XIII
11 - Interlude
12 - Obscure Illusions

Ouvir (Spotify)


domingo, 31 de julho de 2016

Hanoi Rocks - Discografia Comentada

O Hanoi Rocks foi formado em Helsinki, Finlândia em 1979. Fortemente influenciados por nomes como New York Dolls, The Stooges e The Rolling Stones, desde o início os músicos buscavam uma sonoridade própria, unindo elementos de suas referências com Blues, Punk Rock, Rock 'N' Roll, Hard Rock e Glam Rock, sendo considerado o precursor do Glam Metal.
A primeira formação incluía o vocalista e saxofonista Michael Monroe (nome artístico de Matti Fagerholm), os guitarristas Nasty Suicide (Jan Stenfors) e Stefan Piesnack, o baixista Nedo além do baterista Peki Sirola. No ano seguinte, Piesnack, Nedo e Sirola foram substituídos por Andy McCoy (Antti Hulkko), Sam Yaffa (Sami Takamäki) e Gyp Casino (Jesper Sporre), respectivamente.
Na época em que foi criado, o cenário da música pesada na Finlândia era muito menor do que atualmente, o que fez com o Hanoi Rocks se mudasse para Estocolmo, Suécia, em 1981 e para Londres, Inglaterra, em 1982.
Quando a banda mudou-se para Estocolmo, os seus membros viviam principalmente nas ruas, pedindo dinheiro, exceto Andy McCoy, que vivia com sua namorada rica.
Ainda durante o período em que estavam em Estocolmo, lançaram seu primeiro disco: Bangkok Shocks, Saigon Shakes, Hanoi Rocks, que contava com a faixa Tragedy, escrita por McCoy quando ele tinha quinze ou dezesseis anos de idade e que se tornaria uma das mais importantes da história da banda. O álbum foi bem recebido pela crítica e atingiu o quinto lugar nas paradas finlandesas.
Em 1982, antes de se mudarem para Londres, veio o segundo álbum: Oriental Beat. A banda ficou decepcionada com o resultado do disco e culpou o produtor por isso. Ainda assim, hoje o álbum é considerado um clássico pelos fãs e chegou a figurar em uma lista dos 100 melhores álbuns de Rock de todos os tempos da posição 91, desbancando trabalhos como Lick It Up do Kiss e Morrison Hotel do The Doors.
No período em que estavam em Londres, Monroe conheceu um fã chamado Razzle (Nicholas Dingley) num show de Johnny Thunders. Isso fez crescer uma amizade entre os dois e Razzle participou de alguns shows, apareceu no backstage, e pediu para ser o baterista da banda. McCoy e Monroe despediram Gyp Casino para seu uso de drogas, depressão e pensamentos suicidas, e Razzle foi contratado como o novo baterista.
Quando Razzle se juntou com o conjunto, o terceiro álbum já estava gravado, ainda assim ele é creditado em Self Destruction Blues, lançado também em 1982. Contado com o hit Love's An Injection, que atingiu o primeiro lugar nas paradas finlandesas, o disco teve boas vendas o que levou o Hanoi Rocks a assinar um contrato para promover seus trabalhos no mercado japonês.
No início de 1983, embarcaram para uma bem sucedida turnê pela Ásia, sendo que os shows no Japão foram todos um grande sucesso, apesar dos elevados preços dos ingressos.
Quando retornaram da turnê, gravaram o quarto disco e partiram para uma nova turnê, dessa vez em Israel, local em que não foram bem recebidos em razão do choque cultural entre um país conservador e músicos que tocavam um som estranho e se vestiam de forma ainda mais esquisita.
Após o fiasco nas apresentações, retornaram para o Reino Unido para o lançamento do novo disco:  Back To Mystery City, que teve bons resultados nas paradas britânicas e finlandesas.
Para tentar alcançar o estrelato, o conjunto contou com o aclamado produtor Bob Erzin para auxiliá-los no próximo disco.
Antes do lançamento do trabalho, fizeram mais uma grande turnê pelo Japão, país em que já eram tratados como estrelas, tamanha a idolatria dos fãs. Até mesmo na Finlândia, causava surpresa o quanto eram queridos na Terra do Sol Nascente.
Quando retornaram, veio o quinto disco: Two Steps From The Move, o qual teve boas vendas, as quais se devem ao sucesso do Single Don't You Ever Leave Me / Oil And Gasoline. Ainda em 1984, a banda fez uma boa turnê pelos Estados Unidos, a qual somente não foi totalmente bem sucedida em razão de algumas datas terem sido canceladas em razão de Michael Monroe ter fraturado o tornozelo.
No dia 08 de dezembro  de 1984, Razzle morreu em um acidente automobilístico, dentro de um carro dirigido por Vince Neil, vocalista do Mötley Crüe. Vince foi acusado pela Justiça, sentenciado a um mês de prisão (cumprindo apenas quinze dias) em segurança mínima, além de ter de pagar uma quantia de 2,6 milhões de dólares à família de Razzle. O baterista foi então substituído por Terry Chimes, baterista do álbum de estreia do The Clash. Sammy Yaffa deixou a banda e foi substituído por René Berg, do Idle Flowers. A banda nunca se recuperou do choque, e então Monroe também deixa o grupo: em Maio de 1985, a banda faz seu último show, no Rockerina Festival, na Polônia. O show é gravado e lançado como um álbum ao vivo ainda em 1985.
Com o término das atividades da banda, os músicos partiram para outros projetos, mas sem alcançarem o mesmo sucesso.
Em 2001, Monroe e McCoy retomaram a banda, juntos a dois membros do Electric Boys, Costello Hautamäki (guitarrista) e Timpa (baixista), além do baterista Lacu, que já havia trabalhado com Monroe no projeto solo do mesmo.
Com a reunião, saíram em diversas turnês até que, em 2002, McCoy e Monroe chegaram à conclusão de que já tinham material suficiente para um novo disco, o que resultado no álbum: Twelve Shots On The Rocks. Embora o álbum foi um sucesso na Finlândia e no Japão, Monroe e McCoy não estavam presentes quando o álbum foi mixado, e quando ouviram o produto acabado que não estavam felizes. O álbum foi remixado em 2003, com duas novas canções, Moonlite Dance e Bad News.
Após diversas apresentações entre 2003 e 2004, Costello Hautamäki deixou a banda, sendo substituído por Stevie Klasson, que acabou sendo demitido ainda em 2004. Logo em seguida, Timpa deixou o conjunto, por razões familiares.
A banda teve problemas para encontrar sucessores para os músicos ausentes, tanto que, para o próximo álbum, Monroe acabou tocando inúmeras partes de baixo e guitarra. Após muita procura, a banda recrutou o guitarrista Conny Bloom e o baixista Andy "A.C." Christell, e em 2005 lançou o álbum Another Hostile Takeover. O álbum trouxe algumas faixas mais experimentais e recebeu muitas críticas positivas, embora boa parte dos fãs tenha se decepcionado com o trabalho em razão de ter fugido do Hard Rock característico do conjunto.
Em 2007, vem o álbum Street Poetry, que muito consideram como o primeiro (e único) álbum do Hanoi Rocks após seu retorno, que foi fiel à sua sonoridade dos anos 80. Faixas como Fashion e This One's For Rock'n'Roll, trouxeram maior visibilidade para o conjunto.
No início de 2008, Lacu deixou o conjunto para se juntar ao Popeda. A banda fez algumas apresentações utilizando uma bateria eletrônica, até anunciar o sueco George Atlagic. Apesar do ingresso do novo membro, Monroe e McCoy decidiram encerrar as atividades da banda. Para isso, fizeram oito apresentações em abril de 2009, no Tavastia Club, em Helsinki. Todos os shows tiveram seus ingressos esgotados e Nasty Suicide apareceu como convidado especial em três dos últimos shows, e Lacu também apareceu no show final.
Apesar de nunca ter alcançado fama mundial, o Hanoi Rocks se tornou o marco inicial para o Metal na Finlândia, pois abriu as portas para vários nomes que surgiram anos mais tarde, tais como NightwishSonata ArcticaChildren Of BodomHIM, entre muitos outros.
Além disso, o Hanoi Rocks sempre foi considerado como uma grande referência musical para nomes como  Guns N' RosesMötley CrüeSebastian Bach e Manic Street Preachers. Recentemente, artistas como Fenriz, do DarkthroneJoey Jordison, do Slipknot Dave Grohl citaram o Hanoi Rocks como uma importante influência musical em suas carreiras.


 Bangkok Shocks, Saigon Shakes, Hanoi Rocks - 1981

01 - Tragedy
02 - Village Girl
03 - Stop Cryin
04 - Don't Never Leave Me
05 - Lost In The City
06 - First Timer
07 - Cheyenne
08 - 11th Street Kids
09 - Walking With My Angel
10 - Pretender

Ouvir (Spotify)

 Oriental Beat - 1982

01 - Motorvatin
02 - Don't Follow Me
03 - Visitor
04 - Teenangels Outsiders
05 - Sweet Home Suburbia
06 - M.C. Baby
07 - No Law Or Order
08 - Oriental Beat
09 - Devil Woman
10 - Lightning Bar Blues
11 - Fallen Star


 Self Destruction Blues - 1982

01 - Love's An Injection
02 - I Want You
03 - Café Avenue
04 - Nothing New
05 - Kill City Kills
06 - Self Destruction Blues
07 - Beer And A Cigarette
08 - Whispers In The Dark
09 - Taxi Driver
10 - Desperados
11 - Problem Child
12 - Dead By X-Mas


 Back To Mystery City - 1983

01 - Strange Boys Play Weird Openings
02 - Malibu Beach Nightmare
03 - Mental Beat
04 - Tooting Bec Wreck
05 - Until I Get You
06 - Sailing Down The Tears
07 - Lick Summer Love
08 - Beating Gets Faster
09 - Ice Cream Summer
10 - Back To Mystery City


 Two Steps From The Move - 1984

01 - Up Around The Bend
02 - High School
03 - I Can't Get It
04 - Underwater World
05 - Don't You Ever Leave Me
06 - Million Miles Away
07 - Boulevard Of Broken Dreams
08 - Boiler (Me Boiler 'n' Me)
09 - Futurama
10 - Cutting Corners

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 All Those Waisted Years (Live) - 1984

01 - Pipeline
02 - Oriental Beat
03 - Back To Mystery City
04 - Motorvatin
05 - Until I Get You
06 - Mental Beat
07 - Don't Never Leave Me
08- Tragedy
09 - Malibu Beach Nightmare
10 - Visitor
11 - 11th Street Kids
12 - Taxi Driver
13 - Lost In The City
14 - Lightnin' Bar Blues
15 - Beer And A Cigarette
16 - Under My Wheels
17 - I Feel Alrigh
18 - Train Kept A-Rollin


 Rock & Roll Divorce (Live) - 1985

01 - Two Steps From The Move
02 - Back To Mystery City
03 - Boulevard Of Broken Dreams
04 - Don't You Ever Leave Me
05 - Tragedy
06 - Malibu Beach
07 - Million Miles Away
08 - Taxi Driver
09 - Up Around The Bend
10 - I Feel Alright
11 - Rock & Roll
12 - Looking At You


 The Best Of Hanoi Rocks (Compilation) - 1985

01 - Two Steps From The Move
02 - Don't You Ever Leave Me
03 - Malibu Beach Nightmare
04 - Lost In The City
05 - Motorvatin
06 - Underwater World
07 - 11th Street Kids (Live)
08 - Oriental Beat
09 - Until I Get You
10 - Back To Mystery City
11 - Million Miles Away
12 - Taxi Driver
13 - Tragedy (Live)

 Dead By Christmas (Compilation) - 1986

01 - Oriental Beat (Live)
02 - Back to Mystery City (Live)
03 - Love's An Injection
04 - Lightning Bar Blues
05 - Mental Beat
06 - Malibu Beach (Calypso)
07 - M.C. Baby
08 - Village Girl
09 - Taxi Driver
10 - Tragedy
11 - Visitor (Live)
12 - Ice Cream Summer
13 - Whishper In The Dark
14 - Cheyenne
15 - No Law And Order
16 - Fallen Star
17 - Dead By Christmas
18 - Lost In The City
19 - Don't Never Leave Me (Live)
20 - Under My Wheels (Live)
21 - I Feel Alright (Live)

 The Collection (Compilation) - 1989

01 - Malibu Beach Nightmare
02 - Mental Beat
03 - Until I Get You
04 - Ice Cream Summer
05 - Back To Mystery City
06 - Oriental Beat
07 - Motorvatin'
08 - Tragedy
09 - Taxi-Driver
10 - Lightning Bar Blues
11 - Two Steps From The Move
12 - Up Around The Bend
13 - I Can´t Get It
14 - Don´t You Ever Leave Me
15 - Million Miles Away
16 - Boulevard Of Broken Dreams

 Decadent, Dangerous, Delicious (Compilation) - 2000

CD 01

01 - Kill City Kills (Alternate Version)
02 - Tragedy
03 - Pretender
04 - Back To Mystery City
05 - Tooting Bec Wreck
06 - Taxi Driver
07 - Love's An Injection
08 - Lost In The City
09 - Motorvatin'
10 - Teenangels Outsiders
11 - No Law or Order
12 - Oriental Beat
13 - Malibu Beach Nightmare (Rock Version)
14 - Village Girl
15 - Fallen Star
16 - Dead By X'Mas

CD 02

01 - Beer And Cigarette
02 - Problem Child
03 - It's Too Late
04 - I Feel Alright (Live)
05 - Mental Beat
06 - Self Distruction Blues
07 - Until I Get You
08 - Lightnin' Bar Blues
09 - Don't Follow Me
10 - 11th Street Kidzz
11 - M.C. Baby
12 - I Want You (Alternate Version)
13 - Rebel On The Run
14 - Malibu Beach (Calypso Version)
15 - Two Steps From The Move

 Twelve Shots On The Rocks - 2002

01 - Intro
02 - Obscured
03 - Bad News
04 - New York City
05 - Delirious
06 - A Day Late, A Dollar Short
07 - In My Darkest Moment
08 - People Like Me
09 - Whatcha Want
10 - Moonlite Dance
11 - Gypsy Boots
12 - Lucky
13 - Watch This
14 - Designs On You
15 - L.A.C.U.
16 - Are You Lonesome Tonight
17 - Winged Bull

Ouvir (Spotify)

 Up Around The Bend...The Definitive Collection (Compilation) - 2004

CD 01

01 - Tragedy
02 - Village Girl
03 - Stop Cryin
04 - Lost In The City
05 - Cheyenne
06 - 11th Street Kidzz
07 - Motorvatin
08 - Don't Follow Me
09 - Teenagels Outsiders
10 - Sweet Home Surbuia
11 - Mc Baby
12 - Oriental Beat
13 - Loves An Injection
14 - I Want You
15 - Cafe Avenue
16 - Nothing New
17 - Self Destruction Blues
18 - Beer And A Cigarette
19 - Taxi Driver
20 - Problem Child

CD 02

01 - Malibu Beach Nightmare
02 - Mental Beat
03 - Until I Get You
04 - Tooting Beg Wreck
05  - Beating Gets Faster
06 - Ice Cream Summer
07  - Back To Mystery City
08 - Up And Around The Bend
09 - High School
10 - Dont You Ever Leave Me
11 - Underwater World
12 - Boulevard Of Broken Dreams
13 - Million Miles Away (Aka Never Get Enough)
14 - Lightin Bar Blues (Live)
15 - Visitor (Live)
16 - Under My Wheels (Live)
17 - I Feel Alright (Live)
18 - The Train Kept a Rollin (Live)

Ouvir (Spotify)

 Another Hostile Takeover - 2005

01 - Intro
02 - Back In Yer Face
03 - Insert I
04 - Hurt
05 - The Devil In You
06 - Love
07 - Talk To The Hand
08 - Eternal Optimist
09 - Insert II
10 - No Compromise, No Regrets
11 - Reggae Rocker
12 - You Make The Earth Move
13 - Insert III
14 - Better High
15 - Dear Miss Lonely Hearts
16 - Insert IV
17 - Center Of My Universe

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 Street Poetry - 2007

01 - Hypermobile
02 - Street Poetry
03 - Fashion
04 - Highwired
05 - Power Of Persuasion
06 - Teenage Revolution
07 - Worth Your Weight In Gold
08 - Transcendental Groove
09 - This One's For Rock'n'Roll
10 - Powertrip
11 - Walkin' Away
12 - Tootin' Star
13 - Fumblefoot And Busy Bee
14 - Trouble Boys

 This One's For Rock'N'Roll... The Best Of Hanoi Rocks 1980-2008 - 2008

CD 01 (1980–1985)

01 - Lost In The City
02 - Tragedy
03 - 11th Street Kids
04 - Oriental Beat
05 - No Law Or Order
06 - Motorvatin
07 - Taxi Driver
08 - Café Avenue
09 - Love's An Injection
10 - Back To Mystery City
11 - Until I Get You
12 - Malibu Beach Nightmare
13 - Up Around The Bend
14 - Don't You Ever Leave Me
15 - High School
16 - Underwater World
17 - Boulevard Of Broken Dreams
18 - Million Miles Away

CD 02 - (2001–2008)

01 - People Like Me
02 - A Day Late, A Dollar Short
03 - Obscured
04 - In My Darkest Moment
05 - Back In Yer Face
06 - Better High
07 - You Make The Earth Move
08 - Eternal Optimist
09 - Center Of My Universe
10 - Hypermobile
11 - Fashion
12 - This One's For Rock'n'Roll
13 - Teenage Revolution
14 - Worldshaker
15 - Grin And Bear It


domingo, 17 de julho de 2016

Primator - Discografia Comentada

Hoje o Metal é um estilo musical inquestionavelmente diversificado, mas nem sempre foi assim. No princípio, lá por volta dos anos 70 e início dos 80, não haviam tantos subgêneros quanto há hoje, o que é normal para algo ainda em seus primeiros anos de desenvolvimento. O Metal ainda estava se desgarrando do Rock, principalmente por meio de bandas como Black Sabbath e Judas Priest. Ao longo das décadas posteriores, diversos subgêneros surgiram a partir de determinadas características de bandas que vieram antes, resultando em uma quantidade invejável de rótulos, sendo Thrash Metal, Power Metal, Death Metal e Black Metal alguns dos mais apreciados. A variedade é, sem sombras de dúvidas, incrível e positiva, mas já reparou que, de certa forma, é difícil encontrarmos bandas atuais fazendo som tradicional, som de raiz? Digo, não que não existam, mas é muito mais fácil encontrar bandas de Thrash e Death Metal do que de Heavy Metal tradicional. Em São Paulo capital existe uma ótima banda que não se esqueceu do legado deixado pelos "pais fundadores" e procura tocar Heavy Metal com pureza e qualidade, resguardando o que o estilo ancião tem de melhor.
Formado em 2009, o Primator entrega tradicionalidade em tempos de modernidade e complexidade. Seus feitos já eram conhecidos na cidade mesmo antes do álbum de estreia ser lançado, já que tocavam nos principais bares de Rock da cidade. Atualmente composta por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria), a banda levou um tempo para lançar o primeiro disco principalmente porque as canções passaram por repetidas sessões de refinamento até atingirem um estágio em que o quinteto as considerasse satisfatórias para serem imortalizadas em um registro.
Por isso foi somente em 2015 que o debut "Involution" saiu, lançado de forma independente e distribuído pela Som do Darma. Gravado no Estúdio GR, em São Paulo, e produzido por Daniel de Sá, esse é um trabalho que o tempo inteiro, ao longo de seus 48 minutos, soa familiar. Também não é pra menos: ele poderia ser facilmente inserido no contexto da antiga Nova Onda do Heavy Metal Britânico, já que tem musicalidade a caráter. As influências não deixam mentir, são cristalinas: uma verdadeira jorrada de Iron Maiden com muita manifestação de Judas Priest, especialmente nos vocais.
São os vocais mesmo que chamam bastante atenção, pra mais e pra menos. É claríssima a influência de Bruce Dickinson (Iron Maiden) sobre a voz de Rodrigo Sinopoli, que oscila bastante a tonalidade. Quando em tons médios, aplica agressivos drives num estilo bem Dickinson, principalmente nos vibratos e nos prolongamentos de vogais; e quando eleva a tonalidade, insere agudos realmente agudos, remetendo a Rob Halford (Judas Priest) e algumas vezes até mesmo Andre Matos (ex-Angra e Shaman). São influências de respeito que agregam muito, mas poderiam ser melhor aproveitadas. A capacidade de Sinopoli de executar sem grandes esforços tais técnicas é louvável, mas ao longo do trabalho transmite a sensação de certo exibicionismo, por vezes atrapalhando as canções por elevadas de tom e agudos que entram fora de contexto, parecendo deslocados. Da forma como as linhas vocais foram compostas (com maior incidência de tons médios "driveados"), os agudos deveriam ficar naturalmente como a "cereja do bolo", precisando aparecer em momentos pontuais, de clímax, como ponto máximo da performance vocal de uma canção. Porém, eles aparecem com frequência, estragando a surpresa. Apesar do incômodo, não se trata de algo catastrófico - a audição continua sendo uma experiência positiva.
Instrumentalmente, a banda é também muito bem trabalhada. As fortes influências de Maiden e Priest se equilibram uma na outra, gerando uma oscilação de arranjos de base por vezes pesados e bangeadores como os do Priest, e por vezes melódicos e harmônicos como os do Maiden. É tudo bem arquitetado, deixando clara a preocupação dos músicos com o afastamento da linearidade.
A musicalidade seca remete o tempo todo a suas influências, menos nos momentos de solo de guitarra, que são absolutamente fantásticos. Impecáveis, são executados com técnica, habilidade e, muitas vezes, velocidade. Os reverbs da produção o afasta da secura da timbragem da base e lhe confere uma profundidade quase sentimental, dando ainda mais beleza às notas, tão bem executadas. Nesses momentos é que vemos um Primator mais Primator.
"Involution" não é um disco ambicioso, mas é ótimo. Personalidade também não é um dos quesitos mais fortes, mas há sinceridade e coerência com a proposta de não inovar, mas soar como uma volta no tempo, porém, com a excelência de uma produção moderna de qualidade - detalhe que Daniel de Sá conseguiu entregar. Como os próprios paulistanos desejaram, não é um registro para ficar à frente ou atrás dos ídolos, e sim lado a lado.
O Primator tem potencial. Ainda precisa esmerilhar detalhes, podar exageros, deixar a musicalidade ainda mais coerente sem perder a essência da proposta... mas se em discos futuros o quinteto gerenciar bem a maturidade, podem, quem sabe?, lançar um grande disco de Heavy Metal tradicional que dê a nós, que escrevemos, a chance de defini-lo como um grande álbum lançado na época errada.

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 Involution (2015)

01 - Primator
02 - Dead Land
03 - Flames of Hades
04 - Caroline
05 - Black Tormentor
06 - Let Me Live Again
07 - Face The Death
08 - Erase The Rainbow
09 - Praying For Nothing
10 - Involution

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Higher - Discografia Comentada

De uma perspectiva musical geral, o Metal é um estilo de música pesado. Mas da perspectiva daqueles que são adeptos do estilo, nem todas as bandas e gêneros soam exatamente pesados como soariam pra alguém de fora do estilo.
Muitas vezes quando buscamos peso, distorções realmente distorcidas e produção refinada que valorize isso, temos que recorrer ao Metal Extremo para obtê-los. Bandas que cantam limpo tendem, em geral, a não carregar tanto peso assim no instrumental. No entanto, como tudo na vida, sempre há as exceções, e uma delas faz Metal realmente potente e pesado com vocais limpos diretamente de Campinas, no interior de São Paulo: o Higher.
Rotular o som da banda é uma tarefa complicada - e essa não é uma ideia induzida pelo release oficial. Trata-se de uma constatação honesta por parte deles. O conjunto pratica uma lúcida e técnica mistura entre Groove Metal, Heavy Metal e altas projeções de Progressive Metal, sem contar as nuances melódicas, mas cujo resultado final é tão uníssono que não cabe nos rótulos.
Musicalidade de tamanha qualidade tinha mesmo que, obrigatoriamente, vir de músicos de qualidade. O engraçado é que os fundadores Cézar Girardi (vocal) e Gustavo Scaranelo (guitarra) têm muita bagagem na música, mas em outros ramos, como o Jazz e a música instrumental - daí a sustentação do argumento sobre serem experientes e técnicos. Fizeram carreira nessas áreas. Contudo, sempre gostaram também de Metal, até que decidiram, por volta de 2014, fundar uma banda do gênero após uma conversa telefônica. Foi assim que nasceu o Higher.
A ideia era aproveitar antigas composições dos tempos da banda Second Heaven (que ambos criaram em 1995 mas não lançou discos), revisá-las com base na experiência adquirida ao longo das quase duas décadas até então e dá-las uma nova cara, mais moderna, além de compôr novas canções.
Para dar vida às músicas e completar o line-up, a dupla convocou dois músicos confiáveis: no baixo, o chileno Andrés Zuñiga (ex-professor do EM&T e colunista da revista Bass Player); e para a bateria, Pedro Rezende (ex-aluno de Virgil Donati, do Planet X, na Austrália).
Como resultado, saiu em 2014, de forma independente, o primeiro álbum do Higher, batizado com o nome da própria banda. Distribuído pela Som do Darma, ele reúne nove sólidas e pesadas faixas que totalizam fluidos 40 minutos. O resultado é absolutamente positivo.
Não são músicas difíceis de se assimilar, mas ao mesmo tempo é notável o empenho e complexidade no trabalho de composição delas. A arquitetura composicional é muito bem trabalhada, fugindo do básico simplesmente o tempo todo. Por isso percebe-se que as músicas se fundamentam em bases personalizadas, pensadas, tornando evidente que os compositores (os dois fundadores) planejaram todos os detalhes.
As canções são realmente pesadas. Elas apresentam riffs carregados de groove que dão aquela prazerosa sensação de peso e esmagamento, ao mesmo tempo em que o lado técnico aflora com a injeção progressiva aplicada. Logo, aparecem arranjos escalados, ricos em quebras de ritmos, pausas e que logo se convertem em um andamento mais pegado. A característica de alternância que tanto exploram ao longo do disco também se estende ao lado melódico, já que com muita naturalidade o peso também é substituído pela doce harmonia melódica de modo que chega até a lembrar o Carcass à época de "Heartwork". Não podemos nos esquecer dos solos de guitarra, que a exemplo das bases, também preservam características múltiplas, sobretudo a união de feeling e técnica. São simplesmente fantásticos e verdadeiros cartões postais da habilidade de Gustavo.
Quando um instrumental é muito bom, tem-se algum receio de que o vocalista não seja capaz de acompanhar o nível e possa prejudicar. Felizmente esse não é o caso de Cézar Girardi. Com excelente extensão vocal, o intérprete canta com a agressividade que as canções exigem, em raivosos drives que se encaixam com maestria na proposta. Além disso, também se rende ao exemplo da melodia instrumental, então entrega momentos de vocal mais limpo, sobretudo nos refrões, muitas vezes mais cadenciados em relação aos demais momentos das músicas. Agudos também são explorados, só que com pouca frequência - o que, de certa forma, valoriza os excelentes momentos que eles entram (vide o fim de "Illusion" - fantástico!).
É evidente que Cézar não canta com voz plena. Seu vocal é tão técnico quanto a banda se propõe a ser. Por isso chega a dar um positivo susto de impressionamento quando canta grave na semibalada "Break The Wall", revelando a qualidade das áreas mais baixas de sua extensão. Linda música, e fantástica performance do vocalista no decorrer do álbum.
O disco também apresenta diversas inserções de vocais de apoio, sempre trabalhados pela produção de modo que ficam distantes e profundos. Por vezes, soam até épicos, de modo que lembra bandas heroicas de Viking Metal, como mostram "Lie", "Illusion" e "Like The Wind". É um detalhe nem tão esperado que acrescentou muito à proposta.
Em se tratando de uma banda de músicos técnicos, de bagagem, especialmente na área do Jazz, espera-se um disco de certa forma apelativo, do tipo "de músico para músico". A não-correspondência dessa expectativa certamente é uma das coisas mais positivas do trabalho, pois aproxima a banda do ouvinte que só quer ouvir boa música e o permite apreciar e gostar das canções sem problema nenhum, mesmo que, apesar de ter sentimento, por vezes soa um tanto mecânico. Ócios da técnica. Ainda assim, grandioso trabalho mestrado Cézar Girardi e Gustavo Scaranelo! Excelente álbum.
Provavelmente o ouvinte que conhece Noturnall sentirá certa familiaridade ao ouvir o Higher. Isso não se deve apenas ao fato da proposta ser parecida, mas também porque Thiago Bianchi assina a produção, que aconteceu no Fusão Studios. Logo, reciclou as mesmas ideias que já vinha aplicando em sua banda, que estava lançando o primeiro álbum. Ela realça o lado mecânico da banda, o que pode ser um fator negativo pra quem gosta de sentimento, ainda assim valorizou com grande eficácia as timbragens dos instrumentos e deu ótimas ideias de como adornar as linhas vocais.
Após o lançamento, mudanças na formação. A primeira dela foi o acréscimo de um segundo guitarrista. Felipe Martins tinha apenas 16 anos, mesmo assim ganhou o voto de confiança da banda, principalmente porque era acompanhado de perto por seu professor, o próprio Gustavo Scaranelo. Pouco depois, em 2015, o chileno Andrés Zuñiga deixou a banda, e seu posto foi ocupado por Will Costa.
Há tantas bandas de qualidade pipocando nos dias de hoje que fica difícil dar atenção a todas. Muitas passam despercebidas. Se gosta de peso e técnica sem precisar recorrer a repartições mais extremas do Metal, certamente o Higher satisfará. Banda de bom gosto.

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 Higher (2014)

01 - Lie
02 - Illusion
05 - Like The Wind
07 - Time To Change
08 - Make It Worth
09 - The Sign

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Seu Juvenal - Discografia Comentada

"O que está acontecendo aqui?" Frases equivalentes a essa provavelmente passam pela cabeça de todos aqueles que ouvem Seu Juvenal pela primeira vez - e em todas as outras vezes também. Quando estamos acostumados a ouvir música e analisá-las (mesmo sem perceber, no caso dos resenhistas "não-oficiais"), sempre buscamos algum ponto de apoio, alguma referência que sirva de norte para a bússola da compreensão. Afinal, todos estamos acostumados com determinados padrões estruturais e ideais. Mas o que fazer quando uma banda rompe todas as referências e faz Rock do jeito "errado"? É o desafio que o quarteto do Seu Juvenal lança para todo ouvinte disposto a esmiuçar as camadas de sua musicalidade irreverente, anti-padronizada, anti-refinada, politicamente incorreta, entre outros 'antis' e 'ins'.
Essa aventura musical não se restringe apenas àquele que ouve, mas se estende àqueles que a elaboram também. De musicalidade imprevisível, o conjunto mineiro atualmente composto por Bruno Bastos (vocal), Edson Zacca (guitarra e violão), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria) recolhe diversos elementos de muitos estilos musicais, destila no Rock (sobretudo o Punk, em especial nos primeiros discos) e simplesmente sai do comum - isso em toda a discografia. Não é uma tarefa fácil, mas ela é feita desde 1997, quando a banda foi fundada em Uberaba sob o nome de Os Donátilas Rosários. Na época, havia certa dificuldade de "integração", ocasionada tanto pelo nome esquisito quanto pelo estilo esquisito. A carência de convites para shows levou a banda a logo mudar de nome, mas sem deixar toda sua essência excêntrica de lado. Foi quando passaram a ser conhecidos como Seu Juvenal, e os lançamentos começaram a tomar forma.
O primeiro deles foi a demo "Cyberjecas No Sertão da Farinha Podre", que foi gravada em São Paulo e produzida por Rainer Tanked Pappon (Centra Scrutinizer Band), e saiu já em 1998. O cartão de visitas demonstrativo trouxe evidência à banda, que passou a - aí sim - fazer mais shows e tocar em festivais, além de participar em coletâneas.
Passando o tempo, novas composições surgiam, até que o primeiro álbum de estúdio foi lançado em 2004, intitulado "Guitarra de Pau Seco". O desafio já começa mesmo cedo. Talvez se ele não tivesse determinados elementos-surpresa, seria só mais um disco de Punk Rock no mercado. Mas não é o que temos aqui: despreparado, você se depara com determinadas inserções que o deixam pasmo e o faz se perguntar o que aquele som está fazendo ali - mas incrivelmente, não é uma indagação negativa, e sim positivamente impressionada.
Pois é, o trabalho é basicamente calcado no Punk Rock, mas essa é só uma massa que leva um recheio variado, numa organizada e lúcida gororoba de bom gosto que beira a psicodelia. Logo de início há surpresa com a aparição de trompetes na sonoridade da cadenciada e tropical "Guerrilha Cultural", faixa de abertura do disco, que inclusive conta com batuques tribais. Os trompetes aparecem em outras faixas mais adiante, como na sacana "Filhos de Seu Juvenal" (que tem um clima bem mexicano) e na reflexiva "Teclas Dentadas". As surpresas não ficam apenas por isso, mas também em detalhes que poderiam até passar batidos, sem indagação, como logo na segunda faixa, "Aquela Canção", quando o vocalista insere um grito rasgado e sofrido totalmente inesperado para o ameno andamento da canção. É inesperada também a sensação de que ficou legal!
Quase todo Punk tem sua bela dose de ironia, algo que o faça rir, seja lírica ou instrumentalmente. Pode ter certeza que ficará boquiaberto se perguntando "que porra é essa?" quando "Toninho da Viola" iniciar com seu energético e empolgado Modão do sertão nordestino, que logo se converte em riffs de guitarra e na pegada do Punk tradicional, até que se encerra da mesma forma como começou. Bem sacado demais, cara! Certamente a faixa mais deslocada é "Carta Ao Manipulado", onde um crítico Rap é executado com direito até a flautas na base instrumental.
Embora as atipicidades sejam muitas nesse excelente e divertido disco, o bom e velho Punk não fica de fora. Ele aparece com força em faixas como "Olhos Cortados", "U.S.A." (onde o estilo ganha sua forma mais tradicionalíssima, com críticas ao sistema e adornos em coros de backing vocals), "A Resposta" (intercalada com "U.S.A", ela traz 33 segundos de pura agressividade Punk) e "Indigestão".
O álbum é encerrado com duas faixas que mantêm o ouvinte consternado: "Clitóris Canibais", de nove minutos de duração - muito incomum pro Punk - e letra doentia e pervertida, e por fim "Uberaba Tribal Mix", que traz batuques à lá Les Tambours du Bronx e encerra num clima atmosférico e brisante, fazendo contraponto com a musicalidade mais pegada que transcorreu ao longo do disco.
"Guitarra de Pau Seco" foi um fantástico debut, e isso é fácil de ser reconhecido quando se compreende a proposta de rompimento da banda.
Apenas quatro anos mais tarde chegou o segundo álbum. "Caixa Preta" foi lançado em 2008 e, ao contrário de seu antecessor - que tinha 43 minutos totais de duração -, ele tem duração total reduzida (27 minutos), característica talvez provocada pela inspiração ainda mais submergida no Punk Rock. A produção não é das melhores - isso levando em conta que a do debut também não era excepcional -, mas não denigre tanto a audição de um disco que não se mostra tão atrevido criativamente quanto "Guitarra de Pau Seco".
Nesse álbum, não vemos uma aventura por elementos extras ou grandes surpresas que o deixam caduco. É um trabalho mais seco, pesado, centrado e melhor trabalhado dentro do que o próprio Rock tem a oferecer, porém, isso não faz do álbum ruim, apenas menos imprevisível.
Aqui os caras se afundam de vez no Punk Rock e também se esbanjam em influências roqueiras mais diversas, muitas vezes ultrapassando a fronteira e desbravando o território do Metal, inclusive. Vide faixas como "Atro", que flerta com o Heavy Metal ou "O Criador e A Criatura", cujos riffs sabáticos e escaramuçadores aludem ao Stoner Metal. No entanto, também vê-se elementos de Hardcore e psicodelia como em "Passarins". Talvez a coisa mais linda e surpreendente desse disco seja o Rockabilly executado na sugestiva "Nóiabilly", que é instrumental, e o estilo segue perfeitamente destilado em meio ao Punk Rock na faixa seguinte, "Carne Viva".
Entre os diversos compassos e andamentos adotados na execução do Punk, o mais pegado e tradicional certamente é o exposto em "Via Láctea", bem como, de certa forma, na canção "Coroné Belzebu", que fecha o disco com uma torrente de referências instrumentais ao Rage Against The Machine.
Se o vocal de Bruno Bastos era limpo, comportado e assentado na zona de conforto, saindo dela com raras exceções no debut, o mesmo não acontece aqui. As músicas se tornaram mais agressivas e pesadas, e a voz seguiu a tendência. Frequentemente o intérprete aposta em vocais rasgados em drive, além de demonstrar muito mais entrega no ofício.
Nos tempos que se seguiram, a banda se sentia desconfortável e queria melhorar ainda mais. Foi quando se mudaram para Ouro Preto (MG), e começaram, com muita calma, a trabalhar no terceiro álbum de estúdio.
Demorou bastante, mas ele chegou e com muito estilo. Lançado exclusivamente em LP pela Sapólio Rádio e distribuído pela Som do Darma, "Rock Errado" saiu em 2014 resgatando a essência criativa da banda. É um disco inspirado, ainda mais insano e, como o nome sugere, bastante "errado", indo na contramão de qualquer tendência e fugindo de padrões, inclusive internos do Rock.
Gravado em incríveis quatro dias no Lab.áudio, em Passagem de Mariana (MG) e produzido por Ronaldo Gino (guitarrista do Virna Lisi), o álbum é maduro, perspicaz e brilhantemente sutil em sua arquitetura e referências.
"Rock Errado" é carregado por uma notável atmosfera setentista, cheia de psicodelia - um retrô que soa também moderno devido à bela produção. É um disco difícil, já que suas referências não são escancaradas, mas misturadas em meio à própria personalidade da banda e se manifestam em lampejos mistos. A base continua Punk Rock, mas com menos incidência em relação aos álbuns anteriores, o que abre espaço para que outros estilos também ganhem destaque, como o Indie, o Grunge, algo de Hard Rock e até mesmo o Stoner Metal, mas tudo sem soar pesado demais, mantendo constância e coerência.
Algumas músicas expõem com mais evidência as referências setentistas, tais como "Homem Analógico", "Free Ordinária" e a faixa-título (que inclusive conta com a participação do vocalista Manu "Joker", do Uganga), cujas influências são declaradamente de bandas como New York Dolls e Free. Porém, a coisa se atualiza também com as referências ao Rock e Metal em faixas como "Asfalto", "Um Dia de Fúria" (que também tem algo de Grunge) e "Louva-A-Deus", um fantástico Stoner Metal instrumental. Fora, também, o obrigatório Punk Rock, presente em faixas como "Antropofagia Disfarçada" e na própria faixa-título, que a tem também.
A banda tem mania de encerrar muito bem seus álbuns, em especial nas duas últimas faixas. Essa característica é preservada aqui: a penúltima, "A Chuva Não Cai", é climática e levada a brisantes pianos num andamento bem balado, algo raramente praticado pelos caras. O álbum é então encerrado com "Burca", que até a metade de seus seis minutos puxa os pianos da antecessora até que se transforma em uma frenética porradaria com destaque para a bateria, que é destruidora, e o contra-baixo, que tem linda performance ao longo de todo o álbum.
Trata-se de um disco complexo, mas também fácil de ouvir e gostar. É maduro em todos os aspectos, inclusive nos vocais de Bruno, que estão absolutamente à vontade, seguros. O "Rock Errado" é correto e ousado.
O nome de uma banda é também seu cartão postal; há de se tomar cuidado com isso. Embora ter um nome insano faça todo sentido para uma banda desse calibre, ele ainda pode provocar desconfiança, especialmente pra quem só ouve Metal. Mas não tenha receio; é diferente, mas coerente, algo muitas vezes em falta na música atual. Rock atípico para ouvidos atípicos.

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 Guitarra de Pau Seco (2004)

01 - Guerrilha Cultural
02 - Aquela Canção
03 - Olhos Cortados
04 - Toninho da Viola
05 - Filhos de Seu Juvenal
06 - Carta Ao Manipulado
07 - U.S.A.
08 - A Resposta
09 - Teclas Dentadas
10 - Indigestão
11 - Clitóris Canibais
12 - Uberaba Tribal Mix

Ouvir (YouTube)

 Caixa Preta (2008)

01 - Passarins
02 - Filhos da Putrefação
03 - Atro
04 - O Criador e A Criatura
05 - A Espera
06 - Nóiabilly
07 - Carne Viva
08 - Via Láctea
09 - Coroné Belzebu

Ouvir (YouTube)

 Rock Errado (2014)

01 - Homem Analógico
02 - Free Ordinária
03 - Antropofagia Disfarçada
04 - Asfalto
05 - Louva-A-Deus
06 - Um Dia de Fúria
07 - Rock Errado
08 - Moleque Dissonante
09 - A Chuva Não Cai
10 - Burca

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